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Atualização de Burnout

Por Iara Aparecida Dams

A Síndrome de Burnout (SB) assume uma concepção multidimensional,cuja manifestação se caracteriza  por esgotamento emocional, redução da realização pessoal no trabalho e despersonalização do profissional (1).

A palavra burnout é de origem inglesa, e pode ser traduzida como “queimar-se por completo”, sendo utilizada pela primeira vez em 1974, pelo psicanalista alemão Herbert Freudenberger, que apropriou-se do termo para definir uma condição pela qual que ele mesmo passava. 

Nessa época, Freudenberger  trabalhava 12 horas por dia e, durante as noite, chegava a atender até dez usuários de drogas por hora numa clínica para dependentes químicos. Sobrecarregado e sentindo-se esgotado, ele ficou doente. 

Freudenberger constatou que muitos pacientes e colegas de trabalho vivenciavam sintomas similares aos seus, com um enorme desejo de ser o melhor e sempre demonstrar alto grau de desempenho, o que gerava uma estafa e frustração. 

O que impressiona é pensar que na década de 1970 observava-se sintomas de burnout em diversas classes sociais, indo de viciados à profissionais renomados, já demonstrando que é uma síndrome que não se define pela raça ou condição social. Mas impressionante é vermos que atualmente vivenciamos a síndrome de burnout em escala global. 

E continuamos indiferentes.

Talvez seja apenas um apelo da mídia, mas vem se falando muito nesta síndrome e em uma teoria de que estamos enlouquecendo coletivamente e, consequentemente, não percebemos. Não posso garantir que não estamos desvairando, mas garanto que está ocorrendo um processo de antipatia que está nos desumanizando.

As pessoas estão perdendo a sensibilidade e o tato para com o qual se dirigem e interagem com as demais, tornando quase insuportável a convivência em sociedade. 

E ainda assim persistimos. 

Não possuo uma solução revolucionária para este mal antipático que atinge a sociedade,  afinal ele vem crescendo a décadas, desenvolvendo-se e ganhando espaço em todos os níveis da sociedade. Demonstrando que somos seres terrivelmente cruéis. 

Claro que até nas noites mais escuras, em que a lua é as estrelas escondem se no breu, temos os singelos vaga-lumes que fazem seu trabalho incentivando o sol a brilhar novamente. Meu questionamento é se temos sido vaga-lumes ou o breu noturno?

Tem dias em que é difícil brilhar, imagine, então, incentivar o amanhecer. Como já disse em outro texto, não somos deuses, mas seres mortais que estamos suscetíveis a esta Síndrome, a antipatia, a dor, a tristeza e a sensação de incapacidade, mas esta é uma via de mão dupla. 

Nós temos direito a sofrer e a sorrir..

Faça valer os seus direitos de ser humano, valide sua empatia e acenda a luz que favorecerá o amanhecer.

Nota de rodapé

(1) Disponível em: <https://www.rbmt.org.br/details/46/pt-BR/sindrome-de-burnout&gt;.

Referências

Benevides-Pereira AMT. burnout: quando o trabalho ameaça o bem-estar do trabalhador. São Paulo: Casa do Psicólogo; 2002.

Burnout Syndrome. Pêgo FPLe, Pêgo DR. Burnout Syndrome. Rev Bras Med Trab.2016;14(2):171-176.

Iara Aparecida Dams, Professora do ensino fundamental I no Colégio Santos Anjos – PU. Graduada em Letras: Português/Espanhol (UNESPAR). Pós-graduada em Alfabetização, Letramento e Literatura Infantil (UNINA). Cursando Pedagogia (UNIASSELVI). Poetisa e escritora. Colunista do Factótum Cultural.

Os artigos publicados, por colunistas e articulistas, são de responsabilidade exclusiva dos autores, não representando, necessariamente, a opinião ou posicionamento do Factótum Cultural.

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