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Confira como ajudar alguém com depressão ou outro transtorno mental e os passos para reforçar a resiliência

Depressão: sintomas, diagnóstico, prevenção e tratamento | Veja Saúde

O psiquiatra e professor da UFSM Vitor Calegaro dá dicas

Às vezes, quando alguém está a frente de alguém com depressão, ansiedade ou outro transtorno mental, no impulso de querer ajudar, acaba usando frases que podem ter o efeito reverso. O psiquiatra e professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Vitor Calegaro identifica cinco delas que costumamos dizer e que não ajudam uma pessoa em sofrimento mental e aponta como elas poderiam ser ditas:

1) “Você precisa se ajudar!”

Normalmente, as pessoas em sofrimento já estão fazendo um esforço para fazer o que é possível para melhorar, mas não estão conseguindo lidar sozinhas. Nesse caso, está indicado o atendimento profissional de um psicólogo ou psiquiatra.

Saída: “Você precisa de ajuda”

“Pare de pensar nisso, e vamos mudar de assunto”

Transtornos de ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático, depressão, entre outros, andam junto com pensamentos negativos involuntários, sentimentos de culpa e lembranças que se repetem. Não que se deva falar somente sobre isso, mas em algum momento as pessoas precisam expressar os seus sentimentos. Apenas ouça e forneça apoio, sem julgamento.

Saída: “Estou te entendendo”

2) “Isso vai passar”

Com tratamento, as coisas melhoram. Mas ao natural, sem intervenção, não sabemos se a depressão, o estresse pós-traumático e a ansiedade irão mesmo passar, nem quando isso acontecerá. Aqui, se fala de transtornos mentais, não da tristeza e da ansiedade normais que ocorrem pontualmente. Ao dizer isso, a pessoa costuma se sentir incompreendida, e deixa de falar para não levar preocupação aos outros, então se fecha em seu sofrimento.

Saída: “Saiba que te amo e que estou contigo”

3) “Você deve fazer isso, aquilo e aquele outro. No seu lugar eu faria…”

A outra pessoa não é você. Para quem está em depressão, cada sugestão pode ser sentida como um julgamento e ter o peso de uma cobrança que a pessoa pode não conseguir cumprir, piorando ainda mais a autoestima. Em vez de tomar o assunto e dar conselhos, procure apenas ouvir e demonstrar compreensão. Algumas sugestões de hábitos saudáveis como exercícios físicos e atividades de lazer são válidas, e você pode convidar o outro para praticar junto. Mas entenda que se você forçar a barra, o outro pode se sentir mais culpado por não conseguir e se afastar.

Saída: “Você pode contar comigo se quiser conversar, ou se estiver disposto a fazer algo junto”

4) “Mas também, olha o que você fez… Você devia ter feito…”

Aquele que tem estresse pós-traumático, transtornos de ansiedade, depressão, passa muito tempo pensando sobre o passado, sobre o que fez e o que devia ter sido feito. De críticas e julgamentos já bastam os da própria pessoa. Ouvir na voz de outra aquelas coisas que ela já se culpa ou por ter feito, ou por não ter conseguido fazer, dói muito, e ajuda a reforçar crenças negativas distorcidas, como sentir-se culpado por um acidente. Procure não emitir julgamento. Saiba que cada um faz apenas o que consegue. Não somos robôs com uma programação infalível, somos humanos e imperfeitos.

Saída: “Você fez o que podia”

Para reforçar a resiliência

Segundo o psiquiatra Vitor Calegaro, professor da UFSM e coordenador do projeto COVIDPsiq, a pandemia trouxe uma série de impactos às pessoas, como a solidão (pelo distanciamento social), o tédio (pelo afastamento das atividades que costumávamos realizar), os problemas financeiros (dívidas e desemprego) e a sobrecarga de trabalho (que se soma aos afazeres domésticos). Ele sugere que reforçar a resiliência pode ajudar a evitar os transtornos mentais. As recomendações são embasadas em diversos estudos sobre a resiliência em desastres, incluindo a experiência a partir do incêndio da boate Kiss, e são da tese de doutorado de Calegaro.

Confira as dicas

1) Mantenha o corpo sadio

Tenha hábitos saudáveis e pratique exercícios físicos. As pessoas que praticam exercícios tendem a ser mais resilientes. Consuma produtos naturais. Evite o consumo de substâncias, lícitas ou ilícitas. Não deixe de fazer os tratamentos médicos em razão da pandemia.

2) Respeite os seus ritmos

É preciso organizar a rotina, inclusive, para as atividades de lazer. Temos os ritmos biológicos, como a alimentação, o sono, o ciclo menstrual e o sexo, que exigem um determinado tempo para cada atividade. Também existem os ritmos sociais, como finais de semana e períodos de férias. Não se deve trocar a noite pelo dia, por exemplo.

3) Foque em emoções e pensamentos positivos – reconhecer as emoções

Pare. Relaxe. Contemple. Pode ser feito em qualquer lugar, basta estar atento ao que está ocorrendo no presente, dentro e fora de si. As nossas emoções colorem as experiências. Os pensamentos dão significado a elas. Foque nas emoções positivas. Lembre-se que tudo tem dois lados, procure ver o lado bom, mesmo nas experiências mais difíceis. Tudo passa. Evite as distorções de pensamentos: leitura mental (“eu sei o que estão pensando de mim”), generalização (“vai dar tudo errado, sempre”), catastrofização (“se eu pegar aquele avião, ele vai cair”) e culpabilização (“foi tudo culpa minha”).

4) Tenha um propósito de vida

Propósito é algo mais do que ter objetivos. Se ainda não há um propósito definido na vida, invente, tente, tenha sonhos e metas claras e realistas. Se errar, aceite os erros e procure acertar na próxima vez. Planeje e execute as ações porque ninguém fará por você. É preciso ter iniciativa e persistência.

5) Cultive relacionamentos saudáveis

É preciso ser tolerante e empático. Procure perceber as necessidades dos outros. Evite julgar. Conheça pessoas diferentes. Tenha compaixão e tolerância. Livre-se de relacionamentos tóxicos. Não se isole e amplie as suas relações.

6) Invista em recursos internos

Tenha uma mente limpa, ativa, atenta e preparada. Alimente o cérebro, desenvolva habilidades, evite a sobrecarga de informações, restrinja o uso do celular, limite o uso das redes sociais, invista em conhecimento e prepare-se para as adversidades da vida, mesmo que elas não ocorram.

7) Aceite e agradeça

Viva um dia depois do outro. Agradeça por quem você é, não se recrimine por não ser tão amado como gostaria, aceite os seus defeitos, mas conheça as suas qualidades, aceite o que não pode ser mudado e mude o que é possível. Você é único e especial. Em algum momento, é preciso aceitar e seguir adiante. O passado é uma memória e do futuro nada sabemos. Viva o momento presente, que é o único que existe. Quando houver perdas, agradeça pelo que ainda tem.

8) Acredite

As crenças nos ajudam a dar sentido à vida e dão suporte, pois nem tudo é compreendido pela razão. Você pode ter fé numa religião e é preciso ter tolerância com as crenças diferentes. Cada um tem razão para acreditar. Ter uma crença dará força para suportar. Nem toda a crença ajuda, algumas até pioram a situação. Então, como saber se a sua fé te ajuda? Quando ela te dá paz.

GZH Saúde. 5.3.2021.

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