
O atestado de ideologia é um documento expedido que afirma que a pessoa não é adepta de ideologia contrária ao governo.
O Indeed.com é um site de busca por empregos que está disponível em mais de 50 países.
Atualmente o site publicou o anúncio de uma oferta de emprego de assistente administrativo para trabalhar em Curitiba, onde localiza-se a empresa que quer contratar o profissional.
Além das exigências comuns, como escolaridade, experiência e conhecimentos específicos, causa espécie uma exigência feita pela empresa: os pretendentes ao emprego devem dizer em que candidatos votaram nas últimas eleições.
Qual o peso que essa exigência poderia ter na escolha de um profissional?
O problema é que, nos tempos de fascismo em que vivemos, a exigência da empresa faz lembrar o famigerado atestado de ideologia, dos tempos da ditadura militar.
O atestado de ideologia era um documento expedido pelo DOPS (Departamento de Ordem Social e Política), que afirmava que a pessoa não era adepta de ideologia contrária às instituições.
A pessoa que havia pertencido a uma organização sindical ou estudantil, ou que tivesse sido denunciado perante algum órgão policial devido a sua posição contrária à ditadura, estava impedido de participar de concurso público, assumir cargo público ou até mesmo trabalhar em empresas estatais.
Este documento era exigido também para viagens ao exterior.

Uma forma de discriminar e excluir quem pensasse diferente.
Quem não tivesse o atestado negativado, com certeza seria considerado um “subversivo em potencial”.
Parece que a exigência da empresa vai por esse mesmo caminho.
Nessa linha, o Governo Bolsonaro também foi estabeleceu “atestado ideológico” para cargos em comissão e de chefias.
Evidentemente, a preferência política será um critério de escolha por parte da empresa e do governo.
Será que quem votou na Dilma em 2014 se insurgirá contra a reforma trabalhista e não será bom para a empresa? E quem votou no Aécio? Ah, esse é a favor da reforma trabalhista e, portanto, interessa à empresa? E se votou contra o Bolsonaro? O que se pretende com a declaração da preferência política de alguém que procura um emprego?
Será que o atestado de ideologia voltou?
Pior: a empresa que quer saber a preferência política de quem vai contratar situa-se na “República Judiciária Independente de Curitiba”.
Segue o baile do fascismo …






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