Resumo: Este artigo visa destacar a relevância da terapia cognitivo comportamental no tratamento do transtorno dependente. Esta terapia psicológica tem mostrado resultados positivos para pacientes com comportamentos  de submissão e medo de separação, resultando em  comportamentos exagerados de dependência. O texto  apresenta um estudo bibliográfico acerca da efetividade  da TCC e das técnicas empregadas, fundamentado em  pesquisas recentes. 

Palavras-chave: Transtorno da personalidade dependente;  Psicoterapia cognitivo-comportamental; Eficácia. 

The Role of Cognitive-Behavioral Therapy in the  Treatment of Dependent Personality Disorder:  Efficacy and methods used

Summary: This article aims to highlight the relevance of cognitive behavioral therapy in the treatment of dependent disorder. This psychological therapy has shown positive results for  patients with submissive behaviors and fear of separation,  resulting in exaggerated addictive behaviors. This text  presents a bibliographic study on the effectiveness of CBT  and the techniques used, based on recent research. 

Keywords: Dependent personality disorder; Cognitive behavioral psychotherapy; Effectiveness.   

1. Introdução

O Transtorno da Personalidade Dependente é um  dos diversos transtornos de personalidade descritos no  DSM-5. Em geral, indivíduos com transtorno de  personalidade dependente apresentam dificuldades para  tomar decisões, têm medo de desagradar a outros e podem  se sentir incapazes de cuidar de si (American Psychiatric  Association, 2013). A TCC, desenvolvida por Aaron T.  Beck, nos anos 1960, tem como foco principal identificar  e modificar padrões de pensamento disfuncionais e  comportamentos problemáticos (Beck, 1976). 

Segundo o DSM-5 do Transtorno da Personalidade  Dependente, os seguintes comportamentos ficam em  evidência no paciente. A necessidade excessiva de ser  cuidado, que resulta em um comportamento submisso,  além de medos de separação, é uma característica que se  manifesta no início da idade adulta e está presente em uma  variedade de contextos: dificuldade em tomar decisões cotidianas sem uma quantidade excessiva de sugestões e  suporte por parte de outros indivíduos; a necessidade de  que os outros assumam a responsabilidade pelas principais  áreas de sua vida; dificuldade em expressar, devido ao  medo de perder apoio ou aprovação; dificuldade em iniciar  projetos ou realizar tarefas por conta própria devido à falta  de confiança em seu julgamento ou capacidade; falta de  motivação ou energia; faz de tudo para obter carinho e  apoio, chegando a oferecer-se para fazer coisas  desagradáveis; sente desconforto ou desamparo quando só,  devido a medo exagerado de ser incapaz de cuidar de si;  procura um novo relacionamento como fonte de carinho e  amparo, quando um relacionamento íntimo se rompe;  preocupação irrealista com temores de ser abandonado à  própria sorte. 

A pessoa que desenvolve transtorno da  personalidade dependente apresenta uma necessidade  obsessiva de depender de outra pessoa para sobreviver.  Sendo assim, o psicoterapeuta deve estabelecer um  cuidado especial no vínculo com o seu paciente. 

Em análises clínicas, é possível identificar  sentimentos relacionados às verbalizações, tais como:  incapacidade, desilusão, insegurança, culpa, dependência,  insatisfação, angústia, solidão e pessimismo. Ao examinar  o repertório comportamental do paciente, é possível notar  um impacto significativo no funcionamento  biopsicossocial.

A principal crença dos pacientes com  personalidade dependente é que não são capazes de se  manterem saudáveis. Utilizam a subserviência para  despertar a atenção dos outros. A dependência é,  geralmente, projetada em membros da família, chefes no  trabalho, pessoas que expressam autoridade ou amigos  próximos para que estes possam tomar decisões simples,  como, por exemplo, escolher uma roupa ou um local de  trabalho. Os sentimentos que surgem envolvem a  inferioridade e insegurança, que subestimam suas  habilidades e competências, aliados a uma vigilância  excessiva em relação às críticas externas, provocando um  medo intenso de perder a aprovação e experimentar o  abandono. 

Frequentemente, as oportunidades que envolvem  um investimento intelectual, trabalho e novas amizades  são negligenciadas para evitar a responsabilidade. Assim,  essas pessoas se engajam em atividades prejudiciais para  fugir da solidão. A vida social se restringe a confiar em um  número restrito de indivíduos com quem se pode contar o  tempo todo. 

Portanto, quando um relacionamento termina,  surge o desespero para suprir essa falta, evitando a  sensação de desamparo. Neste cenário, devido às suas  necessidades de validação, pessoas com transtorno de  personalidade dependente tendem a ser solícitas,  agradáveis e submissas nas interações sociais, sempre  visando atrair a presença alheia em suas vidas.

2. Métodos

Uma pesquisa bibliográfica em bases de dados  acadêmicas como PubMed, PsycINFO e Scopus,  empregando termos como Transtorno da personalidade  dependente; Psicoterapia cognitivo-comportamentalEficácia

Foram selecionados artigos recentes que  abordavam o uso da TCC no tratamento do TPD. Os  seguintes instrumentos podem ser empregados para avaliar  e intervir: Entrevista Semi-dirigida; Critérios Diagnósticos  para Transtorno de Personalidade Dependente (APA,  1994); Inventário Beck de Depressão (BDI) (Beck, Steer  e Garbin, 1988); Inventário de Ansiedade Traço-Estado  (Spielberger, Gorsuch e Lushene, 1979); Inventário de  Ansiedade Traço-Estado (IDATE) (Spielberger,  Spielberger, D.; (1979)

3. Resultados e Discussão

A importância da terapia cognitivo comportamental no apoio a indivíduos com transtorno de  personalidade dependente é clara nos estudos da  pesquisadora D’Zurilla e Nezu (2010), que demonstram  que a TCC é eficiente na diminuição dos sintomas do  TPD, incentivando maior independência e competências  sociais. Uma revisão sistemática conduzida por Hofmann  et al. (2012) confirmou que a Terapia Cognitivo-Comportamental é benéfico em transtornos de  personalidade, incluindo o TPD

4. Métodos Utilizados

A reestruturação cognitiva é uma ferramenta que  auxilia os pacientes a perceber e contestar pensamentos  disfuncionais, como a ideia de que necessitam da opinião  de outros para fazer escolhas (Beck, 2011). 

