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Uma Filosofia que nos aproxima da realidade e nos transforma!

Por Liliam Beatris Kingerski

Em meio ao movimento que vivemos, o tempo se torna escasso. Entre as diversas atividades que a vida me impõe, luto para encontrar na agenda um tempo que possa chamar de “meu”.  E assim, busco a tranquilidade e inspirações para escrever!

Para mim,  escrever significa mais que palavras rabiscadas no papel, é uma viagem que me leva a conhecer histórias de mulheres, e para além disso, me proporciona sempre um encontro íntimo comigo mesma…vejo nas mulheres que leio e sobre as quais escrevo, um pouquinho de mim!

Fico a pensar: -Quantas vezes realmente prestamos atenção nas coisas simples que acontecem à nossa volta? Escrevo isso porque somos distraídos/as e por vezes não vemos nada, além das coisas que se repetem todos os dias; a realidade perde o encantamento e todo e qualquer ato parece não fazer mais sentido.

Confesso que os últimos dias não têm sido muito fáceis (até escrever tem se tornado difícil). Sinto que nos falta ainda um olhar mais atencioso e solidário sobre os fatos e sobre as pessoas que nos rodeiam, para não cair na monotonia cotidiana e ao mesmo tempo, perceber as realidades que nos cercam.

Dentre os vários papéis sociais que ocupo, sou a educadora que cada dia aprende mais com minhas e meus estudantes, as suas dificuldades e os seus sonhos…afinal, o conhecimento é construído por nós coletivamente e o afeto e a sensibilidade são essenciais para isso. Lembro Paulo Freire: “ninguém ensina nada a ninguém e ninguém aprende nada sozinho[1]”. Também sou a mulher, e mesmo não querendo, carrego o peso dos estereótipos com o qual este termo foi construído ao longo da história e de uma cultura opressora. Cultura que nos oprime todos os dias. Afinal, enquanto “mulher” somos educadas para cuidar dos outros, devemos fazer tantas coisas, mas quando cuidamos de nós mesmas? Quando somos nossa prioridade? Além de mulher, sou também mãe, e amo ser, mas não romantizo a maternidade, pois sei que ela muitas vezes faz com que nos deixemos de lado.

E pensando sobre estes fatos que me rodeiam, lembrei de uma live que acompanhei esses dias, na qual, descobri mais uma riqueza que por mim era  desconhecida e que hoje trago um pouquinho para vocês: A filósofa Yuriko Saito, nascida e criada na cidade de Sapporo, na capital de Hokkaido. Yuriko Saito é uma filósofa japonesa, professora nos Estados Unidos. É uma referência em Estética Ambiental, Estética do Cotidiano, Estética da Natureza e Estética Japonesa. Mais uma mulher que brota do silêncio!

Sempre que penso em Filosofia, considero que de nada adiantaria fazer uma filosofia, se esta não estivesse relacionada à vida.  Fazer Filosofia trata-se de refletir a respeito do sentido da existência, e para além, possibilitar ações e transformações. Ela é caminho que nos faz humanizar enquanto estamos em processo de conhecer.

Saito pensa numa filosofia a partir de fatos corriqueiros e ordinários da vida, de onde provém elementos estéticos que nos fazem pensar sobre questões referentes às nossas ações e atitudes. Para ela, a estética está no cotidiano, se encontra nos atos mais simples, é preciso enxergar a beleza nas experiências sensíveis, para além do que falamos que elas são, e além do que nossos olhos podem ver! A beleza está nas ações que nos envolve diariamente, está nas memórias, nas lembranças!

A filósofa não usa o termo “memória”, mas ela ressuscita o que há de mais singular nas nossas ações, as nossas sensibilidades…afinal, como as lembranças nos afetam, elas nos atravessam, nos fazem pensar e (re) viver! Me fez refletir que a estética nos traz lembranças… Como é bom sentir um cheiro e o aroma que nos lembram fatos ou pessoas…recordar é ser transportado para um outro tempo.

Me permito e me transporto para a minha infância! (ah, que saudade!)

Saito nos faz pensar a Estética de outra forma, e é mais uma mulher que usa da teoria para quebrar padrões. Pensar a estética para além dos museus e das obras de arte, pensar esteticamente as ações simples que nos tornam humanamente melhores… E assim, também refletir sobre a filosofia, que muitas vezes é vista como algo tão difícil de acessar, embora ela faça parte de nós.

A pensadora nos convida a pensar a Estética e a Ética em suas relações.  A arte é algo presente, e com função de criticar e conscientizar o ser humano sobre suas ações sobre o meio ambiente, o meio em que vivemos, sobre nós mesmos/as e a relação com o mundo. Esta mulher nos ajuda a perceber o mundo e a filosofia sob novas perspectivas, uma Filosofia feita a partir de elementos vivos.

A filósofa me fez pensar que a vida em seu movimento é um pensar filosófico…

Que a gente aprenda a viver esse movimento!


[1] FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 17.ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

Liliam Beatris Kingerski é professora de filosofia. Graduada em Filosofia, História e Sociologia, com pós-graduação em Política e Sociedade, História e Sociedade. Mestranda do programa PROF-FILO da UNESPAR. Pesquisadora da Filosofia Feminista, apaixonada por escritas de mulheres e Filosofia. Colunista do Factótum Cultural.

Os artigos publicados, por colunistas e articulistas, são de responsabilidade exclusiva dos autores, não representando, necessariamente, a opinião ou posicionamento do Factótum Cultural.

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