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Cenas explícitas do que os estudantes realmente fazem na universidade pública

cortes na educação

Matrícula de calouros aprovados na Fuvest em 2018. DIVULGAÇÃO COMUNICAÇÃO FFLCH-USP
Comunidade acadêmica vai às redes protestar contra os cortes do Governo e ironiza a visão de que há apenas “balbúrdia” nas instituições do Estado. Campanha lança hashtag

Foi preciso apenas uma publicação nas redes sociais de estudantes fazendo protesto pelados, no que aparenta ser uma universidade pública, que o estrago estava feito. O tuíte do deputado José Medeiros, vice-líder do Podemos na Câmara, no Dia do Trabalho, tinha como objetivo justificar seu apoio aos cortes de verbas no ensino superior, mas viralizou. “Ministro vamos gastar dinheiro com instituições que quiserem produzir conhecimento, nada de permitir quem não quer estudar fique usando a universidade para ‘fusaca”, afirmava na publicação.Ver imagem no Twitter

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JOSÉ MEDEIROS@JoseMedeirosMT

Ministro vamos gastar dinheiro com instituições que quiserem produzir conhecimento, nada de permitir quem não quer estudar fique usando a universidade para “fusaca”.1.18420:31 – 1 de mai de 2019491 pessoas estão falando sobre issoInformações e privacidade no Twitter Ads

Recebeu defesas apaixonadas. “Exato! Chega de balbúrdia. Universidade é pra quem quer estudar”, afirmou uma internauta. “Cultura de pornografia e matemática zero”, disse outro. “Isso tem que acabar! O nosso dinheiro está sendo gasto, sem necessidade nenhuma! Qual o retorno para a sociedade que essas pessoas trarão? Eles que vão pagar para fazerem essas coisas! Será que em faculdades particulares os alunos fazem isso? Acho que não!”, disse outra.

Pouco importa o contexto das fotos –uma manifestação de cerca de 100 alunos da Universidade de Brasília (UNB), em outubro de 2009, em apoio a então estudante Geisy Arruda, que quase foi expulsa pela Uniban por usar um vestido curto. As imagens foram consideradas provas da “balbúrdia” que tomou conta das universidades. Mas será que é isso mesmo o que se vê no dia a dia da universidade pública.

A jornalista Sabine Righetti propôs um tuitaço com a hastag #oquevinauniversidadepublica, para expor, afinal, o que acontece nas universidades que vivem dos recursos do Estado. Em um momento em que vários protestos contra os cortes e o desmanche da educação estão sendo organizados em várias cidades, inclusive nesta quarta, as respostas de estudantes e professores ajudam a derrubar mitos sobre as universidades públicas no Brasil.

1. Falta de recursos parece ser regra

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Victória Gemaque@Victoriagemaque

#tiraamaodomeuif#BalburdiaUniversitaria#balburdia#educacaonaoedespesa#Educacao #oquevinauniversidadepublica2701:26 – 6 de mai de 2019 · BrazilVeja outros Tweets de Victória GemaqueInformações e privacidade no Twitter Ads

Márcio Faria@marciocfaria

Tenho 20 anos de universidade pública, e nunca vi balbúrdia; vi, todavia, banheiros sem papel higiênico, salas sem cadeiras, secretarias sem funcionários e material de escritório, lâmpadas queimadas por meses, bibliotecas sem livros atualizados. #oquevinauniversidadepública1615:15 – 2 de mai de 2019Informações e privacidade no Twitter AdsVeja outros Tweets de Márcio Faria

2. Professores apaixonados, estrutura sucateada

acaminhodos40@GrazianneDelgad

#oquevinauniversidadepublica a maior biblioteca da minha vida! Professores apaixonados pela profissão, prédio e laboratórios sucateados pela falta de verba que só existiam pelo esforço dos funcionários e professores de lá. Tive acesso a culturas e mundos diferentes.1415:26 – 2 de mai de 2019Veja outros Tweets de acaminhodos40Informações e privacidade no Twitter Ads

janelasparaomundo@avilroo

#oquevinauniversidadepublica
Vi professor chorando, pois
tinha que dar conta da coordenação do curso, 4 alunos no mestrado mais 6 na monografia, tinha que dar conta de entrar em sala por 10 horas semanais, fora uns 15 alunos na pesquisa, e tudo porque não podiam abrir edital.512:50 – 3 de mai de 2019Informações e privacidade no Twitter AdsVeja outros Tweets de janelasparaomundo

4. Estudantes que não desistem nunca

Geovana@olageovana

#oquevinauniversidadepublica vi eu conseguir me formar porque além da faculdade ser pública eu tive passe livre para conseguir ir até a faculdade pois sem isso eu teria que interromper… passei sufoco, passei perrengue mas eu terminei e é isso ai, é tudo nosso.1322:10 – 1 de mai de 2019Informações e privacidade no Twitter AdsVeja outros Tweets de Geovana

