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Quer aprender? Vá dormir! Cérebro que não dorme não aprende

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Os efeitos do sono (e da falta dele) sobre o aprendizado e a preparação para exames são tema do texto de estreia da coluna

Estudar com orientação é algo fundamental na caminhada em busca de uma vaga universitária. O estudante de alta performance precisa saber o que estudar e como estudar. Estudar com relevância e foco ajuda a potencializar seu desempenho. Ter técnicas de estudos, ter cronogramas, ter metas e conhecer a neuroplasticidade cerebral fazem a diferença. São atalhos para a aprovação. O Rumo à Aprovação chega para oferecer as ferramentas necessárias para facilitar o trabalho duro. Acreditamos que o trabalho duro vence o talento! Somos todos capazes e juntos somos mais fortes!

O educador e especialista em neurociência Pierluigi Piazzi, no livro Aprendendo inteligência: Manual de instruções do cérebro para alunos em geral, da editora Goya, destaca que “sono não é a consequência de um corpo cansado. O sono é causado pela necessidade de esvaziar a memória RAM do nosso cérebro”. Professor Pier apelida de “memória RAM” o chamado sistema límbico, cheio de estruturas complexas (tálamo, hipotálamo, amígdala etc.), nas quais se destaca uma, denominada hipocampo, muito importante para a memória de curto prazo.

Praticamente todas as informações que absorvemos durante o dia são colocadas (de forma instável) no sistema límbico. Nossa memória de curto prazo é muito, mas muito provisória e de capacidade de armazenamento limitada, relativamente pequena. Cabem apenas algumas horas de informação. Sendo volátil e muito pequena, no fim do dia, o cérebro sente a necessidade de “resetar” a RAM. Dormir para esquecer!

Por isso, você sente sono e adormece. Durante o sono, uma boa parte do conteúdo da RAM é simplesmente jogada na lata do lixo. Essas informações nunca mais serão recuperadas. Foi constatado que o sono não oferece uma preservação de toda informação recebida durante o dia. No entanto, se, porém, houver um preparo prévio, durante o sono profundo, uma pequena fração do conteúdo da RAM é, sim, enviada para a memória de longa duração, reconfigurando redes neurais e sendo, assim, gravada de forma permanente.

Cérebro que não dorme é um cérebro que não aprende! Após uma noite de sono recobramos o acesso a memórias que não podíamos recuperar antes de dormir. Sabendo que o sono serve para sedimentar as informações estudadas. Então, como o estudante deve agir ao longo do dia para que, ao dormir, transforme em conhecimento as informações recebidas em sala de aula?

• A recomendação dos neurocientistas é que você durma de seis a oito horas por noite. Para assim atingir o sono R.E.M. (sono mais profundo), permitindo a seleção daquilo que é preciso ser guardado (fazendo as sinapses — sedimentação — das informações estudadas) ao mesmo tempo que descarta o que não é necessário;
• Um estudo norte-americano da Universidade Wayne State aponta que a cafeína (interrompe o fluxo de melatonina, substância química que influencia o sono) consumida em até seis horas antes de dormir elimina uma hora de sono. Por esta razão, indica-se o consumo de café apenas nas primeiras horas do dia ou logo após o almoço;
• Aluno e estudante não são palavras sinônimas. Assistir à aula não é estudar. Na aula você não aprende… você entende! Aula é uma atividade coletiva e passiva. O aluno, durante a aula, erra pouco. Para aprender é preciso errar. É errando, e corrigindo os erros, que se aprende. Estudar é individual e ativo (escrever). Estudar não é ler, estudar é escrever!;
• Você deve estudar o mais próximo possível da aula dada, não o mais próximo da prova. Diariamente é necessário deixar de ser aluno e transformar-se em estudante! Se ao longo do dia você foi estudante, durante o sono, as informações estudadas serão consolidadas na memória de longa duração. Estudar é qualidade, não quantidade. Estude pouco a cada dia. Aula dada e não estudada vai parar no lixo a cada noite de sono.

Não é a prática que leva a perfeição! É a prática, acrescida de sono, que faz a perfeição!

  • Paulo Pérez, conhecido como PP, é professor, com mais de 20 anos de experiência na área da educação (ensino médio e cursinho pré-vestibular)

Por Paulo Pérez. Metrópoles. 12.9.2019.

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