Por Adriano Nicolau da Silva

A inteligência emocional tem ganhado importância nas relações humanas atuais. A capacidade de reconhecer tanto os sentimentos dos outros quanto os próprios, é fundamental para construir confiança e facilitar o cotidiano pessoal e profissional. Ao desenvolver um conjunto de comportamentos assertivos e uma comunicação que repercute com a mensagem do outro, a autenticidade nas interações torna-se mais acessível em diversas áreas da vida.
As interações entre as pessoas funcionam como o impulso necessário para atingir todos os objetivos que satisfaçam os interesses humanos. É importante refletir e reestruturar grande parte da informação e do conhecimento que recebemos ao longo da história da educação. Citamos, por exemplo, Martin Buber e a sua relação dialógica entre eu e tu, ilustrando a importância dessa interação na construção da sua teoria. Aqui estão as diferentes formas de posicionamento no mundo através da realidade objetiva e existencial. Neste ponto, para ele, o mundo o representa e o outro é o mundo pessoal que lhe é atribuído, complementando os demais.
Neste sentido, os dois modos se complementam no mundo.
Não há eu-em-si, mas apenas o Eu da palavra-princípio Eu-Tu e o Eu da palavra princípio Eu-Isso. Quando o homem diz. Eu, ele, quer dizer, um dos dois. O Eu a que ele se refere está presente quando ele diz. Eu. Do mesmo modo, quando ele profere Tu ou Isso, o Eu de uma ou outra palavra-princípio está presente. Ser. Eu, ou proferir a palavra princípio. Eu sou uma só ou o mesmo. Aquele que profere uma palavra-princípio penetra nela e aí permanece. (Buber, Eu e Tu. p. 4).
Na atualidade, é necessário reconsiderar os processos de comunicação, empatia e a nossa inteligência emocional. Wittgenstein, um filósofo da linguagem, acreditava que as palavras simbolizam objetos na sociedade em que estamos inseridos. Precisamos de regras que nos permitam jogar nos limites de expressão de cada linguagem, não há uma linguagem superior à outra (CABRERA, 2006, p. (193).
As linguagens têm os seus limites, é claro, mas o que não se pode dizer é que a ausência de palavras represente algum tipo de limite absoluto. Wittgenstein quis determinar os limites da linguagem de forma absoluta e definitiva. Mas os limites são relativos ao poder de expressão de cada linguagem e não existe uma linguagem privilegiada a partir da qual possamos julgar as capacidades de todas as outras. (CABRERA, 2006, p. 381)
Durante a história da filosofia e da psicologia, as interações humanas foram enfatizadas como um elemento crucial na busca por uma melhor compreensão da realidade.
Na sociedade moderna, as relações interpessoais são percebidas como vínculos frágeis, ou, conforme destacou Bauman, “líquidos”. Isso implica que as pessoas estão se distanciando na busca de conexões emocionais profundas e no desenvolvimento a partir de laços amorosos. Até o século XIX, as demonstrações de afeto eram consideradas relações duradouras, que geravam apoio e proteção mútua, além de oferecer uma sensação de segurança diante dos desafios da vida. Atualmente, questionamos como interagimos no contexto atual, que exige de nós uma adaptação constante à tecnologia para atender às demandas do trabalho e da convivência social.
A influência das tecnologias emergentes obriga o ser humano a se adaptar constantemente em busca de novas habilidades. Conforme Pagamunci (2011, p. 2), elucida:
Os caminhos de aprendizado e desenvolvimento pessoal na atualidade, marcados pela rápida e eficiente circulação de informações e pela obtenção de conhecimento impulsionada pelos avanços nas ciências e tecnologias, têm trazido novas exigências e desafios tanto para a educação quanto para o envolvimento do indivíduo na sociedade.
As interações humanas na era moderna estão se dirigindo para um estágio que leva a profundas reflexões e posicionamentos. Porque, ao estabelecer uma relação humana virtual falsa, entramos na realidade enganosa da satisfação obtida nos encontros humanos.
