Por Gisele Souza Gonçalves

Priorizar o que nos faz bem é difícil, mas necessário. Todavia acredito que há
algo ainda mais complicado: descobrir o que nos faz bem de fato.
Vivemos tão preocupados com a impressão que os outros têm sobre nós desde
a infância (felizmente nossas ideias sobre parentalidade e infância estão sendo
mais discutidas), que muitas coisas deixamos de experimentar, de tentar e de
negar. Bom, é válido lembrar: sempre há tempo de recomeçar, ou melhor, de
começar algo novo.
Li “plante roseiras” em um verso de Cora Coralina, busquei mais poemas da
autora e a curiosidade se tornou admiração. Se você não conhece Cora
Coralina, sugiro que leia sobre sua vida, é uma inspiração. Voltando ao verso,
plantei duas roseiras. Gostei, sobretudo de ver as rosas, de tempos em
tempos, desabrocharem e de pensar sobre suas pétalas murchas.
Tornei-me uma daquelas pessoas que me chamavam a atenção quando
criança: mulheres adultas que pediam mudinhas. Hoje, felizmente, não só
mulheres pedem mudas, mas homens também. Gosto de perceber as
mudanças desses anos. É possível mudança. As plantas comprovam isso.
Percebo que algumas das minhas pequenas mudinhas cresceram muito, no
entanto, às vezes, ficam amareladas ou com um aspecto triste. Então observo,
penso em hipóteses, as troco de lugar. Depois de alguns dias, elas reagem:
folhas verdes e novas. Há também aquelas que morrem, lamento, penso sobre
o que poderia ter sido: muita água, pouca água, vento ou falta de luz? Tento
outra vez, como Raul insiste.
Mesmo com os desafios e a possibilidade de não ter sucesso com uma ou
outra plantinha, eu sigo com outras. É tão bom usar algumas folhas do
manjericão que plantei no molho, ou fazer um chá com o guaco que eu cultivei.
É sobre plantas, e é sobre a vida, como ficar feliz por algo bom de que você fez
parte.
É sobre coisas que você nem sabia que gostava tanto e de repente passa a
praticá-las, e você percebe que há tanto ainda a descobrir sobre você.
Espero que nós possamos descobrir o que nos faz bem e também aquilo que
nos faz mal. Muitas vezes nem percebemos o que nos cerca e como isso nos
anima ou incomoda, pois a rotina, os dogmas e os medos não permitem que
pensemos sobre nossos sentimentos. Mas é sempre válido buscar
autoconhecimento e descobrir o que, de fato, nos faz bem.
O importante é começar e seguir.
✍️ Não deixe de ler o conteúdo anterior da colunista:

Gisele de Souza Gonçalves, mãe, professora da educação básica, doutora pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE). Colunista do Factótum Cultural.
Os artigos publicados, por colunistas e articulistas, são de responsabilidade exclusiva dos autores, não representando, necessariamente, a opinião ou posicionamento do Factótum Cultural.





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