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Países no topo do Pisa dão aos alunos oportunidades iguais e valorizam professores, diz analista da OCDE

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Brasil está estagnado entre os países com pior nível de aprendizado básico

Programa Internacional de Avaliação de Estudantes foi aplicado a 79 países e regiões do mundo; Brasil segue abaixo dos índices básicos em ciência, matemática e leitura.

Os países que lideram o ranking mundial da educação, de acordo com o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), investem na valorização de professores e em ações para diminuir a desigualdade entre alunos e escolas.

A análise é da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), responsável pelo teste. E as estratégias, se replicadas por aqui, poderiam ajudar o Brasil a melhorar o índice nacional, avalia Camila de Moraes, analista de educação da entidade.

“Países têm estratégias diferentes para melhorar seus sistemas de educação. Porém, podemos observar alguns pontos em comum entre os países com melhor desempenho no Pisa, entre eles estão uma maior equidade entre alunos e escolas de níveis socioeconômicos diferentes e a valorização da carreira docente.” – Camila de Moraes, da OCDE

O Pisa é aplicado a cada três anos e avalia a aprendizagem em leitura, matemática e ciência. Os resultados do Pisa 2018 para o Brasil indicam que 68% dos estudantes de 15 anos não sabem o básico de matemática; 55,3% apresentam baixo desempenho em ciência e 50,1% têm baixo desempenho em leitura.

Comparativo Brasil x melhores do Pisa 2018

Já entre os 13 países que se revezaram no “top 10” da edição mais recente do Pisa, apenas uma minoria de estudantes ocupam a escala mais baixa de proficiência. Eles também estão bem acima do Brasil em relação a outras variáveis, como investimento por aluno e salário dos professores.

Relatório do Pisa 2018 comparou o total acumulado de investimento por aluno dos 6 aos 15 anos de idade — Foto: Ana Carolina Moreno/G1
Relatório do Pisa 2018 comparou o total acumulado de investimento por aluno dos 6 aos 15 anos de idade — Foto: Ana Carolina Moreno/G1
Relatório do Pisa 2018 comparou o total acumulado de investimento por aluno dos 6 aos 15 anos de idade — Foto: Ana Carolina Moreno/G1

Além disso, boa parte deles apresentou menor variação entre as notas médias dos alunos mais pobres e as dos mais ricos.

Equidade

Um dos pontos do relatório da OCDE é a variação de desempenho entre estudantes de diferentes escolas e regiões do país. Reduzir a desigualdade entre elas seria uma das estratégias para melhorar a educação do Brasil, afirma a analista de educação da OCDE.

Em leitura, os brasileiros de família de alta renda tiveram média 97 pontos mais alta do que os de baixa renda. A média da OCDE é de 89 pontos. Embora a OCDE afirme que essa desigualdade no Brasil não é estatisticamente pior do que a média dos países do grupo, o relatório ressalta que, entre 2009 e 2018, a variação no Brasil aumentou 13 pontos, enquanto a mudança na OCDE foi menor, um aumento de apenas 2 pontos.

“O status socioeconômico foi um forte instrumento de previsão do desempenho em matemática e ciência em todos os países que participaram do Pisa. Ele explicou 16% da variação no desempenho em matemática no Pisa 2018 no Brasil”, afirmou a OCDE, ressaltando que, na média dos países do bloco, esse indicador respondeu por 14% da mesma variação.

Por causa dessa diferença, a OCDE afirmou que apenas 10% dos estudantes de baixo nível socioeconômico foram capazes de tirar notas equivalentes aos 25% melhores desempenhos em leitura. Na média da OCDE, esse índice foi parecido, de 11%.

Na comparação com os países que ficaram no topo do ranking do Pisa 2018, o Brasil, além de estar muito atrás na nota média, também é um dos que apresentou maior desigualdade na nota do grupo de 25% de alunos mais pobres e do grupo com os 25% de alunos mais ricos — Foto: Ana Carolina Moreno/G1

Na comparação com os países que ficaram no topo do ranking do Pisa 2018, o Brasil, além de estar muito atrás na nota média, também é um dos que apresentou maior desigualdade na nota do grupo de 25% de alunos mais pobres e do grupo com os 25% de alunos mais ricos — Foto: Ana Carolina Moreno/G1

Professores

Para a analista de educação da OCDE, Camila de Moraes, há investimentos “muito forte” de valorização de professores em Singapura, por exemplo, um dos países que são estão no topo do ranking do Pisa 2018. Segundo ela, o país consegue atrair e reter talentos.

