por Adriano Nicolau da Silva

“Basic Information on Depressive Disorder and Cognitive Behavioral  Psychotherapy”

1. RESUMO 

Pretende-se apresentar através deste estudo, os principais comportamentos de  uma pessoa deprimida e suas sintomatologias de forma psicodinâmica,  utilizando-se de uma metodologia analítica da depressão e estudo referenciado em livros e artigos atuais. O transtorno depressivo pode ser tratado com a  psicoterapia de base cognitivo-comportamental.  

Palavras-chave: psicoterapia cognitivo-comportamental, comportamento  depressivo. 

1. RESUME  

Through this study, we intend to present the main behaviors of a depressed  person and their symptoms in a psychodynamic way, using an analytical  methodology of depression and a study referenced in current books and articles.  Depressive disorder can be treated with cognitive behavioral psychotherapy. 

Keywords: Depression, cognitive behavioral psychotherapy, depressive  behavior. 

2. Introdução

A depressão é o transtorno que mais acomete a população mundial.  Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) é a doença do século. O  transtorno depressivo, (CID 10 – F33) é um transtorno de humor que afeta  consideravelmente a emoção da pessoa, desenvolvendo uma tristeza  profunda, alterações do humor e do ânimo, baixa autoestima, alterações do  apetite que surgem abruptamente, ligando-se, de forma interativa, com outros  sintomas. ¹ 

O transtorno depressivo provoca desprazer, ansiedade generalizada e  pensamentos acelerados de forma pessimista, estimulando comportamentos  de automutilação.19 

Pode se dizer que a depressão provoca outras doenças físicas como,  por exemplo: alterações fisiológicas, cognitivas, afetivas e psicomotoras. As  reações psicomotoras ficam alteradas com susceptibilidade na imunidade,  estimulando problemas crônicos de inflamações, dores generalizadas e  prostração motora. As alterações cognitivas se estendem nos campos  intrapessoal e interpessoais com ruminações negativas e crenças  persecutórias. Na esfera afetiva surge o congelamento das emoções,  expressando-se na apatia, desligamento, distanciamento e insegurança de  forma acentuada nas relações humanas, que eram consideradas importantes  pela pessoa no passado e agora se tornou indiferente. É importante salientar  que a fisiologia se torna alterada com mudanças corporais dramáticas como,  por exemplo, o surgimento da anorexia ou obesidade em tempo curto, assim  como síndromes metabólicas, AVC, hipertensão, enfarto entre outras. 4 

Foi apresentado no último relatório da Organização Mundial de Saúde  (OMS), que atualmente o transtorno depressivo se encontra em quarto lugar  entre as doenças. Existe uma tendência pessimista em 2025, em que passará  para o segundo lugar. Em todo o mundo, somente a doença cardíaca supera a  depressão. ¹ O sofrimento psíquico manifesta-se sob forma de rebaixamento das  emoções, tristeza e apatia que atingem o corpo e a alma. Ele é decorrente de  qualquer estado que desorganize o pensamento, inclusive a perda.2,3 

3. Suicídio e Depressão 

Ao abordar o tema suicídio, busca-se compreender o seu conceito. Do  latim, sui, próprio, e caedere, matar a si mesmo. O suicídio é tão complexo quanto as suas reações de existir. Existe uma lacuna enorme no pensamento de  quem presencia este ato na família e o estado emocional de indignação se  estende por várias indagações, buscando uma causa. 4  

É necessário abordar o assunto com seriedade pelas famílias e sociedade  sem preconceitos e tabus. As pessoas que vivenciam o problema depressão  podem ter transtornos paralelos como borderline, estimulando ainda mais o  estado depressivo. A postura dos familiares, em suas fugas e esquivas, acontece  por falta de informações, tabus, preconceitos ou porque preferem esconder na  própria dor, tentando abafar o problema. Isto não contribuiu com a prevenção e  o tratamento.4, 19 

A frequência do suicídio tem aumentado significativamente com os anos.  Altas taxas de violência fatal e traumas derivados de agressões são fenômenos  vivenciados por toda sociedade. A autoagressão está inserida nos contextos de  violência e torna-se tema de discussões sobre saúde pública.7 

A complexidade do assunto e a tristeza que assola a família de um  paciente deprimido chamam a atenção da comunidade científica para uma nova  postura multidisciplinar dos profissionais envolvidos e dos governantes que  administram o país, na tentativa de contribuir com políticas públicas atuantes nas  comunidades. ¹ 

Todos os anos, 800 mil pessoas, aproximadamente, tiram suas próprias  vidas por consequência da depressão em todo o mundo, isto corresponde a uma  pessoa a cada 40 segundos.5 

4. Objetivo 

O objetivo deste artigo é apresentar, ao leitor, as características  comportamentais de uma pessoa deprimida, bem como descrever a terapia  cognitivo-comportamental como tratamento psicológico. 

5. Método 

Este artigo foi desenvolvido baseado em trabalhos acadêmicos publicados  recentemente em revistas eletrônicas, (base de dados Scielo), com as palavras  sobre o assunto depressão e a psicoterapia cognitivo-comportamental. Foi  realizado um levantamento bibliográfico sobre o tema, na base de dados Scielo, utilizando como descritores as palavras: psicoterapia cognitivo-comportamental,  comportamento depressivo. 

