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Os melhores livros de Charles Bukowski

por Neemias Prudente

O autor, ícone da literatura “underground” norte-americana, completaria 101 anos em 2021. Conheça sua vida e algumas de suas principais publicações.

Conheci os melhores livros de Charles Bukowski já na época da faculdade de Filosofia. O primeiro que li foi Misto Quente. A partir daí me tornei fã e acabei me transformando em um genuíno Bukowskiano. Inclusive, o “Factótum Cultural” e a coluna “Escrever para não Enlouquecer” é uma forma de homenagear o velho Bukowski (‘Factótum’ e ‘Escrever para não Enlouquecer’ são dois dos principais livros escritos pelo Buk).

Com uma obra extensa, obscura e sempre trazendo temas sobre: alcoolismo, mulheres, subempregos, jogos de azar – os livros de Bukowski continuam sendo polêmicos e não trazem uma leitura sem questionamentos. Uns amam, outros odeiam. No meu caso, foi amor à primeira vista.

O “Velho Safado” ou “Buk” como é conhecido teve uma vida difícil. Nasceu na Alemanha em 16 de agosto de 1920, na cidade de Andernach, e se mudou para a Califórnia em 1923 junto com sua família – seu pai um soldado americano e sua mãe uma jovem alemã. Desembarcaram em Maryland e, em 1930, mudaram-se para Los Angeles, onde Bukowski viveu praticamente até o fim da vida.

Criou-se em meio à pobreza de Los Angeles, cidade onde morou por cinqüenta anos, escrevendo e embriagando-se. Sua infância foi marcada por essa relação conturbada e violenta com a figura paterna e por seu excesso de espinhas que deixaram marcas em seu rosto e , sobretudo, feridas emocionais, o que fez dele um jovem desajustado.

A carreira literária e, de certa forma, a vida de Bukowski desabrocharam tarde. Conseguindo escapar do alistamento para a Segunda Guerra Mundial, passou praticamente todos os anos 1940 bebendo e rodando o país em subempregos e pensões baratas. Escrevia contos, mas sem obter sucesso no mercado editorial. Na década seguinte, começou a trabalhar nos Correios dos Estados Unidos, onde ficou por 14 anos. Casou, se separou e teve uma filha.

Foi internado diversas vezes com crises de hemorragia e outras disfunções geradas pelo abuso do álcool e do cigarro. Fora do hospital, começou a escrever principalmente poemas, gênero em que melhor conseguiu expressar sua sensibilidade.

Publicou seu primeiro conto em 1944, aos 24 anos de idade. Só aos 35 anos é que começou a publicar poesias.

Todavia, nos anos 1960 que a carreira de Bukowski como escritor engrenou, quando editoras alternativas publicaram suas primeiras coletâneas de poemas. Ao mesmo tempo, seus versos crus, diretos e pornográficos começaram a ganhar espaço na cena underground. Em 1967, o jornal alternativo Open City, de Los Angeles, o convidou a escrever uma coluna, intitulada Notas de Um Velho Safado.

Dois anos depois, veio a grande virada: ele recebe um convite de John Martin, dono da editora Black Sparrow Press que o convidou a abandonar o trabalho nos correios para se dedicar exclusivamente à literatura. Ele aceitou e, em um mês, finalizou seu primeiro romance, Cartas na Rua (Post Office). Com a fama, Bukowski começou a ganhar dinheiro e a experimentar, pela primeira vez, uma vida sexual ativa e promíscua, tema recorrente em sua prosa nas décadas seguintes. Também passou a ser paparicado por estudantes, frequentemente recebendo convites para fazer leituras em auditórios universitários.

É considerado o último escritor “maldito” da literatura norte-americana, uma espécie de autor beat honorário, embora nunca tenha se associado com outros representantes beat, como Jack Kerouac e Allen Ginsberg.

Sua literatura é de caráter extremamente autobiográfico, e nela abundam temas e personagens marginais, como prostitutas, sexo, alcoolismo, ressacas, corridas de cavalos, pessoas miseráveis, jogos de azar e experiências escatoló­gicas. De estilo extremamente livre e imediatista, na obra de Bukowski não transparecem demasiadas preocupações estruturais. Dotado de um senso de humor ferino, auto-irônico e cáustico, ele foi comparado a Henry Miller, Louis-Ferdinand Céline e Ernest Hemingway.

