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Não existe nada mais brega do que uma mulher submissa

Adoro mudar meus cabelos. Deixar longo e depois curto. Com franja. Sem franja. Preso. Solto. Natural ou com luzes. Agora voltei a pintar: cobri o castanho de vermelho — e estou adorando! É impressionante a autoestima que habita nos cabelos de uma mulher.

Estava no salão de beleza. Enquanto a cabeleireira retocava minha raiz com tintura vermelha, uma moça bonita fazia escova ao meu lado. Ela tinha negros cabelos lisos até a cintura. A outra cabeleireira, que trabalhava na escovação, estava tão compenetrada em seu serviço que dava gosto de assistir a cena: parecia uma dança sincronizada entre escova e secador.

Então uma voz masculina tirou-me da minha viagem pelos cabelos alheios. Um homem se sentou ao lado da mulher de cabelos longos e pareceu estar satisfeito com o que via. Normal, pensei. Era uma moça bonita, com cabelos sedosos e uma escovação próxima da perfeição. O que eu não esperava foi ouvi-la dizer num tom ansioso: “eu queria mesmo é cortar bem curtinho”.

Meu radar para ouvir a conversa dos outros parecia uma sirene histérica. Me endireitei na cadeira e esperei a resposta do homem: “se você fizer isso, nem precisa voltar para casa”.

Ouvia-se somente os secadores de cabelo por aquele salão. Mulheres entreolharam-se em silêncio. Uma baixou a cabeça — devia ser vergonha alheia. Outra pegou uma revista — desconfio que era para disfarçar enquanto ouvia melhor a conversa. E o homem continuou: “se um dia você cortar o cabelo sem me avisar, te trago de volta para raspar tudo!”.

É triste presenciar uma cena assim em pleno século 21. Por ser independente e dona do meu nariz (e dos meus cabelos!), fico chocada. Não acho estranho uma mulher se arrumar do jeito que o parceiro gosta para agradá-lo. Isso é legal. Não há problema em querer agradar a quem se ama. A questão fica complicada quando a mulher permite se anular e deixa de ser ela mesma. É como toda mulher que coloca silicone, faz lipoaspiração e outros tratamentos estéticos para “dar uma melhorada no relacionamento com o marido”. É sério, já ouvi isso.

Aquela moça foi embora com uma beleza que não era dela. Seus longos cabelos negros brilhavam em sedução e leveza, isso é fato; mas aquele brilho não combinava com o embotamento do olhar de quem carregava um pesar dentro de si mesma. Não existe nada mais brega do que uma mulher submissa.

Saí do salão renovada. Em parte, aquela sensação era pelo meu novo corte chanel e vermelho. Mas, no fundo, eu estava satisfeita comigo mesma. Tive vontade de me abraçar ali mesmo, no meio da rua. Por isso, resolvi escrever esse texto. É o meu desejo para toda menina, moça e mulher: seja a mulher da sua vida!

Por Rebeca Bedone. Revista Bula.

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