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6 livros de distopias para refletir sobre nossa sociedade

por Neemias Moretti Prudente

Há muito tempo, as distopias são um grande acontecimento na literatura mundial e esse sucesso parece tornar-se cada vez mais intenso com o passar dos anos. Mas, você sabe o que, de fato, é uma distopia? E quais são os principais livros distópicos para refletir sobre nossa sociedade?

Selecionamos algumas das obras mais significativas do gênero e que também servem como ótimas críticas sobre diversos aspectos da nossa sociedade.

O que define uma distopia?

De acordo com o dicionário, distopia trata-se de um “lugar hipotético onde se vive sob sistemas opressores, autoritários, de privação, perda ou desespero“. É dizer, algo distópico é “relativo a distopia ou a um país ou uma sociedade imaginário em que tudo está organizado de uma forma opressiva, assustadora ou totalitária, por oposição à utopia” (modo otimista de ver as coisas do jeito que gostaríamos que elas fossem).

Se a utopia é um mundo perfeito. A distopia é o inverso, significa literalmente o mundo imperfeito, o antônimo de utopia.

Nas distopias, geralmente são apresentados cenários assustadores e pessimistas, governos totalitários, leis cruéis, perseguição de minorias e cidadãos privados de seus direitos fundamentais. O conceito, por vezes, é ligado a histórias futurísticas, nas quais, pelo declínio da sociedade e da natureza, cria-se um cenário ideal para regimes totalitários.

Na literatura, porém, ela é utilizada com frequência por autores do mundo inteiro como um elemento de crítica ou sátira à sociedade da época.

De Aldous Huxley a Margaret Atwood, conheça as seis melhores distopias de todos os tempos, Os títulos estão organizados de acordo com o ano de lançamento: do mais antigo para o mais recente. Boa leitura!

Admirável Mundo Novo (1932), Aldous Huxley

O romance distópico Admirável Mundo Novo  é ambientado em um futuro distante e exibe uma sociedade que é plenamente organizada pelos princípios da ciência. Neste mundo, os seres humanos são gerados em laboratórios e condicionados a seguir as normas sociais pré-estabelecidas pelo Estado. As pessoas são classificadas por castas, de acordo com as características biológicas definidas desde o seu nascimento. Conceitos “antiquados” como “pai”, “mãe” ou “família” são considerados repugnantes. Aliás, qualquer coisa que desestabilizasse o indivíduo de suas obrigações de trabalhar e produzir devia ser punida. O amor, por exemplo, não é um sentimento conhecido por esta civilização, assim como qualquer outro tipo de compromisso amoroso. “Cada um pertence a todos” é o lema da sociedade em Admirável Mundo Novo, que não deixa de ser uma grande crítica ao extremismo do coletivismo socialista. A literatura, a música e o cinema, por sua vez, são encarados como uma ameaça, uma vez que ajudam a solidificar o espírito de conformismo. Bernard Marx, insatisfeito com o sistema, descobre que existe uma reserva natural, onde ainda vivem homens que mantêm os costumes primitivos. Ele decide viajar para este lugar e tenta levar um exemplar dos “selvagens” para a sociedade científica e civilizada.

A Revolução dos Bichos (1945),  George Orwell

Uma fábula sobre o poder, “A Revolução dos Bichos” narra a insurreição dos animais de uma granja contra seus donos. Os animais da Granja do Solar estão cansados de trabalhar demais e comer de menos e, incentivados pelo Velho Major, decidem se rebelar. Liderados pelos porcos, especialmente Bola-de-Neve e Napoleão, eles expulsam Jones, o proprietário da terra, e passam a administrar o local sozinhos, criando suas próprias regras. Mas, os dois porcos começam a competir entre si, Bola-de-Neve é enxotado do território e Napoleão é declarado líder por unanimidade. Com o tempo, o porco governante se torna autoritário e opressivo, assemelha-se cada vez mais aos humanos e submete os animais a condições de trabalho degradantes. Escrita em plena Segunda Guerra Mundial, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos eram aliados do Ocidente na luta contra o nazifascismo.