“Eles conseguem atrair os melhores candidatos para a profissão graças a salários competitivos e um status privilegiado na sociedade. Após entrarem na carreira, professores têm acesso a desenvolvimento profissional contínuo. Além disso, existe uma cultura forte de mentoria, com professores mais experientes ensinando e motivando professores mais novos”, afirma, em entrevista ao G1.

Especialistas ouvidos pelo G1 também apontam a valorização dos professores como uma das estratégias para melhorar a educação brasileira. Outro ponto apresentado por eles é a política a longo prazo, para que possam surtir efeito.

“O que nos diferencia dos países com alto desempenho [no Pisa] é que não colocamos ainda a profissão docente e políticas para estes profissionais como ponto central”, afirma Olavo Nogueira Filho, diretor de políticas educacionais do Todos pela Educação.

Além disso, ao contrário do que se costuma pensar, ter classes com menos alunos por professor não é uma variável com impacto comprovado na melhoria da qualidade da educação. Segundo o relatório do Pisa 2018, a OCDE explica que, em geral, diminuir o tamanho das turmas exige aumentar o número de professores, mas “os resultados sugerem que aumentar o número de professores em uma escola poder ser ineficaz, se isso acontece às custas da qualidade média desses professores”.

Pisa 2018 traz informações sobre o salário inicial anual dos professores — Foto: Rodrigo Sanches/G1
Pisa 2018 traz informações sobre o salário inicial anual dos professores — Foto: Rodrigo Sanches/G1

Clima nas escolas

Outro ponto que a OCDE analisa é o clima nas escolas. Para Camila de Moraes, o desempenho dos estudantes deve ser analisado tanto em relação aos resultados, quanto em relação a bem-estar dos estudantes.

“É muito importante considerar tanto o desempenho quanto o bem-estar dos alunos. O Pisa mostra que um melhor desempenho não precisa vir acompanhado de mais ansiedade e de um pior bem-estar dos alunos. Países como Bélgica, Estônia, Finlândia e Alemanha atingiram tanto um alto desempenho quanto um alto nível de bem-estar dos alunos”, afirma.

No Brasil, os resultados do Pisa 2018 apontaram que os casos de bullyingindisciplina solidão dentro das escolas do Brasil ocorrem em percentuais acima da média internacional. Para 29% dos estudantes brasileiros que participaram da avaliação, há ofensas nas escolas. Outros 41% dizem perder tempo de aula por causa da indisciplina e 13% relataram se sentir sempre sozinhos durante o período escolar.

Na análise dos dados, é possível ver que 50% dos estudante faltaram a pelo menos um dia de aula e 44% chegaram atrasados na quinzena que antecedeu o Pisa. A média da OCDE é 21% e 48%.

“Sabemos que alunos que sofrem bullying, por exemplo, tendem a faltar mais às aulas”, afirma Camila. Com isso, eles perdem mais conteúdo e auto-confiança para realizar os testes.

Análise do Japão

Um dos países que estão entre os 10 melhores na avaliação de ciências, o Japão foi objeto de estudo para a tese “Letramento científico no Brasil e no Japão a partir dos resultados do Pisa”, feita pela doutora em educação Andriele Ferreira Muri. Ela ganhou o Grande Prêmio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) de Humanas na edição de 2018, analisando as edições do Pisa que tiveram como foco a análise de ciências (2006 e 2015). O G1 entrevistou Andriele sobre o tema no início deste ano.

Andriele afirma que, entre as ações do Japão, estão:

  • Não reprovar estudantes tem impacto positivo na aprendizagem no Japão;
  • O Japão tem um currículo nacional comum;
  • A formação dos professores faz diferença: no Japão, os professores têm as aulas analisadas por outros colegas. Esta troca permite aperfeiçoar o método, “acelerando a disseminação das melhores práticas em toda a escola ou comunidade”, diz Muri;
  • O uso do tempo em sala de aula é mais otimizado no país asiático: 20% do tempo de aula no Brasil é perdido com questões como orientações gerais, recados administrativos e controle de alunos em sala. No Japão, o índice é de 2%.

G1. 5.12.2019.

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