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Aquilo que não me mata, só me fortalece

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Eventos devastadores podem ser um gatilho para problemas como depressão e ansiedade. Pesquisadores estimam que 75% das pessoas vivenciam alguma forma de trauma ao longo da vida, como a perda e o sofrimento de um ente querido, de um animal amado, o diagnóstico de uma doença grave, a dor de um divórcio ou separação, um acidente, uma traição, vivenciar uma injustiça e uma ingratidão… A “nova linha” da psicologia, o chamado “crescimento pós-traumático”, reconhece que há o outro lado. A dor também pode representar novas e boas perspectivas.

“Após um transtorno na minha carreira profissional em março de 2018, fui acometido por uma crise de ansiedade e depressão que durou vários meses. Sofria de insônia. Minha saúde ficou em péssimas condições. Perdi bastante peso. Solicitei licença do trabalho. Não saía de casa. E quando saía, tinha receio de encontrar conhecidos. Tive síndrome do pânico e vontade de tirar a minha própria vida. Sentia uma tristeza imensa e chorava bastante. Tomei remédios. A melancolia, a aflição, a dor e o sofrimento me consumiam. Não havia alegria. Não havia riso. Não havia gozo da vida. Não havia flores. Tudo estava sem sabor, sem cheiro e sem cor. Deitado na cama, eu remoía as dolorosas e impiedosas palavras ditas pelas “hordas bárbaras das redes sociais”. Aquelas palavras me cortavam, flagelavam, açoitavam, castigavam e puniam. Além disso, em algumas noites agônicas apareciam as Fúrias, pequenas criaturas diabólicas, que sobrevoavam a minha cama. Apontavam os dedos. Acusavam. Gritavam. Xingavam. Colavam Cartazes na porta, no teto e em todas paredes do quarto. Elas riam e debochavam do meu medo”.

Esse breve e angustiante relato revela a epidemia de depressão que já atinge praticamente 10% da população mundial, com tendência forte de crescimento para os próximos anos. Para muitos especialistas da área médica, a depressão já pode ser considerada o mal do século XXI.

Traumas podem trazer mudanças positivas?

Em coluna do jornal britânico Daily Mail, o professor Stephen Joseph discorre se, de fato, traumas podem trazer mudanças positivas.

Stephen Joseph é co-diretor do Centro de Trauma, Resiliência e Crescimento da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, e esteve envolvido em pesquisas ligadas aos sobreviventes de um dos mais impactantes desastres marítimos do século passado.

O acidente com a balsa Herald Of Free

O acidente com a balsa Herald Of Free, na Bélgica, em 1987, deixou 193 mortos. Alguns meses depois, os advogados dos sobreviventes entraram em contato com o Instituto de Psiquiatria de Londres, pedindo ajuda.

O professor observou que, imediatamente após o desastre, os níveis de sofrimento psicológico estavam altos e muitos sobreviventes desenvolveram desordens pós-traumáticas: memórias angustiantes, pesadelos, dificuldades para dormir e de concentração.

Como já era de se esperar, muitos lutaram para lidar com isso, e viram seu trabalho e suas relações serem impactadas.

Três anos depois, a Universidade aplicou uma pesquisa de acompanhamento. Os níveis de sofrimento psicológico tinham baixado, embora muitos deles ainda tivessem um longo caminho para se recuperar.

Além disso, durante o estudo, muitas coisas inesperadas aconteceram, segundo relata o professor. Ele percebeu que muitos sobreviventes falavam sobre mudanças positivas em suas vidas: o trauma ofereceu uma nova perspectiva. Explorando isso, os pesquisadores envolvidos adicionaram uma nova questão ao questionário: “sua visão sobre a vida mudou depois do desastre – e, se sim, mudou de forma positiva ou negativa?”

Os resultados foram surpreendentes, segundo relata o especialista. Embora 46% dissessem que a visão sobre a vida tinha mudado para pior, 43% afirmaram ter mudado para melhor.

O lado positivo do trauma

A partir destes resultados, o pesquisador começou a olhar para o lado bom do trauma. Joseph explica que a maioria das pessoas, durante a vida, não vivem sabiamente, com a responsabilidade, compaixão e maturidade que poderiam executar. E o trauma serve como uma alerta para que elas reflitam sobre isso.

O 11 de Setembro

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Por exemplo, essas mudanças foram encontradas em pessoas que presenciaram o ataque terrorista de 11 de setembro.

Um estudo com 1.382 adultos mostrou que aproximadamente 60% relataram benefícios, muitos deles relacionados aos laços com familiares e amigos, que foram reforçados. Estudos similares foram feitos com pessoas que vivenciaram o ataque em Madri, em março de 2004, quando uma bomba explodiu em um trem.

Outra pesquisa mostrou benefícios entre pessoas que sofreram problemas médicos traumáticos como câncer de mama e ataques cardíacos.

O estudo sobre crescimento pós-traumático

Segundo explica o pesquisador de Nottingham, o estudo sobre crescimento pós-traumático é um recente campo de estudo na psicologia. Mas as descobertas já existentes são intrigantes.

Especialistas da área mostram que as pessoas podem crescer por meio da dor.

Por fim, “passar pela dor e reprocessá-la transforma a vida numa grande e positiva aventura. Quando você consegue se sair bem de situações complicadas, ganha em aprendizados e pode se reinventar totalmente pela via positiva”.

Por José Silveira. Obvious.

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Um Amante do Conhecimento e com o desejo de levá-lo aos Confins da Galáxia !!!

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