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Escrevendo a vida

Por Iara Aparecida Dams

Sentido da vida: como encontrar e reconhecê-lo em nós

A vida tem um jeito engraçado de andar, de desenrolar-se pelos dias que passam. Ela vem como um amontoado de metas, e desde que nascemos devemos cumpri-las uma a uma. Nascer já era uma meta, não é mesmo? Vamos crescendo e passando cada uma delas, aprendemos a viver, ter autonomia, lemos, escrevemos, pensamos, conversamos, temos dons e habilidades, somos desastrados, somos humanos. Passamos pelas nossas etapas à nossa maneira. 

Todas as etapas possuem encantos e limites, sendo algumas longas e outras curtas, e aquelas que nunca encerramos. Todavia, nosso olhar tem tendência a se voltar para os conflitos e desafios da vida, deixando de desfrutar e valorizar o que é maravilhoso em cada etapa percorrida. Temos insistência em admirar o que passou ou o que virá. 

A vida é um resultado dessas etapas pelas quais passamos, uma resposta do que fazemos. As chances estão sempre por aqui ou alí, nos lugares e cantos que nem imaginamos. Porém, temos que ter cautela e consciência de que tudo tem hora certa para acontecer, e há a possibilidade de nem sempre coincidir com os planos que fazemos. Todavia, sempre é hora de resgatar os desejos que guardamos para depois. 

Finalizar uma etapa nunca é fácil, sempre sentimos que temos coisas ainda a resolver, bem eu me sinto assim. Concluir para mim é uma tarefa muito difícil por sempre buscar melhorar mais e mais, e sentir que ainda há meios de melhorar o perfeito, ainda tenho por onde deixar uma marca mais bonita. Mas é necessário. 

Ser necessário não significa que precisamos viver queimando as etapas, querendo vencê-las a todo custo, cada momento é uma oportunidade e possibilidade de superarmos erros e limitações para chegarmos aos objetivos almejados. Viver é tentar e ser cada dia melhor, fazer cada dia ser melhor. Precisamos compreender que assim como os dias, a vida passa, e nela nada é para sempre. 

Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.

(Oscar Wilde)

Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.

(Clarice Lispector)

Por favor, não me levem a mal. Não estou aqui para ensinar ninguém a viver, muitas vezes nem sei se estou vivendo certo, mas tenho garantias de que vivo feliz. Fazer escolhas e encerrar etapas não é egoísmo, a vida que temos pertence a cada um, e no futuro apenas uma pessoa poderá ser culpada pelo teu sucesso ou fracasso, pela tua tristeza ou alegria. 

Enquanto escrevo este artigo-relato estou concluindo uma etapa na minha caminhada, dizendo adeus a uma rotina para entrar em outra, estou me despedindo de ótimas pessoas com o coração cheio de saudade mas com alegria. Terminar também é iniciar, e quando iniciamos trazemos juntos uma bagagem, e eu carrego ótimas pessoas comigo.

A vida é constante e difícil. Mas o difícil se vai, pois o constante também é variável, cheio de idas e vindas, nas quais trás outras coisas, das quais às vezes precisamos sem nem mesmo saber. A vida pode ser meio desbotada às vezes, mas sempre há a possibilidade de nos depararmos com encruzilhadas cheias de opções. Estamos em um self service de opções.

Novamente, não tenho autoridade para ensinar ninguém sobre o modo correto de viver, se é que existe um modo correto de viver. Mas convido você leitor a fazer uma reflexão sobre a sua vida, sobre as suas etapas vencidas ou a vencer, sobre suas alegrias e tristezas diárias. Sinta a tua vida por um momento. 

Certa vez um amigo me disse que a vida é como um filme. Quando entramos no cinema temos que escolher entre diversos títulos e gêneros. Você quem decide se o filme da sua vida será um romance, uma comédia, um filme de terror ou uma ficção. Nós somos os escritores, diretores e personagens principais, não torne-se apenas um figurante no filme da tua vida. 

Finalizo este texto com uma frase que escrevi há muito tempo:

Digo apenas que sentir é ser. 

E cada um sabe como ser o que é, 

seja apenas.

(Iara Aparecida Dams)

Iara Aparecida Dams, Professora de Língua Espanhola no Colégio São José – PU. Graduada em Letras: Português/Espanhol (UNESPAR). Pós-graduada em Alfabetização, Letramento e Literatura Infantil (UNINA). Cursando Pedagogia (UNIASSELVI). Poetisa e escritora. Colunista do Factótum Cultural.

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Professora do ensino fundamental I no Colégio Santos Anjos – PU. Graduada em Letras: Português/Espanhol (UNESPAR). Pós-graduada em Alfabetização, Letramento e Literatura Infantil (UNINA). Cursando Pedagogia (UNIASSELVI). Poetisa e escritora. Colunista do Factótum Cultural.

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