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Vodu: religião sinistra ou fé mal compreendida?

A verdade por trás de uma das crenças mais pouco ortodoxas do mundo

O Vodu traz na mente de muita gente imagens sinistras e desagradáveis de rituais estranhos que celebram os recém-falecidos e os mortos-vivos. Mas na verdade, o Vodu é uma visão de mundo que abrange filosofia, medicina e justiça. Sua reputação como uma religião macabra é em grande parte injusta. Porém, essa continua sendo uma fé pouco ortodoxa e incompreendida e, na maior parte das vezes, até secreta!

 Descubra as origens e histórias do Vodu!

Origens do vodu 

Alguns antropólogos estimam que as raízes do Vodu estejam no Benim — anteriormente Daomé — na África Ocidental, há 6.000 anos. A palavra Vodu significa “espírito” ou “divindade” na língua Fom do antigo reino africano de Daomé. 

Abraçando o Vodu 

Além do Benim, o Vodu também era praticado pelos povos Eué, Kabyé e Mina do sul e centro do Togo. Os Iorubás do sudoeste da Nigéria também abraçavam o Vodu.

Escravizados 

Vodu é uma religião tradicional afro-haitiana. O termo pode ser escrito de várias formas, como Vudu, Voodoo, Vodum, Vodou ou Vaudou em francês. A crença se originou com os escravizados que foram levados da África Ocidental para o Haiti (até então então chamado de Saint-Domingue) no século XVIII.

Vodu haitiano 

O Vodu Haitiano é um sincretismo (uma fusão de diferentes religiões, culturas ou escolas de pensamento) da religião Vodu da África Ocidental com o Catolicismo feito pelos descendentes dos daomés, congos, iorubás e outros grupos étnicos.

Revolução haitiana 

A Revolução Haitiana, efetivamente uma rebelião de escravos que ocorreu em 21 de agosto de 1791, foi uma insurreição bem sucedida feita por escravizados auto-libertados contra o domínio colonial francês em Saint-Domingue. Muitas pessoas que fugiram do derramamento de sangue chegaram à Louisiana, levando consigo o Vodu Haitiano. Mas a influência francesa na região ainda prevalecia.

René-Robert Cavelier (1643–1687) 

Em 1682, o explorador, colono e comerciante francês René-Robert Cavalier desceu o rio Mississipi até o Golfo do México, para reivindicar todo o vale como pertencente ao Rei Luís XIV da França e nomear toda a região como Louisiana.

Nova Orleans 

Muitos desses ex-escravos escolheram se estabelecer em Nova Orleans, que posteriormente se tornou o centro do Vodu em Louisiana.

Vodu da Louisiana 

Esta ilustração mostra um plantador da Louisiana mostrando um amuleto vodu para trabalhadores de plantações apreensivos em 1886. O Vodu de Louisiana tinha brancos entre seus participantes.

Marie Laveau (1801–1881) 

Sem dúvida, a praticante mais conhecida do Vodu de Louisiana foi Marie Laveau, uma herbalista e parteira que era renomada em Nova Orleans. Seu suposto túmulo é uma grande atração de visitantes. Outro dos praticantes mais proeminentes de meados do século XIX foi Jean Montanée ou “Dr. John”, um homem  negro  livre que vendia curas e outros materiais para vários clientes. Esta pintura de Laveau pode ser admirada no Museu do Estado da Louisiana em Nova Orleans.

Bondyé 

Vodu é uma visão de mundo que abrange filosofia, medicina, justiça e religião. Ele ensina uma crença em um ser supremo chamado Bondyé, o deus criador no Vodu Haitiano, também conhecido como Bonié ou o Grand Mèt.

Loá 

No Vodu haitiano, os Loás (também escrito Lwa) servem como intermediários entre a humanidade e Bondyé. Na foto está um dos símbolos religiosos únicos (conhecidos como vèvè ou vevê) usados para identificar cada Loá.

Os Guédé 

Os Loás da família Guédé (ou Guedé ou Guedê) estão associados com o reino dos mortos. O chefe da família é o Baron Samedi, ou “Barão Sábado”. Ele geralmente é retratado usando um chapéu e casaco preto.

Baron Samedi 

O Baron Samedi é conhecido pela perturbação, obscenidade, deboche e por ter um gosto particular por tabaco e rum. Além de ser o mestre dos mortos, o Baron Samedi também é um doador de vida e é por isso que os rituais de Vodu Haitianos incluem rezar em uma cruz — símbolo deste soberano haitiano — já que ele pode curar mortais de qualquer doença ou ferida… se ele assim desejar!

