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Castrações horrendas: 5 fatos sobre a peculiar saga dos Eunucos

Eunucos castrati, cantores que eram castrados no século 16

Ser eunuco foi quase que uma profissão, exercida nos palácios e haréns do mundo antigo, na China Imperial e até na Europa do século 20

Eunucos são homens que tiveram o pênis e os testículos (ou apenas os testículos) cruelmente arrancados fora. A jornada variava muito: alguns atenderam desejos sexuais de imperadores, outros lutaram em guerras sangrentas, foram castigados por crimes terríveis, ou definharam, enfrentando anos de escravidão.

Mas esses homens sofridos tinham sempre um fato em comum: passavam por castrações horrendas. A origem do próprio nome eunuco ajuda a explicar o porquê dessa violência toda: de etimologia grega, o termo eunoukhos se traduz como “guardião da cama”.

Na antiguidade, no Oriente Médio e na China, eles eram guardas ou serviçais justamente dos leitos e haréns, onde ficavam as esposas e concubinas reais.

Mais tarde, a tradição de contratar homens castrados em palácios alcançou Roma e Grécia, os fenícios do norte da África, e persistiu na Europa do século 20.

Confira abaixo alguns fatos curiosos sobre os eunucos.

1. Substituíam mulheres

Acreditava-se que a castração tornava os eunucos mais dóceis e resignados – padrão de comportamento considerado um ideal feminino antigamente. Não por acaso, indivíduos castrados do século 16 abraçavam papéis femininos nos palcos das óperas italianas.

Os castrati, como eram conhecidos, tinham seus testículos retirados quando eram ainda crianças de 8 a 10 anos de idade. A cirurgia era feita para impedir que a voz dos cantores engrossasse durante a puberdade e impossibilitasse um canto mais fino. 

Outro caso de transformação em figura feminina ocorreu não nos palcos, mas na corte. Foi isso que aconteceu com Esporo, o eunuco do imperador romano Nero. O que atraiu o soberano foi justamente que o rapaz era bem delicado, a ponto de ser parecido com a esposa falecida do líder político. 

Esporo, eunuco de Nero / Crédito: Divulgação 

Visto isso, Esporo passou a ser obrigado a agir como a defunta Poppaea Sabina. Abriu mão de sua identidade, passou a ser chamado de imperatriz e teve que atender aos desejos sexuais do imperador. 

2. De escravos a líderes

Os eunucos tiveram um papel significativo nos regimes políticos da Antiguidade. A prática surgiu no Império Assírio, no século 14 a.C, nas regiões do atual Iraque e Turquia. Nessa época, alguns deles começaram a conquistar altos cargos imperiais. Acreditava-se até que eram menos corruptos pois não teriam descendentes para deixar heranças.

O eunuco Pothinus e Ptolomeu XIII na corte, conforme cena do filme Cleopatra (1963)  / Crédito: 20th century Fox

Na China, os homens castrados também serviam como assessores políticos dos imperadores e mudaram radicalmente o contexto político de diversas dinastias chinesas. Segundo o historiador japonês Taisuke Mitamura, da Universidade de Kioto, de um total de nove soberanos que reinaram durante os últimos 100 anos da dinastia Tang, sete lideraram após conspirações de eunucos da corte. “Os outros dois foram assassinados por eles, depois de contrariar seus interesses”, afirmou. 

3. Alguns eram voluntários 

Muitos dos eunucos tinham seus testículos arrancados por conta própria. Na China Imperial, especialmente, a castração voluntária era algo bem recorrente. O desespero para fugir da fome e da miséria era tanto que, sem escolha, cidadãos castravam-se para trabalhar nos palácios e alimentar suas famílias. 

Halotus, o eunuco do Imperador Cláudio / Crédito: Divulgação 

A partir do século 12 a.C, essa classe passou a trabalhar como assessores políticos dos mandarins e suas amantes. O trabalho deles durou milhares de anos e só teve fim na China após a Revolução Republicana (1911-1912), que acabou com a monarquia. 

4. Ereções ainda aconteciam

Alguns eunucos eram criminosos castrados justamente para impedir que cometessem estupros ou adultérios. Porém, nem sempre a castração os tornava impotentes sexualmente, principalmente para aqueles que tinham somente o testículo arrancado e não o pênis. Nesses casos, eles ainda eram capazes de terem ereções.

Eunuco do sultão Abdulamide II do Império Otomano / Crédito: Wikimedia Commons 

Isso ocorria caso a cirurgia de castração fosse feita após a puberdade. A partir desse período, o hormônio fundamental da ereção, a testosterona, passa a ser fabricado nas glândulas suprarrenais. 

5.Tráfico de órgãos genitais 

Alguns eunucos chineses tinham que guardar seus testículos para mostrá-los nos palácios, como prova da castração. Os órgãos genitais eram preservados em um recipiente com salmoura. 

A necessidade de comprovar a castração acabou originando furtos e trocas ilegais de pênis e testículos. Eunucos roubavam e até destruíam de propósito os “comprovantes” dos rivais. Quando um deles era roubado, pedia emprestado para outro escravo do palácio ou solicitava um órgão genital à cirurgiões que operavam na clandestinidade, guardando as genitálias removidas para vendê-las ou até alugá-las.


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