por Leandro Karnal

Falar sobre um “projeto pessoal” é tendência. Trata-se de uma escolha individual visando o aprimoramento e um salto estratégico em direção ao futuro.

Mesmo morando em um país tropical, estamos em pleno inverno, uma estação caracterizada pelo recolhimento. Esse período é propício para um projeto de leitura.

Recomendo quatro obras de Albert Camus.

Reconhecido como um dos maiores autores do século XX, o argelino-francês ficou conhecido por sua associação com o existencialismo de seu amigo (e posteriormente rival), Jean-Paul Sartre.

Além disso, Camus foi laureado com o Prêmio Nobel de Literatura e exerceu uma enorme influência sobre o pensamento contemporâneo.

Já que Camus dispensa qualquer tipo de propaganda adicional, vamos direto ao projeto!

Começar pela obra O Estrangeiro é uma decisão excelente: curto, mas denso, e até mesmo mencionado nas letras de uma música da banda The Cure, “Killing an Arab”.

Em seguida, mergulhe na leitura de A Queda. O “juiz-penitente” é menos debatido em comparação com o romance anterior, mas a narrativa esconde belezas singulares. Seu projeto começou com um romance conhecido e agora se estende para um menos famoso.

Agora vem a ideia de projeto mesmo: você precisará de mais energia.

Já conhecendo os dois romances, hora de encarar: A Peste. Após a pandemia, o texto ganhou novo significado: como ficam os medos ancestrais de uma sociedade quando uma doença começa a dominar o cenário? A crise revela muito sobre aquela comunidade, como a covid trouxe nossas mazelas à luz do dia.

Para finalizar o projeto, recomendaria o livro O Mito de Sísifo. Seu começo é conhecido: “Só existe um problema filosófico realmente sério: o suicídio”.

A partir do rei Sísifo e seu tormento no inferno, Camus faz uma reflexão extraordinária sobre a repetição das coisas, a monotonia e aquilo que Sartre tinha denominado um pouco antes: a náusea.

Como encontrar forças para o cotidiano desgastante e sem sentido? Camus indica algumas respostas que podem ou não serem as suas.

Seus prêmios ao final desse projeto:

Ao final dos livros, questões como o sentido da vida terão adquirido outro significado. Surgirão novas perguntas. Haverá um refinamento no seu olhar sobre as coisas se a leitura for cuidadosa.

Albert Camus

amus nasceu quase ao mesmo tempo em que surgiu a Grande Guerra; cresceu como resistente ao avanço nazista na França e, por fim, acompanhou a polarização extrema (e violenta) causada pela guerra da sua Argélia natal contra a metrópole. 

Em números absolutos, cidadãos da primeira metade do século XX viram mais horrores do que nós. Dessa fratura imensa, a Filosofia e a Literatura tiveram de dar uma resposta nova para os sentidos do humano, da liberdade e da vida.

Aprofunde-se, e o inverno terá sido transformador. 

Ler muda sua estratégia no mundo.

LK.

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