Segundo o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br/NIC.br), que conduziu a pesquisa, cerca de 84% da população brasileira utiliza as redes sociais. O acesso, dependendo da região, é bastante desigual.
Segundo Libânio (1997, p. 15), cada vez mais a sociedade industrial avançada reconhece a relevância da informação como instrumento de produção econômica. Embora não deixemos de lado as interações presenciais, devemos considerar o investimento em pesquisas científicas voltadas para a adaptação de uma realidade virtual capitalista e a sua produção econômica. A inclusão ou marginalização de pessoas será determinada pelo investimento que estão fazendo em conhecimento e novas habilidades neste mundo consumista. Acreditamos que, ao investir no autoconhecimento, a compreensão do mundo virtual e presencial pode acontecer de forma natural, levando ao processo de equilíbrio diante dos obstáculos impostos pelo sistema econômico, social e político.
Não é possível substituir a mente, com a sua complexidade de imaginar, criar, raciocinar, sentir, intuir e entender. O curioso é que, muitas vezes, somos nós que damos as instruções para ela. É fundamental reconhecermos as inovações tecnológicas e o seu impacto positivo nas interações na “internet”. Contudo, em vez de amenizar a ansiedade de alguns, intensificam a fuga e a esquiva daqueles que, insatisfeitos, acabam se aprofundando ainda mais nas armadilhas do isolamento, fomentando a insegurança pessoal. É essencial ter controle sobre as nossas emoções para atingir a liberdade individual, evitando enxergar o próximo como um objeto de compra ou de consumo. É conhecido que o crescimento humano acontece na interação com outros indivíduos e, ao entendermos as nossas emoções, sentimo-nos mais seguros sobre nós mesmos e sobre os outros. A habilidade de gerenciar as nossas necessidades internas, tais como pensamentos e emoções, nos capacita a enfrentar circunstâncias desfavoráveis que podem gerar conflitos interpessoais, prejudicando a confiança e os vínculos saudáveis.
Uma competência essencial nas relações humanas é a capacidade de identificar a inteligência emocional, como o autocontrole, ao fazer escolhas, particularmente em situações de estresse. O processo de empatia, que respeita e compreende as necessidades alheias, é um elemento fundamental nas relações humanas. A empatia tem um papel fundamental na comunicação, fomentando interações e balanceando as diferenças. Neste ponto, a sociabilização acontece de forma espontânea, fortalecendo a confiança nos indivíduos, tornando a administração de conflitos mais simples e propondo mudanças a curto e longo prazo.
Portanto, quando temos equilíbrio, resultado de saúde mental e resiliência, somos aptos a lidar com adversidades e aproveitar mais as relações interpessoais. A inteligência emocional fortalece a pessoa e as suas relações, estimulando as habilidades e competências para gerir crenças irracionais e pensamentos não assertivos, promovendo o desenvolvimento integral diante dos obstáculos da vida.
Assim, ao identificarmos as nossas habilidades e limitações, temos a oportunidade de reprogramar a nossa mente para uma vida repleta de possibilidades.
E você, como incorpora a inteligência emocional ao seu cotidiano?
Referências
1. Bauman Z. Amor líquido. Rio de Janeiro: Jorge Zahar; 2004.
2. CABRERA, Julio. O cinema pensa: uma introdução à filosofia através dos filmes. Trad. Ryta Vinagre. Rio de Janeiro: Rocco, 2006.
3. LIBÂNIO, J. B. Caminhada da Educação Libertadora: a Medellin de nossos dias. Revista da Educação AEC. Ano 26, n. 105, outubro dezembro de 1997.
4. PAGAMUNCI, Mirian Eduarda. Tecnologia, Inovação e Educação: uma Análise Reflexiva. 2011.

Adriano Nicolau da Silva, Psicoterapeuta, Neuropsicopedagogo e Neuroeducador. Graduado em Psicologia e Filosofia. Especialista nas áreas de educação e clínica. Uberaba, MG. Colunista do Factótum Cultural. E-mail: adrins@terra.com.br.
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