Com efeito, o realismo duro e impactante de suas obras agradou aa público e crítica, conquistando, com seu nome, o mundo da literatura.

Ao longo de sua vida, publicou mais de 45 livros de poesia e prosa. São seis os seus romances: Cartas na rua (1971), Factótum (1975), Mulheres (1978), Misto-quente (1982), Hollywood (1989) e Pulp (1994). Bukowski publicou em vida oito livros de contos e histórias: Ereções, ejaculações e exibicionismos (1972) – que no Brasil foi publicado em dois volumes, Crônica de um amor louco e Fabulário geral do delírio cotidiano (2006) – , South of No North: Stories of Buried Life (1973), Tales of Ordinary Madness (1983), Hot Water Music (1983), Bring Me Your Love (1983), Numa fria (1983), There’s No Business (1984) e Septuagenarian Stew (1990). Seus livros de poesias são mais de trinta, entre os quais Flower, Fist and Bestial Wail (1960), You Get So Alone at Times that It Just Makes Sense (1996), sendo que a maioria permanece inédita no Brasil. Várias antologias, além de livros de poemas, cartas e histórias foram publicados postumamente, como O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio (1998), com ilustrações de Robert Crumb. Este livro é uma espécie de diário comentado dos últimos anos de vida do autor.

De 1976 até sua morte, Bukowski viveu com Linda Lee Beighle. Continuou escrevendo e sendo cultuado pelos seus fãs. Em 9 de março de 1994, na cidade de San Pedro, Califórnia, aos 73 anos de idade, Buk morreu de pneumonia, decorrente de um tratamento de leucemia – pouco depois de terminar seu último livro Pulp.

Confira abaixo os melhores livros de Charles Bukowski . Boa leitura!

Misto Quente

DETALHES

Título: Misto Quente

Autor:  Charles Bukowski

Ano de Edição: 2005

Número de Páginas: 320

Editora:  L&PM

Idioma: Português

Descrição: 

Quem não leu Misto-Quente não leu Bukowski

O que pode ser pior do que crescer nos Estados Unidos da recessão pós-1929? Ser pobre, de origem alemã, ter muitas espinhas, um pai autoritário beirando a psicopatia, uma mãe passiva e ignorante, nenhuma namorada e, pela frente, apenas a perspectiva de servir de mão-de-obra barata em um mundo cada vez menos propício às pessoas sensíveis e problemáticas. Esta é a história de Henry Chinaski, o protagonista deste romance que é sem dúvida uma das obras mais comoventes e mais lidas de Charles Bukowski (1920-1994).

Verdadeiro romance de formação com toques autobiográficos, Misto-quente (publicado originalmente em 1982) cativa o leitor pela sinceridade e aparente simplicidade com que a história é contada. Estão presentes a ânsia pela dignidade, a busca vã pela verdade e pela liberdade, trabalhadas de tal forma que fazem deste livro um dos melhores romances norte-americanos da segunda metade do século XX. Apesar de ser o quarto romance dos seis que o autor escreveu e de ter sido lançado quando ele já contava mais de sessenta anos, Misto-quente ilumina toda a obra de Bukowski. Pode-se dizer: quem não leu Misto-quente, não leu Bukowski.

Factótum

DETALHES

Título: Factótum

Autor:  Charles Bukowski

Ano de Edição: 2007

Número de Páginas: 176

Editora:  L&PM

Idioma: Português

Descrição:

Em Factótum, segundo romance de Charles Bukowski, publicado em 1975, encontramos mais uma vez Henry Chinaski, alter ego do autor, protagonista de vários dos seus livros e um dos mais célebres anti-heróis da literatura americana. Durante a Segunda Guerra Mundial, o loser Henry (que reaparece mais tarde em Misto-quente) é considerado “inapto para o serviço militar” e não consegue entrar para o exército. Assim, enquanto os Estados Unidos se unem em torno da guerra e os homens alistados são vistos como heróis, Chinaski, sem emprego, sem profissão nem perspectiva, cruza o país, arranjando bicos e trampos, fazendo de tudo um pouco – daí o nome do livro –, na tentativa de subsistir com empregos que não se interponham entre ele e seu grande amor: escrever.

