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Por que a democracia não presta

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Trabalho do Chargista Luiz Fernando Cazo.

“A democracia é a pior forma de governo, exceto todas as outras que têm sido tentadas de tempos em tempos.” – Winston Churchill

José Saramago, um dos mais importantes escritores da língua portuguesa, era ferrenho crítico do regime democrático, não sem razão. Numa de suas frases mais cunhadas a respeito do tema ele diz que “O grande problema do nosso sistema democrático é que permite fazer coisas nada democráticas democraticamente.”.

Mas por que ele tem razão!?

Pra começo de conversa, a democracia não é apenas o sentido estrito da palavra que deriva do grego e quer dizer governo do povo, mas também é o regime em que as participações populares elegem seus representantes direta ou indiretamente ao poder, que será, então, dividido de tal modo a que as diversas partes dessas representações populares possam expressar os anseios fidedignos dos seus eleitores, espelhando-os por amostragem fiel através da proporção demográfica.

A título de conhecimento, o regime democrático pode adotar dois sistemas de governo: Presidencialista e Parlamentarista. Em ambos os casos, o poder eletivo emana do povo essencialmente, entretanto, no Presidencialismo, o povo elege os representantes para os poderes legislativo e executivo, do que decorre que o chefe do governo é também chefe do estado. De outro modo, no Parlamentarismo, as eleições ocorrem somente para o poder legislativo, ao qual ficará incumbida a formação de um colegiado para compor as diversas esferas do executivo de forma indireta. Por essa razão, somente esse tipo de sistema pode coexistir com Monarquias, já que o Monarca é o chefe de estado, enquanto que um primeiro-ministro assume as vezes de chefe de governo.

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Decorre que a democracia tem tudo para ser muito bonita e extremamente funcional em países com Índices de Desenvolvimento Humano altos, mas pode ser um vergonhoso tiro pela culatra em países cujas questões populares tendem a ser resolvidas com simples escambos sociais, como bolsas e presentes. Denis Diderot dizia brilhantemente que “Ter escravos não é nada, mas o que se torna intolerável é ter escravos chamando-lhes cidadãos.”. É basicamente nisso que se transformou a democracia nos países subdesenvolvidos: mecanismo de freio de tensões sociais, forma de fazer o povo acreditar que quem manda é ele.

Nunca é demais lembrar que a ideia distorcida da democracia foi uma das armas mais usadas para a implementação dos regimes totalitários na Europa, na medida em que ambientes em efervescência social eram manipulados e se transformavam em grupos de revoltas populares que fomentavam a queda dos regimes em crise, dando base ao crescimento de grupos paramilitares.

A democracia surgiu quando, devido ao facto de que todos são iguais em certo sentido, acreditou-se que todos fossem absolutamente iguais entre si. – com esse pensamento de Aristóteles podemos chegar à conclusão de que a democracia é um enorme equívoco enquanto regime de governo, pois pretende colocar no mesmo patamar cabeças pensantes e descabeçados, maior causa das distorções claras do regime. O brilhante Jorge Luís Borges uma vez disse que “A democracia é um erro estatístico, porque na democracia decide a maioria e a maioria é formada de imbecis.”. Nada pode ser mais apropriado.

Para aqueles que acreditam que a democracia livra das amarras, é interessantíssima a leitura de Charles Bukowski: “A diferença entre uma democracia e uma ditadura consiste em que numa democracia se pode votar antes de obedecer às ordens.”. Pelo sim, pelo não, é lógico que a democracia é menos pior que uma ditadura, e foi isso que ele quis dizer, o que não quer dizer que ela é justa, porque ela apenas te dá a possibilidade de escolher quem manda em você, o que, convenhamos, não é pouco num mundo capitalista, mas também não é a carta que lhe confere o poder, como bem nos lembrou nosso sábio poeta Carlos Drummond de Andrade ao dizer que “a democracia é a forma de governo em que o povo imagina estar no poder.”. Enfim, o poder continua nas mãos de quem deveria estar em qualquer circunstância: do poderoso!

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Entretanto, considerando todas as variáveis, a que melhor descreve o ambiente democrático é a que observa a liberdade de expressão: essa, sim, é a maior conquista, mesmo nos países paupérrimos, porque de uma forma ou de outra, possibilita a revolta popular, maior instrumento de melhoria social de que se tem notícia na história da humanidade.

Conclusivamente, o desafio da América Latina é entender que a única forma de tomar para si o ambiente democrático e fazer as vezes de representado é obtendo cultura. A democracia só é possível onde haja gente capaz de escolher.

Ainda assim, evidentemente, liberdade de expressão é tudo mesmo, e também por isso Winston Churchill, um dos maiores estadistas modernos, senão o maior, sempre teve toda a razão, pois “A democracia é a pior forma de governo, exceto todas as outras que têm sido tentadas de tempos em tempos.”.

Por Alexandre Ferreira. Obvius.

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