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Etiqueta contemporânea

por Leandro Karnal

“Sente-se direito!” “Pegue o garfo com a mão esquerda.” “Não grite.” “Espere os outros se servirem.” “Agradeça.”

Em algum momento da sua vida existiu alguma frase similar dirigida a você. Deu certo, Leitor? 

O processo de “domesticação” de corpos e de almas é o esforço civilizador que, por vezes, se expressa na “pequena ética”, a etiqueta.

Norbert Elias analisou o esforço. Ainda existem cursos no campo das boas maneiras. 

A internet apresenta influencers no campo da luta contra a inconveniência social. Nada posso ou desejo acrescentar a eles.

Vou falar da nova etiqueta.

A pandemia obriga a oferecer desinfetante de mãos em casa como um novo tipo de água benta que se usa antes de entrar em espaços sagrados.

Regra pétrea de gentileza: o álcool em gel das visitas não pode ser do tipo “gosmento”, daquele que nunca sai das mãos e ao lavar, horas depois, você ainda possui uma pátina pegajosa. Gafe! Erro grave. Você será cancelado!

Cuidou da boa safra do vinho ou das flores? Não se esqueça de verificar o álcool em gel.

Os gêneros sempre foram muito variados. 

A cultura de outrora os reduzia e sugeria uma simplificação que atendia mais a ouvidos conservadores do que ao mundo real.

O mesmo com pronomes de tratamento. Masculino e feminino são um começo, nunca o quadro total. 

Uma pessoa na sua casa se anuncia não binária? Pergunte com gentileza como ela quer ser tratada.

Você detesta isso? Sem problema.

A regra mais sagrada da etiqueta é nunca constranger o hóspede.

Isso não mudou. Humilhar alguém é uma grosseria imperdoável. Você não é obrigada/obrigado/obrigade a gostar.

“Não aceito de jeito nenhum!” Sem problema. Nunca receba pessoas!

Falei de desinfetante de mãos e de gênero. Novidades no nosso mundo líquido. 

Existe outro ponto para distinguir gente educada de grosseira: áudios no WhatsApp.

Só podem ser feitos em emergência e devem ser muito rápidos. Pense antes de falar. Evite longas fórmulas de tratamento.

Gente tosca que confunde áudio com podcast causou o avanço tecnológico de ouvir em velocidade avançada. 

Há 50 anos alguém educado não eructava em público. Escarrar é gafe imensa. Flatar causa condenação civil e religiosa. Áudio está na mesma categoria de um flato de voz…

Sejamos educados nesse novo mundo. 

Se existe algo atemporal e que continua nos ensinando sobre a sociedade são os livros, não é mesmo? 

Por isso, nossa recomendação da semana é o livro “Aprender a viver”, do autor Luc Ferry. 

Apesar de ser uma iniciação à Filosofia, o livro não abre mão da riqueza e da profundidade das ideias filosóficas, oferecendo muito mais que uma leitura superficial de textos fundamentais para o entendimento do mundo. 

“Aprender a viver” leva o leitor a entender o sentido profundo das grandes visões de vida que marcaram a história do pensamento.

Esperamos que você goste da leitura.

Tenha um excelente fim de semana!

Abraços, LK e Equipe K.

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