1984 (1949), George Orwell

Um dos romances mais influentes do século XX, o último livro de George Orwell , “1984“, narra a trajetória de Winston. O herói da narrativa encontra-se preso à engrenagem totalitária de uma sociedade controlada pelo Estado. Nesse lugar, as ações são compartilhadas coletivamente, mas cada pessoa vive sozinha. No entanto, todos são reféns do Partido e da vigilância do Grande Irmão (Big Brother), um poder cínico e cruel ao infinito. O Partido se interessa unicamente pelo poder e reprime qualquer tipo de liberdade de expressão. Winston trabalha com a falsificação de registros históricos do governo, mas não está satisfeito com a realidade, que se disfarça de democracia, e ousa questionar a opressão que o Grande Irmão exerce sobre a sociedade. Para escrever essa obra, o britânico Orwell se inspirou nos regimes totalitários das décadas de 1930 e 40, em especial ao fascismo de Joseph Stalin, mas suas críticas e reflexões permanecem atuais.

Fahrenheit 451 (1953), Ray Bradbury

Escrito após o término da Segunda Guerra Mundial, em 1953, “Fahrenheit 451” condena não só a opressão anti-intelectual nazista, mas principalmente o autoritarismo do mundo pós-guerra. O livro  narra os bastidores de um governo totalitário, num futuro incerto, mas próximo. Nesse lugar, os livros ou qualquer tipo de leitura estão proibidos, uma vez que podem instruir o povo e fazer com que ele se revolte contra o sistema. As críticas pessoais e a opinião própria são suprimidas. No futuro não tão distante, a leitura deixa de ser meio para aquisição de conhecimento crítico e torna-se suficiente apenas para a leitura de manuais e operação de aparelhos. Tudo é controlado e as pessoas só têm conhecimento dos fatos por aparelhos de TVs instalados em suas casas ou em praças públicas. Nesse contexto, Guy Montag, um “bombeiro “que trabalha queimando livros, se encontra descontente com seu emprego e com o governo. Aliás, uma curiosidade: 451 é a temperatura, em Fahrenheit, usada pelas equipes de “bombeiros” para queimar o papel dos livros nesta história. Então, Guy tenta mudar a sociedade e encontrar uma maneira de viver feliz. De acordo com o próprio autor, Fahrenheit 451 serve para refletirmos como a televisão pode destruir totalmente o interesse das pessoas pela leitura.

Laranja Mecânica (1962),  Anthony Burgess

Publicado pela primeira vez em 1962 e eternizado na cultura pop pelo filme de Stanley Kubrick, Laranja Mecânica tem como palco uma Inglaterra futurista, onde o domínio das gangs juvenis é total, praticando sem nenhum receio a chamada “ultraviolência”. E, como modo de combater este comportamento, Burgess nos apresenta o revolucionário Tratamento Ludovico, uma técnica experimental . A história que promete “curar” Alex, o protagonista e “anti-herói sociopata” da narrativa. Aliás, este tratamento não deixa de ser outra crítica feroz do autor contra a chamada “psicologia comportamental” (Behaviorismo).

O Conta da Aia (1985), Margaret Atwood

A história se passa em Gileade, um Estado teocrático e totalitário, localizado onde um dia existiu os Estados Unidos. Esse novo governo foi criado por um grupo fundamentalista autointitulado “Filhos de Jacó”, com o objetivo de “restaurar a ordem”. Anuladas por uma opressão sem precedentes, as mulheres não têm direitos (são proibidas de ler, trabalhar e manter amizades) e são divididas em categorias: esposas, marthas, salvadoras e aias. As aias pertencem ao governo e existem unicamente para procriar. Entre elas, está June, nomeada Offred, que é afastada de sua família para servir a um comandante. Apesar de ser designada para dar um filho ao seu chefe, Offred se envolve amorosamente com Nick, o motorista da família, e compartilha segredos de seu passado com ele. Mas, as lembranças e a sua vontade de sobreviver, se tornam atos de rebeldia.

Qual é o seu livro de distopia favorito?

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Um comentário em “6 livros de distopias para refletir sobre nossa sociedade Deixe um comentário

  1. Isso aí, o que o mundo vive atual, se de modo distópico e imperfeito. O cenário é assustador e pessimista. Tanto norte como no sul, no leste e oeste. Todos vivem sob pressão.

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