Templo vodu 

Rituais e cerimônias haitianas ocorrem num templo Vodu dedicado ou hounfour. Na foto está um houngans (sacerdote vodu masculino) parado do lado de fora de seu templo.

Rituais e cerimônias 

A posse espiritual constitui um elemento importante do Vodu Haitiano. As imagens dos adoradores aparentemente possuídos quando entram em  transe  são responsáveis por destacar o lado mais sombrio e ambíguo da religião. Aqui, uma moça participa de uma dança dedicada ao deus serpente, Dambalá.

Público caucasiano 

Esta gravura colorida remonta ao final do século XIX e mostra uma dança vodu acontecendo em uma casa de Nova Orleans. Note as pessoas brancas na plateia, testemunho do apelo interracial do Vodu de Louisiana.

Gris-gris 

Amuletos conhecidos como gris-gris, criados para prejudicar ou ajudar, são bastante presentes na cultura Vodu. Na foto está uma cruz de madeira cravada com pregos e encantos especiais. Apesar de sua aparência às vezes sinistra, gris-gris geralmente indicam um feitiço destinado a influenciar eventos, e não para causar danos corporais.

Poções e medicamentos 

Esta fotografia de 1955 mostra gris-gris em exibição no histórico Museu da Farmácia em Nova Orleans.

Alimentando o Loá 

Na imagem vemos uma reunião Vodu no Haiti, onde uma cabra é preparada como sacrifício para um Loá. Nutrir um Loá tem grande significado e ritos como estes são muitas vezes denominados manger-loá (“alimentando Loá”). O Vodu Haitiano ainda é amplamente praticado hoje: esta pintura remonta a 1992.

Ritual de banho 

Seguidores do Vodu Haitiano se banham numa piscina sagrada durante uma cerimônia de Vodu de Páscoa em Souvenance, um subúrbio de Gonaives, no Haiti, em abril de 2018.

Altar vodu 

O Vodu de Louisiana, entretanto, não faz sacrifícios, embora ainda seja possível encontrar altares como este onde oferendas são feitas para um Loá.

Boneco Vodu 

Embora o uso do termo “boneco vodu” sugira que a prática esteja ligada ao Vodu Haitiano ou ao Vodu de Louisiana, não é facilmente visto em nenhum deles. Em vez disso, o boneco é um dos aspectos mais sensacionalistas de uma religião muitas vezes incompreendida.

Museu Histórico Vodu de Nova Orleans 

Os visitantes de Nova Orleans podem ter uma melhor ideia da religião Vodu visitando a fascinante coleção abrigada no Museu Histórico Vodu de Nova Orleans.

Zumbis vodu 

A crença Vodu em zumbis e no sacrifício animal é real. Por exemplo, algumas pessoas em Porto Príncipe, capital do Haiti, acreditam que os corpos são desenterrados do cemitério da cidade e transformados em mortos-vivos.

‘Voodoo Man’ (1944) 

Hollywood há muito tempo capturou a imaginação dos cinéfilos com filmes temáticos em torno do vodu e do culto a zumbis.

‘Com 007 Viva e Deixe Morrer’ (1973) 

Lembra-se do Baron Samedi? O chefe da família Guédé ficou famoso na pele do ator Geoffrey Holder no filme de James Bond de 1973 ‘Com 007 Viva e Deixe Morrer’.

‘Coração Satânico’ (1987) 

‘Coração Satânico’ (1987), ambientado em Nova Orleans, conta a história de Harry Angel (Mickey Rourke) envolvido na adoração ao diabo e ao oculto, práticas certamente não representativas do Vodu de Louisiana ou do Haitiano.

Vodu na música 

Esta é a letra de ‘Voodoo Child’, escrita à mão por Jimi Hendrix e em exibição no Hendrix Flat, um apartamento em Londres onde o lendário cantor e compositor norte-americano viveu em 1968-69 e que foi restaurado como um museu pelo Handel House Trust.

‘Voodoo Lounge’ 

Em 1994, os Rolling Stones lançaram ‘Voodoo Lounge’ e posteriormente fizeram uma turnê mundial para promover o álbum. Para entrar no espírito da ocasião, Mick Jagger se vestiu como o Baron Samedi no palco.

Dr. John (1941–2019) 

O já citado Jean Montanée, ou “Dr. John”, foi encarnado pelo músico Malcolm John Rebennack Jr., que tem o nome artístico Dr. John e cujo álbum de estreia recebeu o nome de ‘Gris-Gris’.

Fontes: (Live Science) (BlackPast) (Britannica)

Notícias ao Minuto. 9.12.2021.

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