por Adriano Nicolau da Silva

Atualmente presenciamos acontecimentos jamais vistos nas comunidades e  sociedades. As pessoas estão desenvolvendo uma série de desequilíbrios emocionais e  diminuindo, significativamente, a qualidade de vida. Os vícios como o alcoolismo,  tabagismo, medicamentos e as drogas ilícitas estão dominando o homem moderno. Seria  uma maneira de escapar da angústia existencial? Sabe-se que grande parte dos conjuntos  de comportamentos viciantes oferecem o prazer imediato e nossos circuitos cerebrais se  desenvolveram para a busca da satisfação, mesmo atropelando o processo empático,  desrespeitando a nós mesmos e aos outros.  

Recentemente, no campo da psicologia, abordam-se os processos da  reestruturação cognitiva na busca de um assentamento mental e emocional. A  reestruturação cognitiva consiste em uma série de intervenções que se originaram das  teorias e terapias cognitivas de Beck, Emery e Greenberg (1985) e Ellis (1962). Os  pensamentos atuam diretamente na forma como sentimos e nos comportamos e a  fisiologia responde diretamente a este estímulo mental. Uma grande discussão filosófica  sempre aconteceu na história humana, colocando o grau de importância segundo as  perguntas: “Teoria ou prática”? “Pensamento ou ação”? “Sentimento ou pensamento”? 

Quando estamos presos em emoções traumáticas e negativas, os pensamentos  poderão ser ruminativos e girar em círculo, resgatando as experiências ruins que  vivenciamos no passado, na tentativa de elaboração mental. O foco fica preso por uma  energia incoerente, não conseguindo estabelecer conexão com as perspectivas otimistas  que poderão acontecer.  

A palavra pensar origina-se do latim “pensare”, representando o peso de alguma  coisa e no processo psicológico, o pensamento é idiossincrático com referência no self  profundo (eu), nas outras pessoas e na percepção de mundo embasada no passado,  presente e futuro. E quando conseguimos gerenciar nossos pensamentos sem ansiedade e  angústia, ampliamos nossa capacidade de interpretar os fenômenos que estão ao redor  com a função mental percepção e ampliamos a nossa zona de conforto.

Pensamentos produzem sentimentos e sentimentos provocam pensamentos, esta  dinâmica, quando em equilíbrio, provoca um estado de fluidez melhorando o campo  emocional e o comportamento. As pessoas energizadas geram a empatia provocando a  sinergia consciente quando se “pensa o pensamento”, “pensa o sentimento”, “pensa o  comportamento” e muda a sua trajetória, repercutindo na criação da possibilidade de  atração da saúde mental e física. 

Em observações clínicas, o paciente quando acredita nas crenças irracionais, seus  pensamentos tornam-se vulneráveis e as emoções tomam conta do corpo de forma  doentia, com o desenvolvimento de reações psicossomáticas. A somatização poderá  provocar muito sofrimento, desencadeando ansiedade generalizada e a consequência  dessa dinâmica poderá ser as comorbidades refletindo no próprio corpo e na mente. 

Uma possível explicação para o pensamento é que surge a partir dos órgãos  sensoriais provocados por uma reação bioquímica, conduzindo os encontros sinápticos  entre os pareamentos neuronais. A ciência ainda tem dificuldades para explicar a meta  cognição, isto é, um pensamento formando outro pensamento. Existe uma dificuldade  interpessoal em compreender o que o outro pensa. Uma possível explicação seria analisar  como ele se comporta com a sua racionalidade/irracionalidade e a emoção no contexto  social, familiar e cultural. 

A neuropsicologia propõe algumas sugestões de entendimento dos pensamentos.  Com o percebimento do estímulo, a interpretação dele, sua conceituação e a ação como  consequência poderia ser mais fácil esse entendimento. Quanto mais próximos os  estímulos, é mais difícil a mente discriminar e quanto mais distantes, é mais fácil a  generalização acontecer. Quando este processo não acontece na mente, possivelmente  estamos diante de uma psicopatologia como a esquizofrenia ou síndromes demenciais. 

