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Nossos direitos vêm

Por Wagner Dias Ferreira

Nossos direitos vêm

Mais recentemente, quando atuei num júri onde os fatos apurados aconteceram na comunidade Fábio Alves, sediada no Barreiro, em Belo Horizonte, veio-me forte a memória do amigo e mestre professor Fábio Alves dos Santos.

Meu primeiro contato com ele aconteceu quando eu, estudante de Direito na UFMG,  ainda atuava na Pastoral Universitária da Arquidiocese de Belo Horizonte, e ele, professor de cultura religiosa na PUC Minas, participou de uma de nossas atividades conduzindo um trabalho de espiritualidade, sempre buscando engajamento social comprometido com os pobres.

Um ano depois, fui selecionado para ser estagiário de Direito na Comissão Pastoral de Direitos Humanos da Arquidiocese de Belo Horizonte. E na mesma semana em que o professor Fábio foi designado pela PUC Minas, a pedido de Dom Serafim, para atuar como advogado da Pastoral de Direitos Humanos. Aquelas coincidências da vida que reforçam a fé de qualquer pessoa. Nesta ocasião, a minha.

Muitos casos passaram por nós nos dois anos em que trabalhamos juntos. Processo indenizatório contra a empresa de cimento Soeicon que resultou em acordo. A resistência de dona Geralda no PTB enfrentando a empresa H Assunção. O acompanhamento da instalação da Vila Padre Dionízio. Foi numa das reuniões da Vila Padre Dionízio que ouvi pela primeira vez o prof. Fábio entoar, ensinar e cantar coletivamente o refrão:

Nossos direitos vêm, nossos direitos vêm, se não vêm nossos direitos o Brasil perde também.

Esse refrão mostra claramente como todos nós devemos estar atentos à promoção dos direitos humanos. Cada vez que um ser humano sofre, toda a humanidade sofre.

Quando Jesus esclareceu aos seus discípulos o que era e quem era o próximo a ser amado deixou bem claro que o homem que foi vítima dos salteadores poderia ser qualquer um. Portanto, estava ali representada toda a humanidade.

O refrão aprendido com o prof. Fábio Alves expressa bem este conceito de que se algum ser humano tem seus direitos diminuídos, toda a humanidade tem seus direitos diminuídos.

É algo como ficar ao lado daquele homem agredido pelos salteadores e que na parábola de Jesus é o próximo do samaritano, que exerceu sobre ele misericórdia. Aí reside o verdadeiro sentimento de todos que operam com a Justiça.

Buscar a justiça nada mais é que ficar ao lado daqueles que estão desfavorecidos.

A lembrança do prof. Fábio Alves é sempre uma memória de misericórdia e solidariedade com os desfavorecidos. E por isso é uma lembrança que sempre aviva o espírito de compromisso e engajamento para pelejar em busca da justiça e de um melhor funcionamento do judiciário.

A cada vitória onde o direito vem, o advogado é tomado por uma forte alegria, porque é como uma gota d’água para amenizar a sede de justiça no deserto que vivemos.

Nossos direitos vêm, nossos direitos vêm, se não vêm nossos direitos o Brasil perde também.

Que muito rapidamente o Brasil pare de perder, e permita a chegada dos direitos.

Obrigado, Fábio!

Advogado especialista em Direito Criminal e do Trabalho.

Os artigos publicados, por colunistas e articulistas, são de responsabilidade exclusiva dos autores, não representando, necessariamente, a opinião ou posicionamento do Factótum Cultural.

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