A inteligência emocional tem ganhado importância  nas relações humanas atuais. A capacidade de reconhecer  tanto os sentimentos dos outros quanto os próprios, é  fundamental para construir confiança e facilitar o cotidiano  pessoal e profissional. Ao desenvolver um conjunto de  comportamentos assertivos e uma comunicação que  repercute com a mensagem do outro, a autenticidade nas  interações torna-se mais acessível em diversas áreas da  vida. 

As interações entre as pessoas funcionam como o  impulso necessário para atingir todos os objetivos que  satisfaçam os interesses humanos. É importante refletir e  reestruturar grande parte da informação e do conhecimento  que recebemos ao longo da história da educação. Citamos,  por exemplo, Martin Buber e a sua relação dialógica entre eu e tu, ilustrando a importância dessa interação na  construção da sua teoria. Aqui estão as diferentes formas  de posicionamento no mundo através da realidade objetiva  e existencial. Neste ponto, para ele, o mundo o representa  e o outro é o mundo pessoal que lhe é atribuído,  complementando os demais. 

Neste sentido, os dois modos se complementam no  mundo. 

Não há eu-em-si, mas apenas o Eu da palavra-princípio Eu-Tu e o Eu da palavra princípio Eu-Isso. Quando o homem diz. Eu, ele, quer dizer, um dos dois. O Eu a que ele se refere está presente quando ele diz. Eu. Do mesmo modo, quando ele profere Tu ou Isso, o Eu de uma ou outra palavra-princípio está presente. Ser. Eu, ou proferir a palavra princípio. Eu sou uma só ou o mesmo. Aquele que profere uma palavra-princípio penetra nela e aí permanece. (Buber, Eu e Tu. p. 4). 

Na atualidade, é necessário reconsiderar os  processos de comunicação, empatia e a nossa inteligência  emocional. Wittgenstein, um filósofo da linguagem, acreditava que as palavras simbolizam objetos na  sociedade em que estamos inseridos. Precisamos de regras  que nos permitam jogar nos limites de expressão de cada  linguagem, não há uma linguagem superior à outra  (CABRERA, 2006, p. (193). 

As linguagens têm os seus limites, é claro, mas o que não se pode dizer é que a ausência de palavras represente algum tipo de limite absoluto. Wittgenstein quis determinar os limites da linguagem de forma absoluta e definitiva. Mas os limites são relativos ao poder de expressão de cada linguagem e não existe uma linguagem privilegiada a partir da qual possamos julgar as capacidades de todas as outras. (CABRERA, 2006, p. 381) 

Durante a história da filosofia e da psicologia, as  interações humanas foram enfatizadas como um elemento  crucial na busca por uma melhor compreensão da  realidade. 

Na sociedade moderna, as relações interpessoais  são percebidas como vínculos frágeis, ou, conforme  destacou Bauman, “líquidos”. Isso implica que as pessoas  estão se distanciando na busca de conexões emocionais profundas e no desenvolvimento a partir de laços  amorosos. Até o século XIX, as demonstrações de afeto  eram consideradas relações duradouras, que geravam  apoio e proteção mútua, além de oferecer uma sensação de  segurança diante dos desafios da vida. Atualmente,  questionamos como interagimos no contexto atual, que  exige de nós uma adaptação constante à tecnologia para  atender às demandas do trabalho e da convivência social. 

A influência das tecnologias emergentes obriga o  ser humano a se adaptar constantemente em busca de  novas habilidades. Conforme Pagamunci (2011, p. 2), elucida: 

Os caminhos de aprendizado e desenvolvimento pessoal na atualidade, marcados pela rápida e eficiente circulação de informações e pela obtenção de conhecimento impulsionada pelos avanços nas ciências e tecnologias, têm trazido novas exigências e desafios tanto para a educação quanto para o envolvimento do indivíduo na sociedade. 

As interações humanas na era moderna estão se  dirigindo para um estágio que leva a profundas reflexões e posicionamentos. Porque, ao estabelecer uma relação  humana virtual falsa, entramos na realidade enganosa da  satisfação obtida nos encontros humanos.  