Nota-se que algumas pessoas desenvolvem uma infantilidade na forma de pensar  estimuladas por uma psicopatologia, como o transtorno esquizoide, histriônico,  borderline, assim a interpretação da realidade terá comandos conforme a sua conveniência  mental. A regressão cognitiva poderá chegar ao ponto de o sujeito se comunicar de forma  muito direta, sem utilizar metáforas, empobrecendo a comunicação e assim o pensamento  produzirá os sentimentos e as atitudes que conduzirão para situações de estresse e  ambiguidades cognitivas, levando à visão em túnel, falta de clareza e irracionalidade.

Pessoas com história de transtorno obsessivo-compulsivo desenvolvem  pensamentos persecutórios, hipocondríacos, sexuais, religiosos, de perdas materiais, de  culpa e grandeza, totalmente incoerentes e às vezes absurdos, de forma intrusiva e  incontrolável.  

Benefícios dos pensamentos positivos para a saúde mental  e física 

Estudos recentes apresentam resultados benéficos dos pensamentos positivos. A  energia mental e física se expande para a pessoa, protegendo-a do estresse proveniente  dos pensamentos negativos. A autoestima e segurança se generalizam para a vida  profissional, pessoal e interpessoal, atraindo a resiliência, o engajamento e o sentido ao  perceber as grandes conquistas que virão com o treino da mente preparada para aceitar  essa energia proveniente do externo e interno. Essa dinâmica provoca emoções e  sentimentos e por consequência, as reações químicas cerebrais liberam hormônios, os  neurotransmissores endorfina, responsáveis pelos sentimentos de euforia e prazer que  atuam no alívio da dor em consequência das inflamações no corpo. Outro hormônio  importante é a serotonina, responsável pelo sistema autônomo na regulação do humor e  sono, passando a ter uma qualidade na resposta fisiológica e mental diante dos desafios  do dia a dia.  

A gratidão, a amorosidade, a generosidade são sentimentos que nos dão a condição  de permitir sentir este estado, colocando-nos em posição de ficar em paz e obter a  satisfação pessoal, mesmo com acontecimentos pequenos. Isto nos protege do egoísmo e  do egocentrismo, facilitando o encontro intrapessoal e interpessoal, permitindo o  exercício do autocontrole, autoconhecimento, empatia, automotivação e sociabilização  (GOLEMAN, 2005). Quando somos gratos, permitimos o bem-estar e a abertura das  possibilidades de energia emanados pelo afeto, pela saúde mental e física no momento  consciente. Com esta postura mental, o futuro torna-se uma possibilidade viável de  projetos pessoais, consequência do fortalecimento da imunidade e a proteção das ameaças  das agressões da própria fisiologia, do meio antropológico, político, cultural e familiar. 

Com o gerenciamento dos pensamentos positivos e a autoverbalização, a mudança  acontecerá naturalmente na saúde. Eu quero ser paciente comigo e com os outros; serei  sempre meu companheiro, nunca vou me abandonar; eu me ajudo e ajudo os outros; vou 

solucionar os problemas e não reclamar deles; aprenderei sempre com os meus erros e  não lamentarei; mesmo com medo, vou seguir em frente; serei grato, mesmo com os  ingratos; pensarei sempre na paz que está comigo; viverei o presente como um presente;  visualizarei a energia da saúde mental e física. Estas são reflexões importantes no  processo contínuo de mudança. 

A partir desses pensamentos, as virtuosidades adquiridas com as experiências e  vivências, como a coragem, determinação, disciplina, bondade, honestidade,  amorosidade, paciência, humildade, esperança, otimismo e fé, acontecerão de maneira  natural e prazerosa para uma vida boa. 

Sugestões bibliográficas

Beck, A. T., Emery, G. & Greenberg, R. L. (1985). Anxiety disorders and phobias:  A cognitive perspective. New York: Basic Books. 

GOLEMAN, Daniel. Inteligência Emocional: a teoria revolucionária que define o que é ser  inteligente – Rio de Janeiro: Objetiva, 1995.

Adriano Nicolau da Silva, Psicoterapeuta, Neuropsicopedagogo e Neuroeducador. Graduado em Psicologia e Filosofia. Especialista nas áreas de educação e clínica. Uberaba, MG. E-mail: adrins@terra.com.br. Colunista do Factótum Cultural.

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