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Entenda o que é comunicação não violenta

por Ana Carolina Schmidt

Um dos grandes erros cometidos nos relacionamentos está vinculado com a comunicação. Pensar que comunicação é só a linguagem verbal é um erro. A comunicação se faz de diversas formas além do verbal. Além da entonação, também pode acontecer no olhar, nas expressões, no que não é dito.

Nos dias atuais ainda temos a questão tecnológica que nos traz a ilusão de estarmos nos comunicando mais. No entanto, essa maior comunicação não tem sido uma comunicação de qualidade. Afinal, quantidade e qualidade são coisas diferentes, certo? Quantas vezes se está em três conversas diferentes ao mesmo tempo no WhatsApp, uma falando de receita, outra de estudos e outra sendo uma discussão? Nossa atenção não fica mais totalmente voltada a cada conversa que temos. Isso nas nossas relações do dia a dia, de uma forma geral.

Outro ponto que dificulta a comunicação é deduzir que o que queremos está muito claro e óbvio, mesmo que não expressamos com clareza o que queremos, ou peçamos com clareza. Um exemplo: você está fazendo muitas coisas e precisa/quer ajuda. Mas ao invés de pedir ajuda com todas as letras, você “dá a entender”, ou “espera que o outro perceba sozinho”. O que é óbvio para você, nem sempre é óbvio para o outro.

Mas o que fazer então? Uma alternativa importante e possível para melhorar essas comunicações é utilizar a comunicação não violenta.

O que é comunicação não violenta

A comunicação não violenta é uma técnica que pode ser utilizada em todas as formas de comunicação que usamos na vida: no trabalho, nas amizades, nas relações amorosas, etc.

Existem dois requisitos iniciais para essa comunicação não violenta, que são: ouvir com empatia e se expressar com honestidade.

Quando você ouve em uma conversa, você está na forma passiva, que tem quatro passos a levar em conta. Primeiro é observar sem julgar, de forma neutra. Em segundo, avaliar os sentimentos e emoções que estão por trás das palavras ditas. Em terceiro, entender a necessidade que está por trás daquela emoção e da fala do outro. E, por fim, entender o pedido que está por de trás daquilo.

Quando você se expressa dentro de uma conversa, está na forma ativa, que requer: respirar; perceber os seus pensamentos e emoções que surgem sobre a situação; identificar as necessidades que você tem em relação à situação; e expressar a necessidade de forma assertiva para o outro.

Vamos considerar um exemplo para ajudar a entender: você está em casa com seu parceiro e ele não ouve o que você está dizendo e não lhe responde. Você pode tomar a atitude de lhe dizer: “Que saco, você nunca me ouve. Você não se importa comigo. Eu sou um lixo para você?” e uma briga se inicia.

De uma maneira geral a comunicação vão violenta vai ter esses quatro passos, seja na forma ativa ou passiva. Confira um exemplo de como seria, com base na situação colocada acima:

1. Observação

Observar o que acontece de uma forma mais neutra possível. Ajuda muito se você descrever os fatos sem julgamentos e sem generalizar para “sempre acontece”, é o que acontece naquele momento específico. No exemplo anterior poderia ser: estou falando. Não estou tendo resposta ou contato visual enquanto falo.

2. Sentimento

Identificar que sentimentos você tem quando a situação acontece, nomear mesmo o que está acontecendo com você. Conforme o exemplo anterior poderia ser: me sinto invalidada. Não me sinto amada. Me sinto ignorada.

3. Necessidades

Agora que você percebeu o sentimento, você pode tentar entender qual a necessidade que está envolvida, ou seja, o que você está esperando? Ainda conforme o exemplo anterior, poderia ser algo como: sinto necessidade de ser ouvida e acolhida.

4. Pedido

Você identificou o que aconteceu, ou vem acontecendo. Então, a partir da observação dos fatos, sem julgamentos, da identificação das suas emoções, sentimentos e necessidades, você pode elaborar um pedido claro.

Finalizando o exemplo, ao invés de “Que saco, você nunca me ouve. Você não se importa comigo. Eu sou um lixo para você?” uma comunicação mais assertiva poderia ser: “Eu estou falando e você não está dando atenção ao que eu digo, com isso eu me sinto invalidada, ignorada e não me sinto amada. Tenho necessidade de que você me ouça com atenção e me acolha. Você pode me ouvir agora por um momento com atenção?”.

Eu sei muito bem que é lindo ver a teoria, mas colocar isso em prática pode ser um grande desafio. Principalmente porque requer ir contra ao que estamos acostumados no dia a dia.

Observar as situações e perceber nossos sentimentos e necessidades pode ser difícil. Um profissional da psicologia pode te ajudar a mobilizar essa auto percepção e autoconhecimento.

Se puder, faça terapia.

Ana Carolina Schmidt é psicóloga e fala de ansiedade. Seu principal objetivo é ajudar mulheres a lidar com suas emoções e ansiedades, buscando encontrar a melhor versão possível de si mesmas.

O Município de Joinville. 22.4.2022.

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