
Olhos que condenam, nova Minissérie da Netflix.
Em 1989, um milionário excêntrico chamado Donald Trump pagou US$ 85 mil para publicar um anúncio de página inteira no jornal New York Times apenas para pedir a pena de morte para cinco jovens negros que haviam sido acusados de estuprar uma mulher branca no Central Park, em Nova York (três décadas antes de entrar para a política, Trump, esse inspirador de Jair Bolsonaro, já sabia como o racismo, o medo e o ódio podem ser ferramentas poderosas para a conquista do poder). Os cinco jovens, depois se soube, eram inocentes: sua condenação era fruto do racismo da polícia e do sistema judicial norte-americano. A história dos “cinco do Central Park”, que já havia sido tema de um documentário do celebrado Ken Burns, agora se transforma numa minissérie dirigida por Ava DuVernay, de Selma e A 13ª Emenda. Fortes e emocionantes, os capítulos chegam a ser didáticos ao mostrar, passo a passo, como uma gigantesca injustiça pode ser construída, a partir de uma rede de culpas e omissões que entrelaça policiais, promotores, juízes e políticos. “Quando a polícia quer uma coisa, fará qualquer coisa. Dirão mentiras sobre nós, nos prenderão, nos matarão”, resume um dos personagens. Comparadas à realidade brasileira, as armações mostradas na minissérie revelam algumas diferenças: a prática da tortura pela polícia é bem mais comedida, por exemplo. O que só faz a gente pensar como por aqui os olhos devem condenar muito mais.

Informações Boletim Ponte Jornalismo.






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