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Chuviscando poesia

Por Iara Aparecida Dams

Onde eu moro o Sol é indeciso, variável e tímido.

Vem volta e meia, mas dá meia volta.

Não quer ficar…

Ele se vai, como quem foi obrigado a aparecer após súplicas de crianças que querem ir ao parque, de donas de casa que querem faxinar, após pedidos de almas que sentem-se abatidas e caóticas pela falta da luz solar. 

Ele se vai, ela vem.

Gota,

          a

                    gota.

Às vezes escandalosas, se jogam ao chão sem nem despedir-se das nuvens confortáveis que chamaram de lar. Transformam as ruas cinzas em um colorido de guarda-chuvas e murmúrios reclamativos sobre o quanto a chuva é molhada.

Os seres humanos são tão bons em iniciar uma conversa.

Animais racionais, não é mesmo?

Mas tem horas em que ela vem de mansinho, mansinho, calma, quieta como se quisesse fazer carinho no mundo. Tão leve que nem a percebemos, só quando a terra está encharcada e a roupa seca no varal foi arruinada. Eita chuva, de onde você veio?

Porém, ao contrário  do que muitos pensam, a chuva não é solidão, ela nunca vem sozinha, está sempre acompanhada.

Vem juntinho, como um trio de melhores amigos, a chuva, o frio e a preguiça.

E existe tortura maior que a chuva batendo na janela em uma fria manhã de inverno enquanto o despertador toca avisando que está na hora de se despedir das cobertas quentes?

Só de pensar eu já tenho sede por café e aconchego.

Talvez uma sopa…

Não me entendam mal, não quero reclamar da chuva, minha única intenção é poetisa-la.

Não para concluir, mas para lembrar que até os piores temporais servem para fazer crescer a flor, deixo você, caro leitor, com a proteção de uma prece irlandesa:

Que as gotas da chuva molhem suavemente o seu rosto,

Que o vento suave refresque seu espírito,

Que o sol ilumine seu coração,

Que as tarefas do dia não sejam um peso nos seus ombros.[1]

Uma excelente vida de chuvas e sóis.


[1] Prece Irlandesa.

Iara Aparecida Dams, Professora de Língua Espanhola no Colégio São José – PU. Graduada em Letras: Português/Espanhol (UNESPAR). Pós-graduada em Alfabetização, Letramento e Literatura Infantil (UNINA). Cursando Pedagogia (UNIASSELVI). Poetisa e escritora. Colunista do Factótum Cultural.

Os artigos publicados, por colunistas e articulistas, são de responsabilidade exclusiva dos autores, não representando, necessariamente, a opinião ou posicionamento do Factótum Cultural.

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