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Racismo no Brasil é estrutural, dizem senadores em Dia contra a Discriminação

Autor do Estatuto da Igualdade Racial, Paulo Paim afirma o 21 de Março é uma data de luta para reacender o pacto contra qualquer tipo de discriminação
Fonte: Agência Senado

Nesse domingo (21) o mundo celebrou o Dia Internacional contra a Discriminação Racial, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) contra práticas racistas ainda adotadas em diversas partes do globo. O dia 21 de março foi escolhido em alusão ao massacre de Sharpeville, ocorrido em 1960, quando o governo racista da África do Sul matou 69 manifestantes que protestavam pacificamente em Sharpeville, bairro negro da província de Gautung, que fica a 50 quilômetros de Joanesburgo, maior cidade do país. O protesto era contra a Lei do Passe, um documento governamental que limitava e impedia o deslocamento de pessoas negras por diversas partes do território sul-africano. A polícia atirou a esmo, deixando 69 mortos e 186 feridos.

Racismo estrutural

Em entrevista à Agência Senado, o senador Paulo Paim (PT-RS), autor do Estatuto da Igualdade Racial (Lei 12.288, de 2010), ressaltou que, infelizmente, práticas racistas permanecem diariamente em todo o mundo. O impacto, disse, é ainda maior no Brasil, país marcado pelo racismo estrutural em suas origens, com consequências que perduram fortemente até os dias atuais.

— O 21 de Março é uma data de luta para reacendermos o pacto contra qualquer tipo de discriminação. A população negra é a que mais sofre em todas as situações. Hoje vivemos uma pandemia mundial e o Brasil, infelizmente, mergulha no caos. Então, neste momento, precisamos do auxilio emergencial, de regulamentar a lei básica de cidadania, de retomar a política de valorização do salário mínimo, e é fundamental vacina para todos — afirmou.

Outros senadores também se manifestaram no Twitter sobre o Dia Mundial contra o Racismo e o racismo estrutural no Brasil. Um deles foi Romário (Podemos-RJ).

“O massacre de Sharpeville, que nos parece distante, nos faz lembrar que ainda hoje é perigoso ser preto. São os jovens negros que mais morrem de morte violenta, são as pessoas negras que seguem nos piores índices sociais de moradia, emprego e renda. Temos um país fundado sobre o racismo, que escravizou pessoas por quase quatro séculos e se recusa a olhar no espelho, e reconhecer que precisamos combater o preconceito com atitudes ativas. Reconhecendo estes abismos sociais e atuando para mudarmos o quadro. Porque o quadro não vai mudar sozinho, deixar de falar não fará o racismo desaparecer”, afirma

A senadora Zenaide Maia (Pros-RN) foi outra que reiterou que o racismo está longe de ser superado no Brasil.

“O dia de hoje é também uma data para reivindicar as políticas urgentes para a sobrevivência de quem constitui a base da nossa pirâmide da desigualdade. Auxílio emergencial de R$ 600 até o fim da pandemia e vacina já para todos! Vidas negras importam!”, reivindicou.

Os senadores petistas Paulo Rocha (PA) e Rogério Carvalho (SE) também lembraram o Dia Internacional contra a Discriminação Racial como “uma importante data que reforça a luta contra o preconceito racial em todo o mundo”. Paulo Rocha acrescentou que no dia 11 o Senado aprovou projeto de resolução que institui a Frente Parlamentar Mista Antirracismo (PRS 17/2021). O fórum servirá para que o Parlamento se aprofunde na busca de soluções para superar o racismo estrutural no Brasil.

Fonte: Agência Senado. 22.3.2020.

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