Em meio a tragos, perambulações por ruas marginais, tentativas de ser publicado, vivendo da mão para a boca, o autor iniciante Henry Chinaski come o pão que o diabo amassou. Tais trechos, que tratam do escritor em formação, estão entre os mais pungentes e interessantes do livro. Na sua versão do artista quando jovem, Bukowski vê tudo através da lente da desmistificação – desmistifica a imagem do artista romântico e o milagre americano – e faz desse olhar cínico a sua profissão de fé.

Escrever para não enlouquecer

DETALHES

Título: Escrever para não enlouquecer

Autor:  Charles Bukowski

Ano de Edição: 2019

Número de Páginas: 272

Editora:  L&PM

Idioma: Português

Descrição:

Como Bukowski se tornou Bukowski

Escrever para não enlouquecer é um livro único na obra de Charles Bukowski (1920-1994). Reunindo cartas redigidas e ilustradas por ele entre 1945 e 1993, não apenas revela as ideias e opiniões do autor sobre literatura e o ato de escrever, mas também oferece ao leitor a chance de conhecer os bastidores da vida de Bukowski contados por ele mesmo – da embriaguez da juventude errante até os anos maduros de fama.

Compiladas por Abel Debritto, biógrafo do autor que editou duas outras coletâneas temáticas, Sobre gatos e Sobre o amor, estas cartas são uma espécie de autobiografia não autorizada, leitura indispensável para qualquer fã.

Cartas na rua

DETALHES

Título: Cartas na rua

Autor:  Charles Bukowski

Ano de Edição: 2011

Número de Páginas: 192

Editora:  L&PM

Idioma: Português

Descrição:

O primeiro romance de Charles Bukowski

[Bukowski] é um desses escritores que cada novo leitor descobre
com uma emoção transgressora.
The New Yorker

“Tudo começou como um erro”, anuncia Charles Bukowski na primeira linha de Cartas na rua, agora de volta às livrarias em nova tradução de Pedro Gonzaga. O “erro” do escritor conhecido pelos porres homéricos e humor ferino foi se candidatar à vaga de carteiro temporário no início dos anos 50. Quando viu, estava em seu segundo emprego nos Correios, como auxiliar, e já somava catorze anos em uma rotina maçante – ainda mais para um homem de meia-idade  sempre de ressaca. Mas tinha em mãos, enfim, a matéria-prima para seu primeiro romance, que já nasceu um clássico: pela voz de Henry Chinaski, seu alter ego, Bukowski narra suas memórias em tom hilário e melancólico. Lançado em 1971, Cartas na rua é um marco na obra de um dos mais cultuados – e imitados – autores norte-americanos.

Pulp

DETALHES

Título: Pulp

Autor:  Charles Bukowski

Ano de Edição: 2009

Número de Páginas: 176

Editora:  L&PM

Idioma: Português

Descrição:

Eis um Bukowski puro-sangue. Legítimo. Concluí­do alguns meses antes de sua morte, em março de 1994, aos 73 anos.

Não há como sair incólume desta história. A saga de Nick Belane poderia até ser igual a de tantos outros detetives de se­gunda categoria que perambulam pelas largas ruas de Los Angeles. Mas aqui, mulheres inacreditáveis cruzam pernas compridas e falam aos sussurros, principalmente uma que atende pelo nome de Dona Morte. Como nos velhos livros policiais de papel vagabundo, subliteratura pura, a quem Charles Bukowski dedica solenemente Pulp.

Ele desafia sua história com habilidade de mestre. Um Rabelais percorrendo o mundo noir? A divina sujeira? A maravilhosa sordidez? Um acerto de contas com a arte? Uma homenagem? Uma reflexão sobre o fim da vida? E tomara que a morte estivesse linda, gostosa e sexy – como está nesta história – quando encontrou o velho Buk poucos meses depois de ter posto o ponto final nesta pequena obra-prima.

