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Como impedir que a infelicidade profissional afete a sua saúde mental?

Por Bruna Cosenza

Unsplash

A Bruna de 2016 gostaria de ter lido um conteúdo como esse. Por isso, estou escrevendo para pessoas que hoje podem estar passando pelo o que passei anos atrás.

Para você entender sobre o que estou falando, vou te contar bem resumidamente o que estava acontecendo em 2016. A Bruna dessa época era CLT em uma agência de publicidade muito renomada no mercado, mas não fazia muita ideia do que estava fazendo.

Ela apenas seguia o fluxo e dava mais uma chance para o mundo publicitário tradicional.

Em alguns meses, se deu conta de que aquilo não era mesmo para ela. A frustração e angústia começaram a tomar conta do seu ser por inteiro, mas abandonar o emprego sem ter nenhum plano não era uma opção. Ela tinha medo, se sentia insegura e completamente perdida. Nessa altura, a sua saúde mental começou a se comprometer.

Crises de choro, ansiedade e estresse excessivos marcavam o seu dia a dia. A falta de experiência para lidar com a insatisfação profissional começou a afetar o seu psicológico. A Bruna se sentia sufocada e presa no fundo do poço naquela época. E o pior: se sentia completamente sozinha.

Ao seu redor, as pessoas só diziam que ela precisava aguentar firme, segurar as pontas. Largar tudo não era uma opção, ela sabia disso. Mesmo assim, não era isso o que precisava ouvir quando desabafava com alguém.

Como alguns de vocês já sabem, depois de um tempo consegui fazer a minha transição e dei uma chance para o marketing no terceiro setor. Não saiu bem como eu imaginava, mas ao menos estava mudando ao ares.

A diferença entre a primeira e a segunda crise profissional

Passei por dois pontos de alta insatisfação profissional na minha carreira. O primeiro foi quando estava nessa agência, em 2016, me sentindo completamente perdida e sem rumo. O segundo foi entre 2018 e 2019, quando me dei conta de que o marketing do terceiro setor também não era o meu lugar.

O que mudou entre um momento e outro foi como lidei com a situação. No primeiro caso, permiti que toda a angústia tomasse conta de mim. Eu me lembro (apesar de não gostar de me lembrar) da sensação ruim que me dominava todos os dias. Aquele lugar me sufocava. Não gostava do dia a dia, da cultura, do formato de trabalho… Nada me fazia bem ali.

O problema é que eu era muito imatura e não sabia lidar com a situação com inteligência. Chegou um momento em que parei de raciocinar e só focava nas emoções ruins que aquele trabalho me causava.

Isso não era bom para mim, para o meu time, para a empresa. Permitir que essa angústia te domine é tudo o que você não pode deixar acontecer, pois ela vai te derrubar.

Já na minha segunda crise, estava muito mais madura e preparada para lidar com tudo aquilo. O ambiente também não me fazia bem, não gostava da minha rotina, das minhas funções e sabia que não ficaria ali por muito tempo.

No entanto, eu não permitia que tudo aquilo me jogasse para o chão. A minha postura era superior, do tipo: sei que esse lugar não é para mim, mas tudo bem, não vou deixar isso me abalar psicologicamente. Vou criar barreiras, fazer o meu trabalho e procurar novos caminhos.

Isso foi essencial para permanecer viva e saudável no período em que trabalhei lá.

O que pode acontecer quando você não cria barreiras?

Em 2016, vivi na pele as consequências de não criar essas barreiras, mas em 2019 foi tudo diferente. Enquanto eu estava conseguindo segurar as pontas, vi uma amiga desmoronando. Ela estava infeliz também e por ser a sua primeira experiência tão forte de insatisfação profissional, ela não sabia muito bem como lidar com a situação.

Acabou permitindo que o trabalho e toda aquela angústia a dominassem por completo. Foi triste vê-la passar dias sem comer e dormir direito por conta da ansiedade. Tentei alertar algumas vezes, mas ela parecia um pouco submersa naquele contexto tóxico.

