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Comportamentos fora dos padrões trazem mais felicidade, por Marcos Villas Boas

Quem sente mais termina deixando de seguir a racionalidade humana prevalecente na maior parte do tempo

No texto anterior, sugerimos que a felicidade é o sentimento constante de paz de espírito conquistado por meio do equilíbrio emocional e mental, enquanto que a alegria é a emoção efêmera de regozijo por fazer algo que dá prazer. Isso não significa que o estado de felicidade não possa ter oscilações, porém elas são muito mais próximas do equilíbrio do que num ser que ainda não conquistou certas expansões de consciência.

A sustentação de uma vida constantemente saudável está na felicidade, no que é nutrido pelo indivíduo em termos de pensamentos, sentimentos, emoções e comportamentos, mas as alegrias são também muito bem vindas para que possam trazer uma vida plena, mais bem aproveitada.

A humanidade em geral, especialmente a do ocidente, tem um padrão de busca das alegrias muito mais marcante do que de busca da felicidade. Isso gera uma porção de desequilíbrios e facilita chegar a casos cada vez mais corriqueiros de depressão e suicídio, pois há foco excessivo sobre o que é efêmero, como a satisfação de desejos, e pouca atenção ao que é mais constante, como a busca do equilíbrio por meio de meditação, terapias, reconexão com a natureza e desenvolvimento da espiritualidade.

Os padrões de crenças estão repletos de ilusões acerca do que realmente traz felicidade, ao passo em que a racionalidade cartesiana, reducionista, dual e mecanicista hoje mais aceita pela maioria é limitadora da capacidade de inovar, flexibilizar, mudar e enxergar o mundo de modos mais profundos e complexos.

Quando mais segue padrões, menos o indivíduo reconhece quem realmente é no Todo e quais as suas aptidões para dar a sua colaboração especial dentro do fluxo de acontecimentos.

Os guias espirituais vêm explicando com frequência que, nesse mundo de formas e ilusões que é a terceira dimensão, a humanidade acostumou-se nos últimos séculos a seguir quase exclusivamente a razão, e esta segue padrões de raciocínio, assim como de crenças, sentimentos, emoções e comportamentos. Como cada pessoa é um ser único e especial em si, ao seguir padrões não se consegue obter um autoconhecimento mais profundo, nem compreender a singularidade que trazemos para esta dimensão.

Seria muito interessante se a humanidade aprendesse a sentir mais do que racionalizar. O discernimento da razão, que é alimentado pelo conhecimento, tem também grande relevância para tomadas de decisão com mais custo x benefício, porém há hoje um total desequilíbrio entre sentir e racionalizar na maioria das pessoas, e é natural que a imensa maioria nem perceba, uma vez que, não tendo saído ainda da matriz, dos ciclos de padrões, não consegue enxergar aquilo que está fora.

Quando iniciei minha caminhada em casas espirituais, os guias desencarnados frisavam o tempo todo que eu, como advogado e acadêmico que fui por um longo período, alguém que focou demais a sua vida nos livros e na razão, precisava trabalhar muito o sentir, mas no começo eu não conseguia entender bem o que era isso. Enquanto não desenvolvemos o sentir, por mais que conversemos com quem já está no caminho, é muito difícil compreender o que é isso. Como de costume, apenas podemos ter uma real noção quando, de fato, vivemos essa experiência.

O sentir começa por prestarmos mais atenção em nossos pensamentos, sentimentos, emoções e comportamentos. A maioria das pessoas não se autoanalisa regularmente procurando rever os seus padrões. Elas vivem rotinas mecânicas e corridas, e ainda sentem orgulho de dizer isso para os outros, como acontece muito em São Paulo/SP.

A maior parte da elite brasileira, e isso é marcante na elite paulistana, não tem tempo de cuidar-se fisicamente, sentimentalmente, emocionalmente, mentalmente e comportamentalmente, porque essas pessoas acreditaram que a vida consiste em busca de sucesso profissional, uma grande remuneração e o consumo de coisas luxuosas.