O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio

DETALHES

Título: O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio

Autor:  Charles Bukowski

Ano de Edição: 2003

Número de Páginas: 160

Editora:  L&PM

Idioma: Português

Descrição:

Publicado nos Estados Unidos quatro anos após a morte de Bukowski, em 1998, sob o título original de Captain is out to lunch and the sailors have taken the ship, esse livro é o último canto desesperado do “velho safado”. Contém trechos de seu diário de agosto de 1991 até fevereiro de 1993, selecionados por ele próprio dias antes de morrer, em nove de março de 1994. No texto são comentados alguns episódios frugais, como o hábito de apostar em corrida de cavalos, encontros com figuras marginais e desiludidas como ele próprio, mas a espinha dorsal de O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio são as cruas reflexões filosóficas sobre a vida, sobre a natureza e miséria humanas:

“Por que há tão poucas pessoas interessantes? Em milhões, por que não há algumas? Devemos continuar a viver com esta espécie insípida e tediosa (…) O problema é que tenho que continuar a me relacionar com eles. Isto é, se eu quiser que as luzes continuem acesas, se eu quiser consertar esse computador, se eu quiser dar a descarga na privada, comprar um pneu novo, arrancar um dente ou abrir a minha barriga, tenho que continuar a me relacionar. Preciso dos desgraçados para as menores necessidades, mesmo que eles mesmos me causem horror. E horror é uma gentileza.”

Em O capitão, Bukowski, o último escritor maldito, coloca-se a nu, como de hábito. E mostra uma mente que não se resignou, que – como os personagens de seus contos e romances – não se enquadrou ao american way of life e não encontrou o sonho americano.

Com ilustrações do desenhista norte-americano Robert Crumb, O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio foi publicado primeiramente no Brasil pela L&PM Editores em 1999.

Notas de um velho safado

DETALHES

Título: Notas de um Velho Safado

Autor:  Charles Bukowski

Ano de Edição: 2002

Número de Páginas: 272

Editora:  L&PM

Idioma: Português

Descrição:

Em Notas de um velho safado, a América tem uma cara de 50 anos, corpo de 18 e desfila de calcinha rosa claro e salto alto na madrugada corrosiva de Los Angeles. A América é um sapatão furioso com uma garra metálica no lugar da mão esquerda e não quer saber de transar com o Velho Safado. A América é uma deusa milionária com a qual ele se casa e da qual amargamente se separa. A América é uma prostituta, 150 quilos, um metro e meio de altura, que peida, uiva e destroça a cama quando goza. A América é também estudantes e revolucionários proferindo discursos inflamados em parques ensolarados de São Francisco no final da década de 60. A América é Neal Cassady dirigindo alucinadamente pelas ruas de Los Angeles, pouco tempo antes de morrer de overdose sobre os trilhos de uma ferrovia mexicana. A América é Jack Kerouac e Bukowski poetando na Veneza californiana.

Notas de um velho safado forma um conjunto de histórias excepcionais saídas de uma vida violenta e depravada, horrível e santa. Não podemos lê-lo e seguir sendo os mesmos.

Sobre bêbados e bebidas

DETALHES

Título: Sobre bêbados e bebidas

Autor:  Charles Bukowski

Ano de Edição: 2022

Número de Páginas: 272

Editora:  L&PM

Idioma: Português

Descrição:

“Se acontece uma coisa ruim, você bebe pra esquecer; se acontece uma coisa boa, você bebe pra comemorar; se não acontece nada, você bebe pra que aconteça alguma coisa.”
Charles Bukowski

Charles Bukowski (1920-1994) usava o álcool como musa inspiradora e combustível – uma relação conflituosa responsável por alguns dos seus momentos mais sombrios. O presente volume de prosa e verso reúne seus textos mais notáveis sobre os tapas e beijos com o vício – um assunto que lhe permitia explorar algumas das questões mais prementes da existência. Por meio da bebida, o autor conseguia ficar sozinho, estar com outras pessoas, ser poeta, amante e amigo – ainda que, muitas vezes, a um preço muito alto. Como ele escreve em um poema intitulado simplesmente de “beber”: “para mim/ era ou/ é/ uma maneira de/ morrer/ com botas nos pés/ e arma/ fumegante e/ música sinfônica/ de fundo”.
Um testemunho poderoso sobre os prazeres e as misérias de uma vida inebriada, e uma janela para a alma do autoproclamado “velho safado”.

