por Illyana Magalhães

Nunca fui uma pessoa que “endeusasse” meus livros ou os colocasse em um patamar superior aos ensinamentos que a própria vida nos fornece. Entretanto, e aqui não posso me esquivar, os livros combinados aos ensinamentos da vida são verdadeiros instrumentos para uma vida feliz, pacífica e instruída (sob meu ponto de vista, claro).

Como poucos sabem, minha vida sempre foi permeada de livros. Meu avô, amante da boa literatura que foi, tinha um pequeno quarto em nossa casa repleto de livros e revistas em quadrinhos. Eu cresci lendo Asterix e Obelix[1], filosofia, mitologia etc. O meu próprio nome, se você analisar com acuidade, advém dos X-Men[2]. Meu avô era contista e membro fundador da ACLA (Associação Colatinense de Literatura – algo nesse sentido). Ele sonhava ver seu livro publicado, livro intitulado “Contos Místicos e Profundos” (ui, rs).

Introdução a parte, após alguns eventos fatídicos em minha existência, eventos esses que serão descritos futuramente, os livros sempre foram meu principal suporte diante de tantas infelicidades que a vida foi (e é) capaz de me proporcionar. Os livros me serviram como guia, inspiração, socorro. Os livros foram o meu ombro quando mais precisei. Os livros foram o meu fármaco sem a necessidade de prescrição médica. Eu nunca estive só ante a sua presença.

Falar sobre livros me remete a infância. Remete-me aos domingos com contos de Tchekhov. Remete-me às risadas, lágrimas, suspiros e sussurros advindos das mentes mais fantásticas que tive o prazer de experimentar. Falar sobre livro é especial para mim e ao mesmo tempo faltam-me palavras para expressar tamanho amor e gratidão por todos os exemplares lidos até o momento.

Alguns dos meus sonhos materiais desvaneceram, outros surgiram, alguns solidificaram. Tenho como exemplo a minha própria biblioteca com centenas de livros, poltronas aconchegantes, belas luminárias, uma decoração bem retrô e – BINGO – eis um sonho solidificado. Ou seja, nasceu e morrerá comigo.

Eu falo sobre aconchego, amor, descanso. Falar sobre livros e falar sobre palavras que te abraçam, mentes que te instruem, auxiliam. Eu falo sobre sensibilidade. Eu simplesmente falo sobre livros.


[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_publica%C3%A7%C3%B5es_de_Ast%C3%A9rix

[2] https://en.wikipedia.org/wiki/Magik_(Illyana_Rasputina)

Illyana Magalhães é advogada, aspirante a filósofa e escritora. Colunista do Factótum Cultural.

Os artigos publicados, por colunistas e articulistas, são de responsabilidade exclusiva dos autores, não representando, necessariamente, a opinião ou posicionamento do Factótum Cultural.

Uma resposta a “Do que eu falo quando falo sobre livros”

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