Aqueles que vivem correndo atrás da satisfação de desejos estão constantemente infelizes porque há neles um sentimento de escassez, de que algo falta e é preciso ter mais do que o outro, tornando-se o sentimento desequilibrado da inveja algo frequente em suas vidas, pois eles não conseguem admirar a felicidade ou a alegria do outro devido a uma forte energia de competição e disputa que carregam.

Quanto mais as pessoas estão correndo em suas vidas, em regra menos estão sentindo. Sentir requer uma respiração equilibrada, exercícios meditativos regulares para reorganizar o emocional e o mental, permitindo que seja possível sentir mais. Com essas práticas, torna-se possível sentir as energias pelo corpo consubstanciadas, por exemplo, em mudanças térmicas e formigamentos. Quem não consegue ter essas sensações, percebendo as suas energias, as energias do ambiente e as energias de outras pessoas ainda está com o sentir pouco aguçado.

Pensa-se que ter essas percepções é algo para médiuns muito desenvolvidos, mas mediunidade é simplesmente uma sensibilidade, um sexto sentido. Sentir mais envolve o aguçar dessa sensibilidade, que não se resume ao que está nesta terceira dimensão.

Se há muitas outras dimensões, se esse é um dado da natureza sentido por muitos e já constatado em trabalhos científicos, quem não consegue acessar esse sentir está limitado em alguma medida no seu conhecimento da realidade e no seu próprio autoconhecimento, pois somos seres transdimensionais, ou seja, com corpos em diferentes dimensões, com distintas densidades, mas que se intercomunicam.

O medo do metafísico causado pelo inconsciente coletivo construído a partir de conflitos a respeito do tema nos últimos séculos, com a ajuda das obras de ficção e outros fatores que estão mais conscientes, faz com que as pessoas queiram estar longe do que não veem. Desse modo, elas aprisionam o seu sentir, abafam as suas sensibilidades. Outra razão para isso é julgarem que esses temas seriam exclusividade das religiões, o que é também uma grande ilusão. O já comentado foco em desejos materiais também é uma razão relevante.

Quando passei a sentir mais, minha intuição ficou bem mais aguçada e comecei a perceber que os caminhos mais funcionais para mim passavam, com certa regularidade, um pouco longe do que as pessoas têm por padrões mais aceitos. Deixar a sociedade de um dos maiores escritórios de advocacia do país em 2014 para seguir o coração foi uma das decisões que chocou muitas pessoas. Mudar completamente de área mais tarde, após tantos anos de trabalho e estudo, foi ainda mais grave para a maioria delas.

Aquilo que se vê como certo e errado hoje está baseado em premissas ilusórias vendidas por religiões interessadas em conquistar mais adeptos e em manter os que têm, assim como em meios de comunicação e pessoas tentando vender bens e serviços. Quanto mais este autor foi tomando decisões seguindo o que sentia e a sua intuição, mais foi encontrando consigo mesmo, ficando feliz e em paz, e menos compreendido ele era, e ainda é, pela maioria das pessoas a sua volta.

Com o aumento do sentir, percebemos o que realmente o nosso espírito nos pede, aquilo que alguns chamam de “a voz do coração”. O chacra cardíaco, sentido no corpo físico próximo ao local onde está o coração, porém mais conectado à glândula timo do que propriamente àquele órgão, é um ponto de conexão dos corpos multidimensionais do ser humano. É ali que podemos sentir mais facilmente o nosso espírito encarnado em sentido estrito, a nossa alma, o atma, o corpo átmico.

Quando passei a sentir mais, tornou-se possível receber mensagens com clareza dos guias espirituais. Desde perguntar se deveria ou não marcar uma viagem, qual seria a melhor data para um curso, dentre vários outros aspectos, recebo informações preciosas para a minha caminhada. Foi possível compreender como muitas decisões eram tomadas em impulsos ansiosos e, quando nos conectamos mais espiritualmente, deixamos de ser ansiosos ou preguiçosos, passando a seguir o tempo do fluxo do Todo, porque somos capazes de senti-lo.