Mulheres

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Título: Mulheres

Autor:  Charles Bukowski

Ano de Edição: 2011

Número de Páginas: 320

Editora:  L&PM

Idioma: Português

Descrição:

“Eu tinha cinquenta anos e há quatro não ia pra cama com nenhu­ma mulher.” Este é Henry Chinaski, Hank, escritor, alcoólatra, amante de música clássica, alter ego de Charles Bukowski e protagonista de Mulheres. Mas este não é um livro convencional – nem poderia ser, em se tratando de Bukowski – no qual um homem está à procura de seu verdadeiro amor.

Após um período de jejum sexual, sem desejar mulher alguma, Hank conhece Lydia – e April, Lilly, Dee Dee, Mindy, Hilda, Cassie, Sara, Valerie, não importa o nome que ela tenha. Hank entra na vida dessas mulheres, bagunça suas almas, rompe corações, as enlouquece, as faz sofrer. E no fim elas ainda o consideram um bom sujeito. Publicado em 1978, Mulheres, o terceiro romance de Bukowski, é a essência de sua literatura: com o velho Chinaski, ele sintetiza a alma de todos aqueles que se sentem à margem. Escrevendo em prosa, Bukowski poetisa a dureza da vida e nos dá uma pista: “ficção é a vida melhorada”.

Veja o texto que Reinaldo Moraes, tradutor de Mulheres e escritor, fez sobre seu dia de Bukowski.

Hollywood

DETALHES

Título: Hollywood

Autor:  Charles Bukowski

Ano de Edição: 1998

Número de Páginas: 240

Editora:  L&PM

Idioma: Português

Descrição:

“Este livro é a obra-prima de Bukowski e, provavelmente, o mais próximo do Grande Romance Americano que qualquer escritor poderá criar.”
The New York Times

Charles Bukowski (1920-1994) nasceu na Alemanha, veio para a América com dois anos e tornou-se um dos maiores poetas e ficcionistas dos Estados Unidos. Santo padroeiro dos bêbados escritores, escreveu, entre outros clássicos, Crônica de um amor loucoNotas de um velho safadoFabulário geral do delírio cotidiano Pulp.

A diferença entre Bukowski e outros malditos é que ele não é um mártir, nem um anjo caído. Às vezes, quando cai, cai atirando, sem autopiedade. Alguns de seus diálogos são memoráveis e a violência de sua linguagem geralmente oculta uma indisfarçável ternura pelos perdedores e excluídos.

Este Hollywood foi escrito a partir da experiência de Bukowski ao fazer o argumento para o filme Barfly (direção de Barbet Schroeder, com Mickey Rourke e Faye Dunaway), no qual ele narra a história de um escritor que ganha um bom dinheiro para escrever um roteiro para o cinema.

Sobre Gatos

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Título: Sobre Gatos

Autor:  Charles Bukowski

Ano de Edição: 2019

Número de Páginas: 144

Editora:  L&PM

Idioma: Português

Descrição:

O gato é o belíssimo diabo

“As observações [de Bukowski] são muito originais, às vezes hilárias e, no geral, brilhantes.

San Francisco Book Review

Charles Bukowski, o poeta da sarjeta e da ressaca, o romancista do desencanto do sonho americano, quem diria, tinha um fraco por bichanos peludos e ronronantes. Principalmente na ve­lhice, tornou-se sentimental com os felinos, que considerava criaturas majestosas, potentes e inescrutáveis, seres sensíveis cujo olhar inquietante pode penetrar as profundezas da alma. Eram, para ele, forças únicas da natureza, emissários sutis da beleza e do amor.

Abel Debritto, biógrafo do autor que editou duas outras coletâneas temáticas, Sobre o amor e Escrever para não enlouquecer, reuniu aqui poemas e textos em prosa inédi­tos contendo reflexões sobre os animais que tanto fascínio e respeito provocavam em Bukowski. Se o personagem Henry Chinaski era seu alterego, os gatos são seu alterego de quatro patas. Pois, ao discorrer sobre gatos – vagabundos, lutadores, caçadores e sobreviventes –, o Velho Safado fala, na verdade, sobre seu melhor assunto: ele próprio.