De acordo com Beck e Freeman (1993), pessoas  com transtorno de personalidade dependente se percebem  como carentes, vulneráveis, indefesas e inaptas, ao passo  que outras são percebidas como provedoras, apoiantes e  capazes. As suas crenças fundamentais incluem:  dependemos dos outros para sobreviver e ser feliz,  necessito de um fluxo contínuo de apoio e estímulo. As  técnicas de terapia cognitiva comportamental melhoram a  efetividade do tratamento, tratando de clientes e casos mais  complexos, avaliando e direcionando o paciente para um  avanço apropriado. (FRIEDBERG; McCLUREGARCIA, 2011). 

Existem algumas críticas à suposta rigidez da  psicoterapia cognitivo-comportamental. No entanto,  quando a terapia enfatiza a empatia, a cortesia e o respeito  integral às necessidades do paciente, isso se transforma em  um aspecto favorável. 

No entanto, é importante notar que uma técnica que  funciona para um cliente pode não funcionar para outro,  sendo necessário ter conhecimento e flexibilidade para  implementar outras técnicas com a mesma finalidade  (LEAHRY, 2006). 

Segundo Knapp, 2004, p. 134. 

Os pensamentos automáticos são usualmente os primeiros tipos de cognição que o paciente aprende a identificar, com o intuito de posteriormente avaliar sua validade e/ou utilidade e corrigi-los. Pensamentos automáticos (que podem ser palavras, imagens ou memórias) estão na borda da consciência e são parte tão integrante da visão que o paciente tem de si e do mundo que eles parecem distorcidos ou problemáticos, afigurando-se completamente plausíveis. 

5. Conclusão

No processo de psicoterapia, o paciente com TPD  terá a chance de reinterpretar suas crenças mais profundas  e sua visão sobre os eventos, aprimorando as relações  humanas. A técnica de reestruturação cognitiva possibilita  o desenvolvimento de novas atitudes assertivas frente à  alteração de pensamentos e emoções. Ao adquirir novos  repertórios comportamentais, a tendência é a constante participação no auto-reforço. 

A Terapia Cognitivo-Comportamental provou ser  uma psicoterapia eficaz no tratamento do Transtorno da  Personalidade Dependente, fornecendo aos pacientes  recursos para gerenciar seus sintomas e aprimorar suas  interações interpessoais. Pesquisas futuras devem analisar  a eficácia da TCC a longo prazo e explorar combinações  com outras técnicas psicoterapêuticas. 

6. Referências

1 – AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION.  DSM-5: manual diagnóstico e estatístico de  transtornos mentais. 5. ed. Porto Alegre: Artmed,  2014. 

2 – American Psychiatric Association. (2013).  Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders  (5th ed.). Arlington, VA: American Psychiatric  Publishing. 

3 – Beck, A.; Steer, R. A. e Garbin, M. G. (1988).  Psychometric properties of the Beck depression  inventory: twenty-five years of evaluation. Clinical  Psychology Review, 8, 77-100.  

4 – Beck, A. T. (1976). Cognitive Therapy and the  Emotional Disorders. New York: Penguin Books.

5 – Beck, J. S. (2011). Cognitive Behavior Therapy:  Basics and Beyond. New York: Guilford Press. 

6 – Beck, A. T. Freeman, A. (1993). Terapia Cognitiva dos  Transtornos de Personalidade. Porto Alegre: Artmed. 

7 – FRIEDBERG, R. D.; MCCLURE, J. M.; GARCIA, J.  H. Técnicas de terapia cognitiva para crianças e  adolescentes. Porto Alegre: Artmed, 2011. 

8 – KNAPP, P. Terapia cognitivo-comportamental na  prática psiquiátrica. Porto Alegre: Artmed, 2004. 

9 – LEAHY, R. L. Técnicas de terapia cognitiva: manual  do terapeuta. Porto Alegre: Artmed, 2006. 

10 – D’Zurilla, T. J. e Nezu, A. M. (2010). Problem Solving Therapy: A Social Competence Approach to  Clinical Intervention. New York: Springer. 

11 – Hofmann, S. G., Asnaani, A., Vonk, I. J. J., Sawyer,  A. T. e Fang, A. (2012). The Efficacy of Cognitive  Behavioral Therapy: A Review of Meta-analyses.  Cognitive Therapy and Research, 36(5), 427-440. 

12 – Kernberg, O. F. (2016). A Psychoanalytic  Perspective on the Treatment of Borderline States. In:  Borderline Conditions and Pathological Narcissism.  New York: Jason Aronson. 

13 – Paz, L. A. Ferreira, A. C. e Lima, M. R. (2015).  Eficácia da Terapia Cognitivo-Comportamental no  Tratamento de Transtornos de Personalidade: Uma  Revisão. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas,  11(2), 45-50. 

14 – Spielberger, C. D.; Gorsuch, R. L. e Lushene, R. E.  (1979). Manual de psicologia aplicada. Inventário de  Ansiedade Traço-Estado IDATE. Tradução organizada  por A.M.B. Biaggio e L. Natalício. Rio de Janeiro:  CEPA. (Trabalho original publicado em 1970). 

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