Meses depois, nós duas já tínhamos saído daquela empresa e, então, conversamos sobre como ela permitiu que a sua insatisfação a dominasse por completo. Comentei que me senti dessa forma em 2016, mas naquela segunda crise já consegui lidar melhor com a situação.

Tive esse insight durante essa conversa. Foi aí que me dei conta de que tinha amadurecido muito depois da minha crise em 2016. Sem me dar conta, aprendi a lidar com a situação de uma maneira muito mais saudável.

Em 2018, eu não queria mais perder os trilhos e abalar a minha saúde mental por conta de um emprego que não fazia sentido para mim. Não queria e nem iria dar esse poder àquele emprego.

Criar essas barreiras e saber deixar os problemas do trabalho no trabalho foi muito importante para evoluir nesse sentido e estabelecer alguns limites. Tenho certeza de que a minha amiga também lidaria muito melhor com uma segunda crise, pois aprendeu bastante com tudo o que rolou naquela época.

Sempre coloque a sua saúde em primeiro lugar

Crises e momentos difíceis nos ajudam a ganhar “casca”. A gente vai ficando mais calejado e preparado para os desafios do futuro. Passar por uma insatisfação profissional pela primeira vez é atordoante. A sensação de falta de pertencimento é devastadora. Parece que você é a única pessoa no mundo se sentindo assim.

Se você estiver passando por isso ou conhecer alguém que possa estar enfrentando uma situação assim, tome cuidado. Não permita que os conflitos internos causados por questões externas te carreguem para o fundo do poço. Sei que é difícil, mas olhar a situação a partir uma perspectiva menos pessimista é essencial.

Em 2016, a Bruna só pensava que estava presa àquele ambiente e seria infeliz pelo resto da vida. Já a Bruna de 2018, apesar de também não saber qual seria o seu próximo passo, tinha consciência de que não ficaria naquele lugar para sempre. Para as coisas ao nosso redor mudarem, primeiro precisamos mudar a nossa postura.

Sei que não é fácil encarar essas turbulências, ainda mais no começo da carreira, mas acredito que conversar sobre o assunto, procurar ajuda e ler relatos como esse são ações que podem ajudar.

Assumir uma postura menos nociva e mais otimista é o primeiro passo para impedir que tudo aquilo que te faz mal não tome conta do seu ser por inteiro.

Por fim, quero finalizar este artigo com algumas dicas para quem está se sentindo sufocado, ansioso e angustiado com a sua vida profissional. Foram ações que me ajudaram a não me afogar em momentos assim:

  • Fazer uma coisa fora da rotina por semana — isso me ajudava a espairecer a mente e ter momento felizes;
  • Praticar atividades físicas — eu me encontrei no yoga, uma prática que me ajudou mentalmente também;
  • Criar uma barreira entre vida pessoal e profissional — quando sair do escritório, não se permita continuar respondendo e-mails e mensagens, se desligue totalmente;
  • Conversar com ex-colegas de trabalho sobre carreira para ampliar minhas perspectivas;
  • Evitar ruminar pensamentos negativos e pessimistas;
  • Agradecer pela pequenas alegrias do dia a dia;
  • Fazer terapia — isso aqui eu não fiz, mas tenho certeza de que se tivesse feito, teria ajudado muito.

Escrevi este artigo na esperança de que Brunas de 2016 possam se sentir abraçadas e acolhidas. Vocês não estão sozinhas.

Artigo publicado originalmente em parapreencher.com.

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Aproveite e me siga no Instagram em @bruna_cosenza.


Bruna Cosenza

Sou escritora e produtora de conteúdo freelancer. Criadora doPara Preenchere autora do romance “Lola & Benjamin“, o meu objetivo é inspirar as pessoas a tornarem seus sonhos reais para que tenham uma vida mais significativa. Em 2019, o LinkedIn me elegeu uma das brasileiras mais influentes da rede em sua lista de Top Voices.

Se quiser se desenvolver comigo, confira o meu portfólio de cursos onlineebooks e a minha consultoria personalizada para produção de conteúdo no LinkedIn.

Linkedin. 13.10.2020.

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Um Amante do Conhecimento e com o desejo de levá-lo aos Confins da Galáxia !!!

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