Ao sul de lugar nenhum – histórias da vida subterrânea

DETALHES

Título: Ao sul de lugar nenhum – histórias da vida subterrânea

Autor:  Charles Bukowski

Ano de Edição: 2010

Número de Páginas: 240

Editora:  L&PM

Idioma: Português

Descrição:

Ao sul de lugar nenhum – histórias da vida subterrânea deixa claro por que Charles Bukowski é um dos escritores norte-americanos mais influentes das últimas décadas, e um dos mais lidos e amados pelos leitores. Sob o signo da solidão, do isolamento, da alienação e da marginalização, o que temos aqui são reflexões sobre personagens que desistiram da sociedade e talvez até de si mesmos. A essas massas silenciosas geralmente rotuladas como ‘bêbados’, ‘vagabundos’ e ‘perdedores’, Bukowski empresta sua voz (áspera de cigarro e destilados) e mostra que, sim, também essas pessoas têm esperanças, anseios e até mesmo sonhos, ainda que esses sonhos não se enquadrem nos padrões normalmente aceitos. Nestes contos, afloram toda a verve e todo o humor cáustico do autor, para o qual não há assunto tabu e nenhuma escatologia da miséria humana é desprovida de interesse.

Muitas histórias são narradas e protagonizadas por Henry Chinaski, o alter ego do escritor (em torno do qual giram cinco dos seus romances). É o caso, por exemplo, do conto ‘Política’, em que Chinaski banca o nazista na escola, em plena Segunda Guerra, pois não agüenta mais ouvir discursos patrióticos pró-aliados; e ‘Lembra de Pearl Harbor?’, em que é recusado pelo exército americano durante a mesma guerra, num dos mais marcantes episódios de marginalização da sua vida.

O velho Buk estava no seu auge literário quando escreveu essas histórias, nos anos 1960 e no início dos anos 1970. Grande parte delas foi publicada em revistas baratas e jornais underground de Los Angeles (e até mesmo em revistas masculinas). Se normalmente o autor é associado à crueza desprovida de qualquer romantismo com que aborda a frustração sexual, o alcoolismo, o desemprego e tantos assuntos perturbadores, esses 27 contos, assim como os seus melhores romances, mostram de forma inequívoca todo o seu domínio narrativo. Bukowski é, sim, cru, ferino e por vezes escatológico, mas é também econômico, rápido, certeiro; é sábio em suas escolhas e nunca falha em despertar o interesse do leitor. Publicado em 1973, Ao sul de lugar nenhum é aclamado como o melhor livro de histórias curtas do autor. Eis o velho safado em sua melhor forma.

Bukowski: vida e loucuras de um velho safado

DETALHES

Título: Bukowski: vida e loucuras de um velho safado

Autor: Howard Sounes

Ano de Edição: 2016

Número de Páginas: 384

Editora:  Veneta

Idioma: Português

Descrição:

Bêbado, mulherengo, vagabundo, imprevisível. Charles Bukowski transformou seu estilo de vida pautado na mais pura vadiagem em literatura e se tornou um ícone da cultura pop. Cartas na Rua, Factotum e Mulheres são alguns dos livros que retratam seus porres homéricos, angústias e relacionamentos conturbados.

Após anos de pesquisa minuciosa, o jornalista britânico Howard Sounes recria a trajetória do escritor neste livro que é considerado a biografia definitiva de Bukowski. Sounes teve acesso à correspondência íntima do autor e entrevistou amigos, amantes e familiares. O resultado é uma narrativa surpreendentemente rica em detalhes: da infância marcada pelo autoritarismo e agressões do pai, à juventude errante embalada pelo álcool até o estrelato com livros na lista de mais vendidos e adaptações para o cinema.

Vida e loucuras de um velho safado traz poemas, trechos de trabalhos inéditos, desenhos e mais de 60 fotos. Além de depoimentos de amigos como Norman Mailer, Allen Ginsberg, Sean Penn, Mickey Rourke (que interpretou Bukowski no filme Barfly), Lawrence Ferlingetti, Robert Crumb (que assina o desenho da capa) e Harry Dean Stanton.

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