por Leandro Karnal

Você tomaria uma pílula que o tornaria gênio/a?
Em 2001, Alan Glynn escreveu o livro The Dark Fields, obra ficcional que serviu de base para o filme Sem Limites (2011).
Do sucesso do filme, surgiu uma série e ambos provocaram uma mudança no livro original, sob o novo título Limitless.
Fundindo aqui livro, filme e série, temos uma droga nova e poderosa: MDT-48. Seu uso produz uma explosão de inteligência no usuário.
O cérebro passa a associar tudo o que já foi lido ou visto e elabora soluções fulminantes para os problemas que antes eram insuperáveis.
Você viu um documentário de madrugada aos 16 anos sobre o conceito de supercordas? Ele está lá, no fundo da sua memória, e a pílula MDT-48 pode trazê-lo à tona, combinando com as aulas que você já viu e associações com outros conhecimentos.
A droga do enredo de ficção não inventa inteligência, apenas permite que você utilize todos os dados possíveis, e desempenhe uma capacidade nova de concentração e de resolução de desafios.
O diálogo, óbvio, é com um dos mais antigos mitos pseudocientíficos do mundo: o que nós utilizamos apenas 10% do total da capacidade do nosso cérebro e que existiria um campo enorme de 90% a explorar.
Acho que isso evita a humilhação de perceber que sim, utilizamos 100% da nossa capacidade e ainda somos o que somos…
Seria bom ter um gênio repousando nas cavernas inexploradas da nossa consciência.
Em 2020, recebi um presente: o livro Life 3.0, escrito pelo professor do MIT, Max Tegmark.

Em sua tradução, a obra recebeu o subtítulo O Ser Humano na Era da Inteligência Artificial. A expressão inteligência artificial evoca os velhos medos da “síndrome de Frankenstein”.
Como no romance da talentosa Mary Shelley, seremos um dia destruídos por nossas criações?
Tegmark destaca os problemas: a definição de inteligência e da própria ideia de consciência. Claro, não existe um conceito sacramentado e hermético que defina “inteligência” ou “consciência”.
O autor da Vida 3.0 está em consonância com a ideia-chave de Nicolelis: não é o nosso universo que dá sentido aos seres conscientes, mas são os seres conscientes que dão sentido ao universo.
A Inteligência Artificial (IA) é um novo limiar que traz desafios e possibilidades.
Tegmark imagina que seria bom discutir bastante e avançar em reflexões antes de dar todo o poder às novas tecnologias.
As leis deveriam ser modernizadas; as desigualdades sociais, diminuídas; e os parâmetros éticos, solidificados antes que tudo fique incontrolável.
Em resumo, nossa velha e humana consciência ainda é o grande desafio, e não exatamente a Inteligência Artificial. O grande problema ético ainda está na Inteligência Natural, não na Artificial.
#RecadoEquipeK
Como o ChatGPT responde às mesmas perguntas feitas para Gilberto Gil, Vik Muniz e Scarlett Marton?
Os aplicativos de inteligência artificial ganharam espaço nos últimos anos, principalmente depois de se popularizarem nas redes sociais, ao imitarem o comportamento humano e nossos padrões de aprendizado.
Entre os múltiplos sistemas, um deles tem chamado cada vez mais atenção: o ChatGPT, um robô alimentado por uma inteligência artificial, desenvolvido no Vale do Silício.
Escala o conceito de enciclopédia: traz dados prontos sobre praticamente tudo, com respostas bem estruturadas e variadas perguntas – sejam questões amplas ou dúvidas bem específicas.
Tecnologias como essa irão dialogar conosco em uma frequência cada vez maior. Aprenderão mais e mais, e melhor (justamente, o conceito de machine learning e deep learning), e trarão respostas inteligentes. É um movimento fora do nosso controle – e neoludistas não têm vez nessa briga.
Isso lhe seduz ou isso lhe assusta?
No vídeo de hoje, já disponível no YouTube, o professor Leandro Karnal desafia o Chat GPT, analisa o conteúdo entregue pelas tecnologias revolucionárias e discute o impacto delas na construção do conhecimento.
Devemos ter medo da evolução tecnológica? Ela vai acabar com o pensamento e a produção de conteúdo humanos? Ela vai substituir os professores?
Um abraço (afinal, este texto não foi escrito pelo ChatGPT, mas por pessoas, que enviam a você esse abraço…)
LK e Equipe K.





