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Reflexões sobre o cárcere

Por Neemias Moretti Prudente

Com 726 mil presos, Brasil tem terceira maior população carcerária do mundo  | Agência Brasil

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil é o país da América Latina com a maior população carcerária (cerca de 800 mil presos) e o maior déficit de vagas vinculadas ao sistema penitenciário (305 mil vagas).

Nos últimos 10 anos, o numero de prisões no país aumentou consideravelmente, muita gente começou a ser presa e pouca gente sai do sistema.

O ritmo crescente de prisões revela a incapacidade de se criar alternativas para a inclusão socioeconômica da população que, na maioria dos casos, é de pobres (mais de 80%), semianalfabetos (mais de 70%) e negros (66%).

As políticas socioeconômicas não têm dado conta de oferecer perspectivas de uma vida digna para muita gente. Estes, quase sem alternativas para sobreviverem, recorrem ao crime – ainda mais diante desse pandemia mundial.

Ocorre que, ao recorrerem ao crime, existe a possibilidade de serem presos. Lembrando que no Brasil, do total de crimes, aproximadamente 10% são apurados (imensa cifra-negra).

Ao entrarem no cárcere, o “estado” afirma que retira o indivíduo infrator da sociedade com a intenção de ressocialização, segregando-o, para depois reintegrá-lo ao seio da coletividade da qual foi afastado.

Mas quase todos sabem que isso não passa de uma grande mentira, já que as prisões são verdadeiras masmorras, que não recuperam ninguém, ao contrário, corrompem, aviltam e pioram o transgressor.

A reincidência no país chega a 70%, mostrando, assim, a falência do cárcere.

O problema não está na dose do remédio, mas sim no remédio em si, que é outro, eminentemente social e econômico – e não a prisão.

Mas quem está disposto a enfrentar isto?

Publicado originalmente em: PRUDENTE, Neemias Moretti. Reflexões sobre o cárcere. Jornal Recomeço, Leopoldina, v. 131, ano VII, maio 2007. Seção Matérias Anteriores. Disponível em: . Acesso em: 14 set. 2007. Atualizado em 15.1.2021.

Neemias Moretti Prudente, Professor, Criminalista, Mestre e Especialista em Ciências Criminais, Graduado em Direito, Licenciado em Filosofia, Escritor, Ufólogo e Anti-Penalista. Diretor Geral e Editor Chefe do Factótum Cultural. Escrevendo para não enlouquecer enquanto espera a invasão alienígena ou algum meteoro en passant.

Os artigos publicados, por colunistas e articulistas, são de responsabilidade exclusiva dos autores, não representando, necessariamente, a opinião ou posicionamento do Factótum Cultural.

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Um Amante do Conhecimento e com o desejo de levá-lo aos Confins da Galáxia !!!

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