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Pessoas criam fake news de acordo com suas crenças, diz estudo

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Em pesquisa realizada nos EUA, voluntários se lembraram dos dados de acordo com suas crenças mesmo quando se informaram corretamente (Foto: Flickr/Lewis Ogden/Creative Commons)

Em pesquisa realizada nos EUA, voluntários se lembraram dos dados de acordo com o que acreditavam – mesmo quando se informaram corretamente

Em tempos de fake news, é importante ter a certeza de que nos informamos em fontes confiáveis — e de que lembramos corretamente das notícias. Um novo estudo constatou que as pessoas que citam estatísticas sobre um assunto polêmico tendem a se lembrar dos dados de acordo com suas crenças — ou seja, nem sempre a verdade.

A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, e publicada no periódico científico Human Communication Research. “As pessoas podem gerar sua própria desinformação. Nem tudo vem de fontes externas”, disse Jason Coronel, líder do estudo, em comunicado.

Para chegar a essa conclusão, a equipe de Coronel realizou duas análises. Na primeira, um grupo de 110 participantes teve de ler breves descrições sobre quatro questões sociais diferentes, todas com informações numéricas.

Em uma das situações, o assunto foi a quantidade de mexicanos que viviam nos Estados Unidos entre 2007 e 2014. Segundo os pesquisadores, a maior parte das pessoas acredita que essa população cresceu, quando, na verdade, caiu de 12,8 milhões para 11,7 milhões no período.

Quando os voluntários foram convidados a anotar esses dados após as leituras, eles relacionaram as informações de acordo com suas crenças. Isto é, os participantes tinham muito mais probabilidade de se lembrar dos números de uma maneira que concordasse com seus pensamentos, mesmo que não fossem o fato verdadeiro. 

“Tivemos casos em que os participantes obtiveram os números exatamente corretos, mas invertidos”, contou Coronel. “Eles não estavam inventando, pois acertaram os números. Mas seus preconceitos estavam levando-os a se lembrar dos dados da forma em que acreditavam.”

Os especialistas ainda utilizaram aparelhos que rastreiam o movimento dos olhos durante a leitura para analisar como as pessoas estavam lendo os textos. “Você pensaria que, se os participantes prestassem mais atenção aos números contrários às suas expectativas, se lembrariam melhor deles. Mas não foi isso que observamos”, pontuou o especialista.

Ele ainda ressaltou que as pessoas provavelmente não fazem isso de propósito, mas o fenômeno é perigoso. “O problema se torna maior quando eles compartilham sua desinformação com os outros”.

Isso foi observado no segundo estudo, em que os cientistas investigaram como essas distorções poderiam se espalhar, tornando-se ainda mais diferentes da verdade. Para testar isso, os pesquisadores pegaram os resultados dos voluntários e os repassaram para outros participantes, que repassaram para outros e assim em diante.

Os resultados mostraram que, em média, a primeira pessoa inverteu os dados, dizendo que o número de imigrantes mexicanos aumentou ao invés de diminuir. No fim da cadeia de voluntários, os participantes acreditavam, em média, que o número havia aumentado 4,6 milhões entre 2007 e 2014, quando diminuiu 1,1 milhão. “Esses erros de memória tendem a ficar cada vez maiores à medida que são transmitidos entre as pessoas”, disse Matthew Sweitzer, outro autor do artigo.

Para os especialistas, isso indica que devemos prestar atenção nas informações que absorvemos e reproduzimos, e não apenas onde as consumimos. “Precisamos perceber que fontes internas de desinformação podem ser tanto ou mais significativas que as externas”, lembrou a especialista Shannon Poulsen. “Vivemos com nossos preconceitos o dia todo, mas só entramos em contato com informações falsas ocasionalmente.”

Revista Galileu. 15.11.2019.

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