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A Verdade sobre a Busca pela Felicidade

Por Fred Canto e Castro

Eu quero ser feliz. Quero muito fazer o que gosto, onde gosto, quando gosto, e com quem gosto. Mas quero muito mais ter e ser a alegria de viver que contagia toda a gente à minha volta.

Em Busca da Felicidade

Vivemos numa sociedade que nos encoraja, cada vez mais, a procurarmos ser felizes.

Acredito que a intenção por detrás da pressão social é bastante positiva, visto que o objetivo é estarmos num bom estado emocional, dado que as nossas emoções são o fator que mais determina a nossa qualidade de vida.

Contudo, a felicidade de que tanto se fala é incentivada a ser procurada, e encontrada, no mundo exterior. Falo de exterior como externo ao ser, externo à nossa experiência interna da vida. A publicidade diz-nos que vamos ser felizes quando comprarmos aquele carro, aquele vestido, ou aquele perfume. As redes sociais dizem-nos que vamos ser felizes quando fizermos aquela viagem, quando tivermos aquele corpo, ou aquela quantidade de likes numa fotografia. A sociedade no geral diz-nos que vamos ser felizes quando tivermos um bom cargo, numa boa empresa, com prosperidade financeira.

De facto, é verdade que tudo isso nos deixa mais felizes. Mas essa felicidade não dura muito tempo. Uma promoção no trabalho fez-nos sentir importantes durante umas semanas. O carro que comprámos deixou-nos em êxtase durante uns dias. E os likes nas redes sociais não duraram mais que umas horas.

Quando a felicidade efémera desaparece, invade-nos um pequeno ou grande vazio que vamos depois tentar preencher com tudo aquilo que nos faz felizes: ligamos a uns amigos para ir jantar fora, vemos uma série, ou postamos mais uma fotografia nas redes.

Assim, tornamo-nos escravos da busca da nossa felicidade. Procuramos incessantemente compensar um vazio interior com uma atividade exterior que nos faça sentir menos vazios. Sabemos que, ultimamente, não é a promoção, nem o carro, nem o post que nos vai deixar preenchidos, e que vamos estar constantemente em busca de mais, e mais, e mais… Entramos num ciclo vicioso que não acaba, que nos deixa adictos a estar ocupados e sucessivamente à procura do próximo estímulo.

Para além da dependência do exterior, a felicidade é também sempre projetada num momento futuro. Acreditamos que vamos finalmente ser felizes quando chegarmos “lá” (onde quer que isso seja). Pode ser num futuro distante, como quando encontrarmos o nosso companheiro de vida, quando formos de férias, ou quando finalmente começarmos a trabalhar em algo que gostamos; ou pode ser num futuro próximo, como quando chegarmos a casa depois do trânsito que detestamos, quando começarmos a jantar depois de cozinhar ou quando acabarmos de lavar a loiça e formos dormir.

Sem dúvida que a minha vida ficou melhor quando conheci a minha namorada, sem dúvida que adoro ir de férias, e sem dúvida que vivo para trabalhar no que gosto. Mas porque não estar no trânsito com alegria? Porque não cozinhar com alegria? Porque não lavar a loiça com alegria? Por que teremos que esperar por algo que nos vai trazer “felicidade”?

Um Testemunho do que é Possível

Nos dias de maior calor do último Verão, começaram-me a aparecer baratas em casa, o que me obrigou a chamar ajuda profissional para desbaratizar a casa.  Às 8h da manhã, estava eu ainda sonolento e de pijama, quando me entra em casa, de sorriso na cara, um senhor nos seus cinquenta anos, imigrante de São Tomé e Príncipe. Começou imediatamente a desbaratizar enquanto cantarolava, numa boa disposição contagiante. Meti conversa com ele e, quando lhe perguntei há quanto tempo trabalhava como desbaratizador, disse-me que o fazia há vinte anos. Fiquei estupefacto. Não queria acreditar. Este ser humano, que todos os dias desde há 20 anos acorda cedo para ir onde mais ninguém quer, fazer o que mais ninguém se atreve, vive com uma alegria e boa disposição maior do que praticamente qualquer outra pessoa que conheço. Se é possível encontrar alegria no meio das baratas, é possível fazê-lo em qualquer situação. Fiquei com uma admiração profunda por este senhor, é a personificação da famosa Joi de Vivre. Há poucas pessoas no mundo como as quais gostava de ser, e ele é uma delas.

A Alegria de Viver

Ao contrário da felicidade, que existe no futuro e no exterior, a alegria de viver existe no presente e no interior, aqui e agora. É uma forma de sentirmos as emoções que queremos sentir que não depende do que acontece no mundo exterior, e que nos está acessível a qualquer momento, através do mundo interior. Uma forma que não depende de chegarmos onde queremos chegar, ou de estarmos constantemente ocupados, mas apenas de agradecermos o facto de, simplesmente, existirmos neste momento.

A alegria de viver é uma atitude perante a vida. Uma forma de estar, e uma forma de ser. Advém de agradecermos pelo dom da vida, de agradecermos por estarmos vivos, e de agradecermos por tudo o que a vida nos dá, seja algo que queremos ou não.

Os gregos chamam-lhe chairo, a apoteose da realização pessoal, que vem de uma plena relação espiritual com o universo, e se traduz num leve estado de espírito e uma alegria imensa que nos permeia a alma.

Todos conhecemos aquela pessoa que tem tudo, e que encontra sempre uma forma de estar chateada. E todos conhecemos também aquela pessoa a quem a vida aparentemente não sorri mas que, mesmo assim, sorri de volta à vida com uma força e fé inabaláveis.

Eu quero ser feliz. Quero muito fazer o que gosto, onde gosto, quando gosto, e com quem gosto. Mas quero muito mais ter e ser a alegria de viver que contagia toda a gente à minha volta, independentemente do que se passa no mundo exterior.

Fred Canto e Castro tem 25 anos e é o fundador da Sonder, uma agência presente em Lisboa, Porto, e Barcelona, que ajuda as marcas a criar publicidade mais verdadeira ao conectá-las com pessoas autênticas para serem as estrelas nos seus anúncios. Está neste momento a construir o movimento global #IAmHuman com o apoio do futuro Rei da Noruega. É um apaixonado por desenvolvimento pessoal e comportamento humano. Integrou os Global Shapers em 2018.

Fonte: O Observador. 12.2.2019.

 

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