
Criado em um subúrbio de Dublin, na Irlanda, o ator Aidan Gillen , de 51 anos, se lembra de ter visto coisas estranhas no céu quando era um pré-adolescente crescendo nos anos 1970.
— Fiquei observando o céu por anos e certamente vi algumas coisas que não podia explicar. Uma delas, cheguei a reportar para o jornal local, quando tinha 11 anos.
Segundo Gillen, parte do fascínio que ele tinha era culpa do seu amor pelo filme “Contatos imediatos de terceiro grau”, de 1978. No sci-fi de Steven Spielberg, há uma ponta do cientista J. Allen Hynek (1910-1986). Responsável por desenvolver o sistema de classificação de contato com alienígenas que dá nome ao filme, Hynek é interpretado por Gillen em “Projeto Livro Azul” , nova série do History que estreia neste sábado, às 22h30. O canal reprisa o episódio de estreia neste domingo, 12, às 19h50.
Ambientada nos anos 1950, a série mostra como o astrônomo renomado da Northwestern University, antes um cético quanto à existência de extraterrestres, se tornou um dos ufólogos mais conhecidos do mundo. A mudança radical de opinião se deve a sua atuação em três projetos da força aérea que investigaram casos de objetos especiais não-identificados. O mais famoso deles é o Projeto Livro Azul (Project Blue Book) que dá nome à série.
Em um formato que rendeu comparações com a série “Arquivo X”, Hynek e sua equipe investigam a cada episódio um caso diferente, todos documentados pelo governo americano entre 1952 e 1969. Gillen diz que, na época, embora um dos objetivos do projeto fosse justamente conter a histeria em relação a uma invasão alienígena, o próprio clima de paranoia também servia aos propósitos dos Estados Unidos, imersos na disputa econômica e tecnológica com a União Soviética.
— Durante um período como a Guerra Fria, era do interesse do governo ter as pessoas no extremo e assustadas. Isso ajudaria a manter as pessoas alinhadas, a disseminar um pouco de medo e paranoia sobre o que estava no céu, o que poderia ser uma ameaça. Mas havia uma crença genuína no governo americano na época de que eles eram uma potência e estavam realmente desenvolvendo tecnologia avançada. Então eles não apenas estavam procurando evidências extraterrestres, mas também desenvolvendo a espionagem internacional — explica Gillen.

Produzida por Robert Zemeckis (diretor de “Forrest Gump” e “De volta para o futuro”) , “Projeto Livro Azul” leva, com esmero, um dos assuntos favoritos do History Channel para a dramaturgia. Até agora, o canal é mais conhecido no Brasil por exibir programas sobre ETs que alardeiam teses sem fundamentação científica, como a de que alienígenas teriam interagido com humanos na pré-história. Mas para Gillen, a produção pode agradar mesmo quem não é da turma do “chapéu de alumínio”, como são chamados os devotos de teorias conspiratórias.
— A maioria dos personagens é cética também, e cada episódio é baseado num relatório verdadeiro. Alguns foram resolvidos, outros não. É tudo feito de forma lógica. É claro que tem que ser divertido também, então tomamos algumas liberdades. Não espero que a audiência engula nenhuma teoria ridícula — defende.
Além de Zemeckis, o próprio Gillen ajuda a emprestar seriedade ao projeto. Com uma carreira sólida na TV, o ator despontou na série britânica “Queer as Folk” e esteve presente em algumas das mais importantes produções da televisão recente, como “The wire” e “Game of thrones”. Na última, ele deu vida ao inescrupuloso Mindinho (Littlefinger no original).
— Conscientemente, fiz muito vilões. E quando é algo tão assistido por tanto tempo, como “Game of thrones”, é como as pessoas te veem. Hynek é um personagem interessante, uma pessoal real com um arco incrível na sua vida, e não é um malvado — comemora.
A segunda temporada de “Projeto Livro Azul” já está sendo gravada. E não faltam assuntos: no segundo ano, a série vai abordar o famoso Caso Roswell,sobre um ovni que supostamente teria caído no Novo México em 1947, e a Área 51, instalação sigilosa da força aérea americana que há décadas é alvo de especulações. Um prato cheio para obras de ficção.






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