Segundo o Centro Regional de Estudos para o  Desenvolvimento da Sociedade da Informação  (Cetic.br/NIC.br), que conduziu a pesquisa, cerca de 84%  da população brasileira utiliza as redes sociais. O acesso,  dependendo da região, é bastante desigual. 

Segundo Libânio (1997, p. 15), cada vez mais a  sociedade industrial avançada reconhece a relevância da  informação como instrumento de produção econômica.  Embora não deixemos de lado as interações presenciais,  devemos considerar o investimento em pesquisas  científicas voltadas para a adaptação de uma realidade  virtual capitalista e a sua produção econômica. A inclusão  ou marginalização de pessoas será determinada pelo  investimento que estão fazendo em conhecimento e novas  habilidades neste mundo consumista. Acreditamos que, ao  investir no autoconhecimento, a compreensão do mundo virtual e presencial pode acontecer de forma natural,  levando ao processo de equilíbrio diante dos obstáculos  impostos pelo sistema econômico, social e político. 

Não é possível substituir a mente, com a sua  complexidade de imaginar, criar, raciocinar, sentir, intuir e  entender. O curioso é que, muitas vezes, somos nós que  damos as instruções para ela. É fundamental  reconhecermos as inovações tecnológicas e o seu impacto  positivo nas interações na “internet”. Contudo, em vez de  amenizar a ansiedade de alguns, intensificam a fuga e a  esquiva daqueles que, insatisfeitos, acabam se  aprofundando ainda mais nas armadilhas do isolamento,  fomentando a insegurança pessoal. É essencial ter controle  sobre as nossas emoções para atingir a liberdade  individual, evitando enxergar o próximo como um objeto  de compra ou de consumo. É conhecido que o crescimento  humano acontece na interação com outros indivíduos e, ao  entendermos as nossas emoções, sentimo-nos mais seguros  sobre nós mesmos e sobre os outros. A habilidade de  gerenciar as nossas necessidades internas, tais como pensamentos e emoções, nos capacita a enfrentar  circunstâncias desfavoráveis que podem gerar conflitos  interpessoais, prejudicando a confiança e os vínculos  saudáveis. 

Uma competência essencial nas relações humanas é a  capacidade de identificar a inteligência emocional, como o  autocontrole, ao fazer escolhas, particularmente em  situações de estresse. O processo de empatia, que respeita  e compreende as necessidades alheias, é um elemento  fundamental nas relações humanas. A empatia tem um  papel fundamental na comunicação, fomentando  interações e balanceando as diferenças. Neste ponto, a  sociabilização acontece de forma espontânea, fortalecendo  a confiança nos indivíduos, tornando a administração de  conflitos mais simples e propondo mudanças a curto e  longo prazo. 

Portanto, quando temos equilíbrio, resultado de saúde  mental e resiliência, somos aptos a lidar com adversidades  e aproveitar mais as relações interpessoais. A inteligência emocional fortalece a pessoa e as suas relações,  estimulando as habilidades e competências para gerir  crenças irracionais e pensamentos não assertivos,  promovendo o desenvolvimento integral diante dos  obstáculos da vida.  

Assim, ao identificarmos as nossas habilidades e  limitações, temos a oportunidade de reprogramar a nossa  mente para uma vida repleta de possibilidades. 

E você, como incorpora a inteligência emocional ao  seu cotidiano? 

Referências 

1. Bauman Z. Amor líquido. Rio de Janeiro: Jorge  Zahar; 2004. 

2. CABRERA, Julio. O cinema pensa: uma  introdução à filosofia através dos filmes. Trad.  Ryta Vinagre. Rio de Janeiro: Rocco, 2006. 

3. LIBÂNIO, J. B. Caminhada da Educação  Libertadora: a Medellin de nossos dias. Revista  da Educação AEC. Ano 26, n. 105, outubro dezembro de 1997.

4. PAGAMUNCI, Mirian Eduarda. Tecnologia,  Inovação e Educação: uma Análise Reflexiva.  2011.

Adriano Nicolau da Silva, Psicoterapeuta, Neuropsicopedagogo e Neuroeducador. Graduado em Psicologia e Filosofia. Especialista nas áreas de educação e clínica. Uberaba, MG. Colunista do Factótum Cultural. E-mail: adrins@terra.com.br.

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