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Direito: arte do bem, do justo e do belo

Por Wagner Dias Ferreira

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O trabalho jurídico, principalmente do advogado, é, na sua essência, de comunicação e transmissão de mensagens. O profissional do Direito precisa comunicar, transmitir sua mensagem, intenções, argumentos, pedidos e pleitos, buscando sempre convencer o interlocutor. E por isso muitas vezes pode ser visto como uma arte.

Não raro se houve: “O júri é um teatro”. Dando a entender que os profissionais que ali atuam são atores encenando uma peça, porque é comum se observar Advogados e Promotores que digladiam ferozmente no curso do plenário e depois de finalizado o julgamento conversam harmoniosamente, porque o conjunto da controvérsia que os movia no “coliseu” de argumentos não é de caráter pessoal, mas técnico e profissional.

É sempre necessário se fazer no âmbito profissional: elaborar texto escrito, escolhendo cuidadosamente as palavras para garantir que o interlocutor compreenda com clareza o sentido do que o advogado precisa comunicar. Atento ao sentido técnico de todas elas. Falar com boa dicção e impostação correta da voz, elevando o nível para grifar proposições e abaixando quando precisa que o interlocutor aumente seu nível de atenção no que está sendo dito, de modo a conduzi-los à melhor compreensão de suas teses, ainda que dessa compreensão advenha a frustração de uma negativa.

Um exemplo ocorreu quando, assistindo a uma sustentação oral do saudoso advogado Sidney Safe no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, ouvia-se múltiplas vezes: “…posso estar enganado…” ou “…no meu humilde entendimento…”, isso de um professor universitário, que chegara a ocupar o posto de Secretário de Segurança Pública Estadual, e após o término da exposição ouvir os Desembargadores renderem suas homenagens ao ilustre professor da UFMG e um deles pedir vista para reavaliar o voto que trazia sob os braços. Situações que entusiasmam qualquer advogado.

Então, sim. O direito tem esse mister artístico motivador de “arte do bem e do justo”.

No Brasil, muitas vezes se pode deparar com pessoas analfabetas ou de pouca formação. Com grande dificuldade para a compreensão do linguajar técnico jurídico. Traduzir essa linguagem para compreensão imediata do cidadão que procura o advogado é uma obrigação, para o aperfeiçoamento da cultura e da cidadania brasileira. É, claro, sem abrir mão do mister artístico da profissão, que tem uma liturgia própria, e de sua liberdade na busca de justiça.

Será fácil constatar que muitas vezes ao findar a escuta das queixas do cliente e restituir-lhe a primeira impressão de seu caso, com as possibilidades processuais de resolvê-lo, ao indagar se o cliente entendeu, ele consente que sim. Mas se solicitar que ele explique o que foi que entendeu, muitas vezes dirá “…entendi, não precisa se preocupar” ou “…o senhor é muito engraçado” ou “…então repete só pra eu memorizar os detalhes”. Assim, passo a passo, cliente a cliente, vai sendo firmando o exercício da cidadania.

Nem tudo são flores. As adversidades acontecem com mais frequência do que se pode confessar. Divergências cliente e advogado, advogado e promotor, advogado e juiz. Mas é possível trabalhar com dignidade e respeito.

Construir a cada conversa, a cada trabalho, em cada relacionamento que se estabelece ao longo da vida profissional, laços que são um privilégio para o advogado, que deve sim executar as liturgias da profissão, transmitindo sempre sua mensagem, para não deixar desaparecer de seu trabalho juntamente com o bem e o justo, o belo.

Wagner Dias Ferreira, advogado especialista em Direito Criminal e do Trabalho.

Os artigos publicados, por colunistas e articulistas, são de responsabilidade exclusiva dos autores, não representando, necessariamente, a opinião ou posicionamento do Factótum Cultural.

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