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Conheça os 8 ensinamentos da filosofia de Olavo de Carvalho

Olavo de Carvalho é internado com pneumonia

Professora Natália Sulman e o jornalista Fernando de Castro comentam oito contribuições fundamentais do filósofo e escritor brasileiro

O filósofo Olavo de Carvalho foi responsável pela elaboração de diversos pensamentos que conduziram a composição do seu horizonte de ideias e consciência. Ele definia a filosofia como “a unidade do conhecimento na unidade da consciência e vice-versa”.

Ao trazer tal definição para a filosofia, Carvalho entendia que à medida em que o indivíduo buscasse conhecimento, aquele conjunto de informações iria formar uma complementação em sua consciência, capacitando-o, assim, a formar uma unidade entre a sua realidade, o conhecimento adquirido e a própria personalidade.

“Busquei o seguinte critério ao elaborar essa definição: o que todos os filósofos fizeram independentemente do conteúdo das suas doutrinas e da definição que eles davam para a filosofia? O que eles tinham de fazer para serem necessariamente filósofos? E era isso o que eles faziam: todos buscavam alguma unidade e coerência no conhecimento disponível e foram formando a sua consciência à medida em que iam encontrando ou se esforçando para captar essa unidade. Iam unificando a sua consciência e, portanto, também, a sua personalidade, a sua vida, o seu ser inteiro a partir desse esforço, independente de eles serem idealistas ou materialistas, cristãos ou anticristãos, muçulmanos ou judeus. Ele tem que fazer isso, porque é a prática, o exercício da filosofia. O filósofo não faz outra coisa”, explicava Olavo.

Além do conceito de filosofia, Olavo de Carvalho também elaborou alguns conceitos ao longo da sua carreira filosófica. Conheça abaixo oito ensinamentos teóricos da filosofia do professor Olavo.

Com destaque para a Teoria dos Quatro Discursos, que deu origem ao livro “Aristóteles em Nova Perspectiva; Introdução à Teoria dos Quatro Discursos” e a Teoria das 12 Camadas da Personalidade Humana. Ambos os pensamentos de Carvalho ganharam forte difusão por entre os seus alunos e leitores.

1 – Paralaxe Cognitiva: É o deslocamento entre o eixo da experiência e o eixo da teoria. É o caso de quem percebe a realidade – porque o homem é consubstancial a ela – mas, na hora de explicá-la, contradiz a sua experiência para afirmar uma ideia. Os ideólogos sofrem dessa paralaxe ao enxergar o mundo apenas como construção social e linguística.

2 – Teoria dos Quatro Discursos: Essa teoria, como dizia o próprio Olavo, pode ser resumida em uma frase: “O discurso humano é uma potência única, que se atualiza de quatro maneiras diversas: a poética, a retórica, a dialética e a analítica-lógica”.

O discurso poético trata do possível, a fim de traduzir uma impressão. O discurso retórico, do verossímil, para produzir uma decisão. O discurso dialético submete as crenças à prova, a fim de alcançar a mais provável. O discurso analítico parte das premissas admitidas pela dialética, a fim de chegar à demonstração certa.

3 – Conhecimento por presença: Trata-se da inversão da fórmula de Kant: “Há coisas que podemos pensar, mas não podemos conhecer”, afirmava Olavo de Carvalho. Ele acrescentava: “Há outras coisas que podemos conhecer, mas não podemos pensar”. Afinal, certas coisas são intuitivamente reconhecíveis, mas não podem ser transformadas em pensamento.

4 – Trauma da emergência da razão: Apesar de o ser humano nascer com a faculdade da razão, precisa aprender a exercê-la, dominando a linguagem. No entanto, até isso acontecer, ele já acumulou muitos traumas que precisam ser curados.

“A razão permite generalizar e resumir o conhecimento de forma a não ser necessário carregar imensa carga de memória. Ela obedece, então, a função prática de descarregar a memória. Também permite que se veja as coisas mais de longe: quando pensamos por conceitos, não temos todo o trabalho de recordar uma por uma as imagens dos objetos que lhes correspondem e, portanto, diminuímos a emoção, o impacto das imagens, que só são evocadas de longe e de leve, graças à rapidez com que passamos de um conceito a outro”, assinalava o filósofo.

5 – Doze camadas da personalidade: Olavo afirmava que o desenvolvimento do ser humano ao longo da vida passa por doze camadas. Aquela que você está determina a finalidade dos seus atos.

Camada 1: Tudo responsável pela manutenção da existência, como a respiração e a alimentação;

Camada 2: A integração com o que vem de fora, desde a hereditariedade até o temperamento;

Camada 3: O desenvolvimento do processo cognitivo e perceptivo;

Camada 4: O desenvolvimento afetivo, de modo que quem para nela fica sentimentalista e carente;

Camada 5: A individuação e autoconsciência;

Camada 6: A camada integrativa da sua aptidão e vocação;

Camada 7: O desempenho do seu papel social, de modo que os seus atos trazem benefício aos outros;

Camada 8: A síntese da sua personalidade;

Camada 9: O início da vida intelectual;

Camada 10: O desenvolvimento da personalidade moral ou eu transcendental;

Camada 11: Ser capaz de deixar a sua marca na história;

Camada 12: O destino final próprio aos santos; o encontro com Deus.

6 – Método de confissão: Consiste em admitir a existência de realidades que se impõem, mas você não tem domínio sobre elas, mas deve confessar exercer poder sobre você.

7 – Círculo de latência: Trata-se da rede das relações possíveis e da percepção da forma essencial de qualquer ser em torno da sua expressão. Nesta teoria, Carvalho explica a respeito da dedução das propriedades, possibilidades de ação e conjuntos de possibilidades de um ente.

Exemplo: um cachorro pode latir, mas não pode voar, diferentemente de um passarinho. Portanto, o círculo de latência de um cachorro se comprime em sua limitação natural da sua espécie.

8 – Exercício do necrológio: Apesar de não ser uma filosofia propriamente dita de Olavo de Carvalho, em seu Curso Online de Filosofia, o professor sugeria aos alunos que realizassem o exercício do necrológio, que consiste em escrever como se fossemos um amigo ou alguma outra pessoa íntima, capaz de apreender o conjunto da sua vida e narrar suas realizações mais relevantes.

O exercício busca expor suas aspirações práticas mais elevadas e, assim, sendo capaz de descrever as expressões mais efetivas e relevantes da sua vida.

– Natália Cruz Sulman é professora de filosofia (Recife/PE) e Fernando de Castro é jornalista, analista político e repórter do BSM (Recife/PE)

Brasil sem medo. 6.2.2022.

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