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O Imbecil É Sempre Feliz

E vemos um povo tão comprometido com o sistema estabelecido, que é incapaz de pensar em alternativas contrárias ao que é imposto. E o poder insiste em entreter a partir de um vazio vernáculo, aumentando uma falsa preocupação social para que a estupidez, a vulgaridade e a insensatez se encarem como normais e nos incapacitem de consciência crítica da realidade.

Numa conversão brutal mas eficiente da sociedade, temos o futebol como maior exemplo, qualquer comportamento desagradável, qualquer “lixo” televisivo e toda a histeria e desrespeito em espetáculos são considerados comportamentos positivos. A idiotização da sociedade, através da satisfação imediata do presente é necessária para que cada indivíduo suporte, sem questionar, todas as enormidades e aleivosias dos poderes instalados.

Talvez por isso se assista à tentativa de fazer quase desaparecer nas escolas, a disciplina de História, pois nesta tentativa de esvaziar mentes, não existe nem história nem futuro, só o presente. Desta forma temos um poder corrupto a tentar convencer um povo, que a opressão, a pobreza, o trabalho e salário precários, o quase desaparecimento da classe média, o abismo entre os milionários e os que vivem abaixo do limiar da pobreza, o roubo descarado dos políticos e afilhados, são perfeitamente normais e necessários e que é impossível mudar. Então surge a cantiga para “boi dormir” de que é muito triste mas sempre houve pobres e ricos, oprimidos e opressores e sempre haverá, não se pode fazer nada.

Já no século XVI, La Boétie, no seu pequeno tratado de servidão voluntária, declara que “a maioria dos tiranos perdura apenas por causa da aquiescência dos próprios tiranizados”.

Desta imbecilidade e ignorância a que nos deixamos sucumbir, nascem despudoradamente os maiores vigaristas, os maiores corruptos de toda a escória da humanidade, os políticos.

Não me admira a caça “às bruxas” que se faz hoje aos professores, à educação, à escola, como se fez sempre desde os primórdios da humanidade, a todos os que podiam fazer nascer pensamentos, novas ideias, capacidade crítica. Senão, façam uma incursão a outros tempos…

Maria do Rosário, Professora do 2º Ciclo do Ensino Básico.

Com Regras. 3.7.2019.

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