Por Tela Mística

🌌 Portal de Entrada
“Estamos ainda no jogo?”
Essa pergunta em eXistenZ não é roteiro — é ontologia.
Cronenberg não quer saber se a realidade é falsa.
Ele quer saber algo pior:
e se não houver mais diferença entre real e simulado?
Aqui, não há pílula vermelha.
Há biotecnologia enfiada na espinha.
🎥 A História que a Tela Conta
Allegra Geller é uma designer de jogos orgânicos — mundos virtuais conectados diretamente ao sistema nervoso através de bio-ports, entradas de carne implantadas na coluna.
Durante o lançamento de seu novo jogo, eXistenZ, ela sofre um atentado e foge com Ted Pikul, um homem comum, inseguro, desconfiado da tecnologia.
Para escapar, eles entram no jogo.
Mas logo percebem algo perturbador:
o jogo não apenas simula escolhas — ele exige comportamentos.
Os personagens começam a agir sem saber se a vontade é deles ou do sistema.
E quando saem do jogo… nada garante que realmente saíram.
🎶 O Feitiço da Estética
Tudo em eXistenZ é orgânico, úmido, pulsante.
Nada é metálico ou limpo.
Os consoles parecem órgãos vivos.
As armas são feitas de ossos.
A tecnologia não é fria — é carnal.
Cronenberg faz questão de causar repulsa porque quer deixar claro:
o futuro não será higienizado — será biológico.
O desconforto é o método.
✨ A Essência do Filme
A essência de eXistenZ é a perda definitiva da referência.
Não existe mais “vida real” como ponto fixo.
Existe apenas nível de imersão.
O filme destrói uma fantasia muito popular:
a de que acordar de uma simulação nos devolveria controle.
Aqui, não há controle.
Só camadas de condicionamento.
O livre-arbítrio é colocado em xeque não por máquinas,
mas por narrativas programadas.
🔮 Tela Mística – O Invisível por Trás da Tela
eXistenZ é profundamente gnóstico e pós-humano.
O jogo é o Demiurgo:
um criador de mundos imperfeitos que manipula desejos, instintos e decisões.
Os jogadores são almas encarnadas em sistemas sucessivos,
acreditando ser livres enquanto seguem scripts invisíveis.
A diferença brutal para Matrix é esta:
não há “fora do sistema”.
O corpo é o portal.
A mente é o campo de batalha.
E a consciência… pode ser apenas mais uma função do jogo.
Cronenberg propõe algo perturbador:
talvez a realidade sempre tenha sido interativa
e nós apenas aprendemos a chamar isso de vida.
🔑 A Última Chave – Explicação do Final
No final, Allegra e Ted parecem sair do jogo.
Eles matam os criadores de um sistema chamado transCendenZ — uma espécie de “anti-realidade”.
Mas a pergunta final cai como uma lâmina:
“Ainda estamos no jogo?”
Não há resposta.
E esse é o ponto.
O filme termina afirmando que a dúvida é permanente.
Não existe chão ontológico.
Só a experiência imediata.
Se estamos no jogo, não importa.
Se não estamos, também não.
O que importa é:
quem está escrevendo o roteiro das suas escolhas?
🕯️ Epílogo – O Corpo Como Última Fronteira
eXistenZ não quer que você acorde.
Quer que você desista da ilusão de acordar.
Talvez não exista um nível final.
Talvez a consciência seja apenas a sensação de estar jogando bem.
E talvez a espiritualidade do futuro não seja transcendência —
mas lucidez dentro do jogo, mesmo sem saída.
Cronenberg não oferece salvação.
Oferece honestidade.
E isso, fi, já é brutalmente espiritual.
🎬 Os filmes não acabaram — há sempre uma cena pós-créditos. Descubra-a em:
✍️ Editores do Factótum Cultural





Deixe um comentário