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Sobre Hannah Arendt e seu ensaio “A crise na educação”

Por Maria Vitória da Silva

Hannah Arendt e a necessidade de pensar | Escrita Crítica

Sabemos que a construção da história da humanidade sempre se deu a partir de momentos de crise, isto é um fato inegável. Uma das funções do filósofo é problematizar esses momentos de crise, assim se dá a construção da filosofia.

Hannah Arendt foi filósofa e teórica política contemporânea. Nascida na Alemanha, na cidade de Hannover,  em 14 de outubro de 1.906. Judia, de família não praticante, cresceu em meio político devido seu pai ser membro do Partido Social-Democrata Alemão.  Hannah cresceu e construiu sua personalidade em meio aos períodos da Primeira e Segunda Guerra Mundial.  Hannah, foi  perseguida, devido a ascensão do nazismo na Alemanha, até o momento que por volta de 1930, se refugia na França, até a França vir também a passar por uma ocupação nazista, foi presa em um campo de concentração, onde passou alguns meses, até o momento de sua fuga para a cidade de Nova York, cidade onde fixa sua residência. Em Nova York, escreve textos e ensaios para jornais, até conseguir sua cidadania estadunidense e poder lecionar nas universidades.

Arendt sempre foi uma mulher forte, em seus escritos, buscava denunciar os problemas de seu tempo, a partir de contextos históricos e políticos. Em suas produções intelectuais e filosóficas, vemos o reflexo de sua luta política. Em suas obras, utiliza-se do estilo ensaísta, opinando e filosofando sobre sua atualidade. Vamos comentar um pouco mais sobre um desses ensaios, presente no livro Entre o passado e o futuro, o ensaio que trataremos neste texto é “A crise na educação”.

O ensaio “A crise na educação” é tão atual como o jornal de amanhã. Mesmo sua escrita não sendo referente ao nosso país, podemos encontrar vários problemas semelhantes. E é com maestria que Hannah o inicia, sua sabedoria filosófica lhe apontava o norte dos problemas de sua geração. Vemos o primeiro parágrafo desse ensaio: “A crise geral que se abate sobre o mundo moderno e que atinge quase todas as áreas da vida humana manifesta-se diferentemente nos vários países, alargando-se a diversos domínios e revestindo-se de diferentes formas”. Uma crise nada mais é que um momento conturbado, de confusão e acúmulo de problemas, e é neste ponto que Hannah deseja chegar, apontar os fatores que fizeram com que os EUA chegassem em um momento de crise na educação.

A educação se faz necessária a partir da natalidade, ou seja, as pessoas nascem e precisam ser introduzidas na sociedade. A família é a primeira instituição que molda e educa os seres, seguindo para a relação entre escola e sociedade. Então, uma crise na educação partiria também dessas bases.

Pela ótica de Hannah, pelo fato de a América ser uma terra de imigrantes, é nela que uma crise na educação se torna um fator político, por ser na América que a educação é responsável por “americanizar” os filhos dos imigrantes, pelo fato da América ser “o novo mundo”, a nova terra daqueles que abandonaram “o velho mundo”, seria função da educação formar os novos americanos, ou seja, o fortalecimento do sentimento de pertencimento daqueles que não são filhos desta terra.

No desenvolver do ensaio, a problemática da crise na educação é formulada a partir de três ideias bases, sendo a primeira: a autoridade entre adultos e crianças, que se refere aos adultos excluírem a criança de seu mundo e deixá-las entregues a si mesmas ou a um grupo que esteja inserida, se referindo ao mundo da criança; segunda: a crise no ensino, fazendo crítica a psicologia moderna e as doutrinas pragmáticas e como elas impactam na figura do professor; terceira: as teorias modernas de aprendizagem, que visa substituir o aprender pelo saber fazer.

Através dessas três ideias bases sobre a crise na educação, a autora também menciona entrelaçamento da política com a educação, como as modificações políticas sempre afetam de forma direta o campo da educação, sendo a política instável e  essa instabilidade,  implica de forma direta  no desenvolver da sociedade moderna.

Esse texto, como outros ensaios de Hannah nos é de grande proveito, tanto de maneira filosófica, teórica e reflexiva, como também, de forma prática. Ao fazermos a sua leitura, se tratando de não ser um texto tão antigo, mas de um passado recente, podemos observar pontos em comum com o nosso país e também relacionar o momento que vivemos na nossa educação atual, nos ajudando a entender que também temos uma crise na educação. Convido você, que leu este texto, a conhecer os escritos e a história de Hannah Arendt, uma grande mulher para a História da Filosofia.

ARENDT, Hannah. Entre o passado e o futuro. Tradução de Mauro W. Barbosa. São Paulo: Perspectiva, 2014.

PORFÍRIO, Francisco. Hannah Arendt: vida, ideias, obras, frases. Disponível em [https://mundoeducacao.uol.com.br/biografias/hannah-arendt.htm]. Último acesso em: 25 de maio de 2021.

Maria Vitória da Silva, graduanda de Filosofia/Licenciatura pela Universidade Federal da Integração Latino Americana – UNILA .

 Os artigos publicados, por colunistas e articulistas, são de responsabilidade exclusiva dos autores, não representando, necessariamente, a opinião ou posicionamento do Factótum Cultural.

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