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‘Todos somos Coringa’, diz sociólogo citando sociedade excludente

O ator Joaquin Phoenix foi mundialmente aclamado pela interpretação em 'Coringa'
O ator Joaquin Phoenix foi mundialmente aclamado pela interpretação em ‘Coringa’ (Warner Bros/Divulgação)

As milhões de pessoas que se fantasiam com a máscara do ‘Coringa’ são parte de uma sociedade que os marginaliza e se tornam então elementos destrutivos e sem horizontes

Pelo mundo afora, na Bolívia, Líbano, Hong Kong, Chile, multidões se maquiam com a máscara de palhaço de um comediante fracassado, Arthur Fleck, excluído e solitário, símbolo do esquecimento que o faz enlouquecer e tornar-se um anti-social agressivo nas ruas de Gotham City, Nova York. 

Esses milhões que saem à rua pelo mundo afora se identificam com o personagem Coringa e usam sua máscara. São parte de uma sociedade que os marginaliza e se tornam então elementos destrutivos e sem horizontes. Sua situação é real, os “condenados da terra” (Frantz Fanon), sua rebeldia anarquicamente sem propósitos, a não ser protestar e destruir. Com isso podem ser usados pelo poder, pois não representam um desafio social ou político concreto, apenas uma rebeldia anônima e desorientada a ser enfrentada violentamente pelas forças da “ordem”. 

O filme com esse nome, “Coringa, é uma denúncia vigorosa a essa sociedade excludente e fica ali, sem abrir perspectivas. Serve para fazer pensar. Daí sua importância. Mas não vai além do destrutivo. Deixa o desafio: como entrar em diálogo com esse número enorme de coringas que ocupam nossas cidades” escreve Luiz Alberto Gomez de Souza, sociólogo. 

O desafio para as forças progressistas é, então, partir de uma situação anti-social real e trágica. Dali haveria de descobrir perspectivas concretas de superação de um sistema cruel, ele sim, estruturalmente violento. Seria fundamental dar um sentido construtivo a uma rebeldia sem horizontes. Isso só será possível, para começar, entrando em sintonia profunda com esse protesto verdadeiro e cego e abrir logo perspectivas sociais e políticas subversivas para os milhões de coringas marginalizados. Seria importante desenvolver uma pedagogia de diálogo a partir da exclusão e tentar fazer cidadãos inclusivos os que até então são postos à margem pelo sistema, este último nas mãos de uma minoria poderosa e egoísta de privilegiados.


Instituto Humanitas Unisinos. Dom Total. 16.11.2019.

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