por Leandro Karnal

A escola encontra-se no mesmo grupo do livro, de Deus, do teatro e da família: todos tiveram sua morte anunciada muitas vezes.
A morte de Deus era debatida no século XIX. O fim do livro, na última década do século XX. No entanto, eis que livros – e sobre Deus – continuam vendendo muito. E os detratores de ambos envelhecem e morrem.
Profecias fogem à competência do historiador.
Mal conhecemos o passado. É inútil, portanto, tentar desvendar o futuro. Não cabe a mim analisar algo que não ocorreu, porém, é viável indicar tendências do que pode vir a ser.
Nessa situação, exporei três tendências de uma nova escola – possibilidades de reflexões sobre a pergunta que sempre me fazem:
“Leandro, o que esperar do futuro da educação?” 
Primeira tendência:
Todo celular torna-se um HD externo da memória humana e, ao que parece, não diminuirá.
Assim, a evocação/repetição deixou de ser um foco de aprendizado.
Isso tem impacto enorme sobre modelos de aprendizado e avaliação.
Logo, o treino educacional será guiado, frente a um mar de dados, para aprimorar nossa capacidade de usá-los e classificá-los, ao mesmo tempo em que rejeitamos fake news.
Analisar e selecionar dados da rede para enfrentar perguntas ainda sem resposta é o novo modelo.
Muitos acham que tablets e engenhocas piscantes constituem a escola moderna. Não!
Computadores podem ser ferramentas úteis para ajudar a responder a perguntas boas, mas a modernidade é o projeto pedagógico-filosófico, não a internet ou as telas luminosas.
Segunda tendência:
A escola do futuro precisa desburocratizar-se.
Parte fundamental do esforço do professor é preencher cadernetas, lançar notas, organizar tabelas e relatórios.
Esses procedimentos podem ser, muitas vezes, automatizados.
Os profissionais da educação devem ser mais livres para educar.
A tecnologia pode servir de ferramenta para registrar presença ou digitar notas e calcular médias.
Mas reserva ao humano aquilo que somente o humano pode realizar.
Terceira tendência:
A educação à distância e as orientações não presenciais estão crescendo. Esse seria o fim da escola? Não, apenas a perda do fetiche presencial.
Ensinando por vídeos gravados ou ao vivo, gravando coisas e recebendo textos e trabalhos por e-mail, o professor continua indispensável para elaborar materiais, atuar e avaliar.
O professor virou um curador de conhecimento rico e estruturado.
Perde-se algo, sim: a sociabilidade na escola é muito importante para a educação integral do indivíduo. Teremos de achar alternativas para resolver esse desafio.
A escola não morreu e não morrerá.
Em um mundo que buscará cada vez mais a inteligência do que o capital ou a força física, o futuro de quem ajuda a pensar é brilhante.
O papel da educação tenderá a crescer, mas distante dos padrões atuais.
Criatividade, metodologia de argumentação, expressão oral e escrita, raciocínios ponderados e capacidade crítica pavimentam a estrada do futuro.
A velha escola morrerá, mas a nova será construída pelo nosso esforço de educadores, diretores, coordenadores, alunos, pais e todos os indivíduos que querem um mundo em evolução.
Leitor, o que é sucesso profissional para você?
Não sabemos ao certo o que você pensa sobre o assunto, mas temos um forte palpite: provavelmente é uma conquista que, para ser atingida, exige conhecimento, educação e muito empenho.
No distante século XX, a receita era quase sempre a mesma: um diploma, um emprego, uma carteira assinada, um crachá e uma mesa na firma.
Pronto, se você alcançasse tudo isso, teria a vida ganha!
De lá pra cá, o mundo mudou e as relações estão mais complexas e voláteis.
Transformações ocorrem a todo instante e novos paradigmas surgem incessamente, exigindo de nós algumas habilidades específicas.
Nesse cenário, como me preparar para um futuro incerto?
Sabemos que a educação continua sendo a base de tudo. Mas de que forma?
Como posso me tornar uma pessoa melhor instruída e pronta para o futuro (ou presente) do trabalho?
Quais ferramentas são importantes para a educação contemporânea?
Qual o valor do exercício humano dos professores?
No último capítulo da série “Profissional do Futuro”, o professor Leandro Karnal convida você a refletir sobre essas questões.
Também aborda a importância da educação para os novos tempos, e como pais, professores e empresas podem desenvolver cabeças pensantes – que vão além do conhecimento técnico.
Para assistir ao vídeo completo, acesse:
Um último recado, Leitor.
Na semana passada, anunciamos a nossa pesquisa de opinião.
De forma resumida, a ela é um guia que nos permite conhecer as suas preferências e, a partir disso, nortear o professor Leandro Karnal na produção de conteúdos melhores e mais interessantes para você.
Por isso, fica aqui nosso convite: se você ainda não participou, clique no botão abaixo e conte-nos o que você pensa.
A pesquisa é bem simples, porém muito valiosa para nós! Contamos com o seu olhar.
Um grande abraço e até a próxima semana!
LK e Equipe K.






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