Thiago Pereira@Thiago_________

Eu vi filho de agricultor analfabeto receber título de engenheiro numa das regiões mais pobre do Brasil. #oquevinauniversidadepublica1314:53 – 2 de mai de 2019Informações e privacidade no Twitter AdsVeja outros Tweets de Thiago Pereira

Filosofia é uma delícia@holobionte

Vi muito filho de pobre passar 5 anos comendo café da manhã, almoço e janta de bandejão. Sem ensino gratuito e assistência não teriam chance de se formar. #oquevinauniversidadepublica907:57 – 2 de mai de 2019Informações e privacidade no Twitter AdsVeja outros Tweets de Filosofia é uma delícia

5. Luta por diversidade

Juliana da Silveira@silveirajuliana

Vi gente estudando e ensinando c/ pouco dinheiro, pouco recurso. Vi gente se emancipando, gente aprendendo a interpretar. Vi muita gente empregada e trabalhando. Vi pouco pobre, pouco negro, pouco índio. Quero a Universidade forte p/ ver muito mais! #oquevinauniversidadepublica814:39 – 2 de mai de 2019Informações e privacidade no Twitter AdsVeja outros Tweets de Juliana da Silveira

anneclinio@anneclinio

#oquevinauniversidadepublica eu vejo a univ. pública sendo aberta para se tornar um espaço mais diverso e plural. Eu vejo gente de classe média e da periferia, mais mulheres, mais jovens negros e negras, indígenas, ativistas, artistas… Somos cada vez + um caldeirão de culturas.1110:20 – 2 de mai de 2019Informações e privacidade no Twitter AdsVeja outros Tweets de anneclinio

Sabine B. Righetti@binerighetti

Na Ufopa, no meio da floresta amazônica, tem gente fazendo ciência com mtas dificuldades estruturais (imagine um reagente importado chegar de SP p/ lá) e tem professor ensinando em nheengatu por causa de aluno indígena que nem fala português. Eu vi. #oquevinauniversidadepublica3701:23 – 3 de mai de 2019 · Sao Paulo, BrazilInformações e privacidade no Twitter AdsVeja outros Tweets de Sabine B. Righetti

5. Empreendedorismo

Antonio Henriques@AHenriquesJr

👨🏾‍💼
👩🏻‍🔬
👩🏾‍🎓
👨🏻‍🎓

#oquevinauniversidadepublica:

: estudantes RALANDO em empresas júnior para fomentar o empreendedorismo

: pesquisadores BANCANDO intercâmbio e iniciando parcerias tecnológicas

: gente sonhadora DESAFIANDO a estrutura social de um dos países mais desiguais do mundo20922:07 – 1 de mai de 2019Informações e privacidade no Twitter Ads64 pessoas estão falando sobre isso

6. Pesquisa científica

Sou Mais Que@nutrifladias

Pesquisas de grande relevância científica sendo realizadas mesmo com baixo investimento! #oquevinauniversidadepublica409:31 – 3 de mai de 2019Informações e privacidade no Twitter AdsVeja outros Tweets de Sou Mais Que

Guilherme@guilbonfim

#oquevinauniversidadepublica professor ralando pra montar laboratório, ralando pra conseguir incentivo a pesquisa, ralando pra melhorar infraestrutura de sala, aluno brigando por auxílio pra defender pesquisa fora do estado! Ajudando na organização de eventos e mostras…1922:24 – 2 de mai de 2019Informações e privacidade no Twitter AdsVeja outros Tweets de Guilherme

PROTESTOS CONTRA OS CORTES DA CIÊNCIA

A Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC), em parceria com entidades científicas e acadêmicas nacionais, organiza nos dias 8 e 9 de maio, mobilizações contra os cortes nas ciências em várias cidades.

Veja a programação:

DIA 8 DE MAIO

Brasília

10h00 – Presença na Audiência Pública do Ministro da CTIC, Marcos Pontes, na Comissão de Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – CCTCI da Câmara Federal, no Plenário 13, Anexo II.

17h00 – Lançamento da Iniciativa para a Ciência e Tecnologia no Parlamento (ICTP.br) e em defesa da ciência brasileira, no Plenário 13, Anexo II, com a presença de parlamentares e representantes das sociedades científicas e acadêmicas.

São Paulo, Rio, Recife

Também estão previstos atos na capital de São Paulo. Às 11h será lançado uma Frente Parlamentar em Defesa das Instituições Públicas de Ensino, Pesquisa e Extensão na Assembleia Legislativa. E a partir das 16h, uma marcha pela ciência terá concentração no MASP. No Rio, um ato em defesa da Universidade Federal Fluminense (UFF) será realizado às 16h UFF Gragoatá, em Niterói. Em Recife, um evento aberto ao público que vai discutir “Ameaças à autonomia universitária” será realizado às 16h na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

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