Este cenário encontra eco na obra de Byung-Chul Han, “A Sociedade do  Cansaço”, que descreve os efeitos devastadores da busca incessante de  realização, manifestando-se num alarmante aumento das doenças mentais.  Zygmunt Bauman, em “Amor Líquido”, analisa a fragilidade das relações  humanas na modernidade líquida, afirmando que “as relações humanas se  tornaram tão frágeis quanto a própria vida social” (Bauman, 2004).  

Esta instabilidade reflete a natureza efêmera de um mundo em constante  mudança. Para Byung-Chul Han (2015), a sociedade contemporânea sofre de  exaustão, impulsionada pela pressão incessante por produtividade e ganhos  materiais, sob a ilusão de que esta busca conduz à realização pessoal. O autor  afirma que “vivemos numa sociedade que exalta a produtividade a todo custo,  onde o indivíduo tornou-se o seu próprio carrasco” (Han, 2015), aprisionando-o  num ciclo de busca incessante por uma felicidade ilusória, resultando em  esgotamento físico e mental e frequentemente culminando em burnout, crises existenciais e perda de sentido.  

Como administrar esta situação? Autores de psicologia positiva, como Seligman (2011), apontam para o bem-estar e as virtudes humanas, propósito,  prazer, realização, envolvimento e relações sociais, como caminhos possíveis.  No entanto, a superficialidade das relações e a pressão por resultados na  sociedade atual transformam paradoxalmente a busca pela felicidade numa  fonte de ansiedade.  

Em observações em diversos contextos sociais, supermercados, ginásios,  eventos, percebo uma certa inércia nas expressões emocionais, como se as  pessoas usassem máscaras, ocultando angústias existenciais.  

Como acertadamente observa Han (2015), “o sujeito contemporâneo não  é somente cansado, mas também apático e sem objetivo, resultando num vazio  existencial que pode levar à autodestruição”. Torna-se, assim, urgente um  retorno a valores que promovam a conexão, a empatia e a autorreflexão,  frequentemente negligenciados numa sociedade digitalmente interligada. Em  condições emocionais favoráveis, podemos mobilizar os nossos recursos  cognitivos para analisar uma sociedade que anseia por liberdade e sentido  existencial.  

Percebo na perspectiva de Spinoza, no “Tratado Teológico-Político”,  quando destaca a importância da compreensão racional das emoções e da  busca pela liberdade, definindo a felicidade não como uma posse, mas como  “um estado resultante de uma vida guiada pela razão e pela compreensão da nossa própria natureza” (Spinoza, 2009). Esta abordagem reforça a ideia de que  a felicidade se constrói através do autoconhecimento e da compreensão do  mundo, para além da satisfação de desejos materiais ou sociais. 

Desligar-se temporariamente das obrigações e dedicar-se a uma profunda  reflexão sobre o que importa para uma vida plena e significativa pode ser um ato  de coragem. Isso permite reconhecer a importância da nossa história pessoal,  dos laços afetivos e da conexão humana, tendo como pilares o autoconhecimento, o autocontrole e a autorrealização. Assim, contribuímos para  uma sociedade composta por indivíduos e comunidades conscientes do seu  papel na construção de um futuro otimista, proativo e saudável. 

Referências 

1. BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços  humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2004. 

2. HAN, Byung-Chul. A sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2015. 

3. SELIGMAN, Martin. Flourish: a visionary new understanding of  happiness and well-being. New York: Free Press, 2011. 

Adriano Nicolau da Silva, Psicoterapeuta, Neuropsicopedagogo e Neuroeducador. Graduado em Psicologia e Filosofia. Especialista nas áreas de educação e clínica. Uberaba, MG. Colunista do Factótum Cultural. E-mail: adrins@terra.com.br.

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