É claro que os guias espirituais não vão dar tudo de mão beijada para o encarnado, que continua o seu processo de aprendizado, mas, dentro do que é permitido no trabalho deles, são fornecidas orientações muito valiosas para aqueles que despertaram o seu sentir.

Exceto pelos casos cármicos em que as pessoas despertam a mediunidade sem desenvolver a consciência, o sentir costuma vir a reboque do equilíbrio emocional e mental. Com esse processo de autoconhecimento, expansão da consciência e crescimento em amor incondicional, normalmente o sentir também vai desenvolvendo-se.

Se acontece desse modo, os guias espirituais vão fornecendo cada vez mais informações, porque aquele espírito encarnado já superou muitos dos seus carmas, que não têm a função de punir, mas de levar ao equilíbrio emocional e mental. Obtendo uma maior clareza sobre seu papel nesta dimensão, tende-se a cair menos em vaidades, orgulhos, prepotências e arrogâncias com uso das informações recebidas ou sentidas diretamente.

Quando há mediunidade sem consciência equivalente, vê-se, dentre outras coisas, médiuns que se arvoram como profetas, os quais ficam ansiosos para dizer a todos o que os espíritos supostamente lhe contam, quais espíritos estão vendo etc. Eles utilizam o brinde da mediunidade concedido a si, que deveria ser mais usado para sua expansão de consciência e dos demais, com o objetivo de dominar, impor suas crenças, obter resultados que alimentam seu ego e satisfazem os seus desejos.

Para conectar-se com o espírito e senti-lo, o mais recomendado é que as pessoas separem momentos do seu dia, preferencialmente logo ao acordar e em outros períodos de maior tranquilidade, e pratiquem disciplinadamente, mas sem rigidez, trabalhos de asserenar a mente barulhenta, acalmar os pensamentos excessivos, para que possam começar a “escutar” mais o corpo físico e os corpos metafísicos. O passo seguinte é ir “limpando” os chacras e curando as mais diversas mazelas mentais, emocionais e comportamentais.

Compreender mais os diferentes planos espirituais também é relevante, pois isso permite observar como os padrões seguidos aqui nesta dimensão cegamente são transitórios e específicos deste nível de consciência e de outros similares.

A pessoa apenas começa realmente a sair da mecanicidade da vida e de repetir padrões, trazidos não raro de várias vidas anteriores, quando começam a sentir bem mais e a notar que tudo é muito mais flexível do que antes se pensava. A única verdade que existe é aquela do espírito de cada um. O sentir permite saber o que o espírito se propôs aprender nesta dimensão, deixando o ego transitório e desejoso mais pacificado, dominado pela consciência desperta, o Eu superior.

Sem passar por esses processos aqui narrados, a tendência é que mais sofrimento do que o necessário seja enfrentado pelo indivíduo, pois o Todo, com a ajuda dos guias espirituais, estará lhe trazendo provas para que ele possa se aproximar mais do que o espírito veio aqui buscar. Em regra, consegue-se chegar a isso quando se tem a felicidade traduzida em paz de espírito constante obtida com equilíbrio emocional e mental.

O foco na satisfação de desejos transitórios, que gera um monte de apegos e frustrações, afasta o indivíduo do programa traçado pelo espírito dele e por aqueles que cuidam dos processos cármicos/evolutivos dos grupos nos quais está envolvido. Com esse afastamento, parece óbvio que o sofrimento virá.

Gozar a vida é uma beleza e a enche de alegrias. Não se deve fugir disso, mas a felicidade real, profunda, constante e plena apenas chega com um sentir mais profundo de quem somos de fato, do que nos dirige para além das aparências e formas, possibilitando a conexão com o Todo, que é “dirigida” pelos guias espirituais.

*Marcos de Aguiar Villas-Bôas é autor do livro “Luz, sombra, dualidade, unificação: a cura para todos os males”, a ser publicado em setembro de 2019. É terapeuta holístico, palestrante e escritor. 

GGN. 11.6.2019.

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