6. Psicoterapia Cognitivo-Comportamental na Depressão 

A psicoterapia cognitivo-comportamental, desenvolvida pelo principal  representante Aaron Beck, acredita que os pensamentos automáticos e  repetitivos negativos resultam de crenças profundas e intermediárias por  consequências de esquemas mal adaptativos.8 

Pessoas deprimidas acreditam que o mundo se encontra pior que  realmente está. Os pensamentos negativos atraem a depressão de forma  intensa e desproporcional.9 

A psicoterapia cognitivo-comportamental é muito eficaz no tratamento da  depressão leve, moderada e grave. Aliada ao tratamento medicamentoso, pode  ser método efetivo no combate a este mal terrível que é a depressão.10 

A base da psicoterapia cognitivo-comportamental fundamenta-se em três  grandes pilares, a tríade cognitiva. Ela é composta pela visão negativa de si mesmo, na visão negativa do mundo e na visão negativa do futuro. Neste  processo contínuo e integrado, o sentimento de desesperança torna-se presente, estimulando o paciente a fantasiar o autoextermínio para o alívio de  suas dores.11 

Cognitivamente, pacientes deprimidos colocam os seus pensamentos de  forma absoluta e inflexíveis. Passam a catastrofizar o que pensam e sentem e  expressam as suas dores em atitudes autopunitivas exageradas, provocando  interpretações negativas de si, do outro e do futuro.12 

Os erros nas interpretações das informações dos estímulos recebidos  pela pessoa em depressão, podem ser os elementos causadores de mais  depressão, provocando um círculo vicioso.13 

Portanto, a Psicoterapia Cognitivo-Comportamental tem o objetivo de  intervir, facilitando ao paciente deprimido reestruturar os esquemas cognitivos e afetivos. Assim, facilitará para o mesmo, desenvolver comportamento social assertivo para o enfrentamento e tomada de decisões.14 O psicoterapeuta, que  atua nesta abordagem, poderá ajudar o paciente desenvolver uma autoanálise,  utilizando-se de técnicas e métodos adequados, segundo a necessidade do  paciente. Existe uma perspectiva otimista dos psicoterapeutas que atuam  segundo esta abordagem, apontando que aproximadamente 20 sessões podem  trazer mudanças significativas na vida da pessoa deprimida.15 

7. Discussão 

Nota-se, que a abordagem cognitivo-comportamental oferece técnicas e  métodos psicoterápicos com comprovação cientifica de bons resultados.12 

Na depressão é importante entender que existe uma complexidade  referente ao diagnóstico, procedimentos clínicos e resultados em que, muitas  vezes, somente o tratamento psicoterápico ou farmacoterapia não seria  suficiente para atender esta demanda.16 

É importante, também, o psicoterapeuta entender que a abordagem  cognitivo-comportamental não é reflexo somente de técnicas e métodos clínicos,  e sim cabe ao profissional acolher com afetividade e empatia, compreender o  paciente e perceber qual caminho será percorrido no processo clínico.14,16 

Faz muito sentido o psicoterapeuta valorizar as falas dos pacientes para  que estes possam expressar seus sentimentos, crenças, pensamentos,  sensações e dúvidas.16,17 

Percebe-se que no transtorno depressivo, o olhar cuidadoso por parte de  todos os que convivem com o paciente é importante. Assim também, pensar em  uma postura profissional aberta para atingir resultados satisfatórios, melhorando  o quadro depressivo do paciente.18 

8. Considerações Finais

Conclui-se que o transtorno depressivo exige atenção de todos. O risco  de suicídio na depressão profunda e a perda da qualidade de vida afeta  consideravelmente quem vivencia este transtorno.19 

Percebe-se, que ao se engajar no tratamento, as pessoas deprimidas  passam a ter grandes chances de se livrarem da depressão. E em alguns casos,  a psicoterapia cognitivo-comportamental pode ser suficiente, já em outros, a  concomitância da psicoterapia e a farmacoterapia é melhor indicado.14,15,16,17,18 

Portanto, a depressão poderá ser melhor entendida e tratada com a  psicoterapia cognitivo-comportamental, porque esta oferece comprovações  empíricas e científicas de eficácia, aplicada individualmente, em grupo, ou com  os medicamentos. 9,13,14,15 

9. Referências 

1. Organização Mundial de Saúde. Relatório sobre a saúde no mundo 2001:  saúde mental: nova concepção, nova esperança: Geneva (CH): MS;2001. 2. Bowlby, J. (1993). Tristeza e Depressão. Apego e Perda. Vol. 3. São Paulo:  Martins Fontes. 

3. Roudinesco, E. (2000). Por que a Psicanálise? Rio de Janeiro: Jorge Zahar  Editor. 

4. Botega NJ. Prática Psiquiátrica no Hospital Geral: interconsulta e  emergência. Porto Alegre: Artmed; 2002. 

5. WHO. World Health Organization. Preventing suicide: a global imperative.  Genebra: Who Press, 2014. Disponível em: Acesso em: 05 nov. 2014. 7 – Botega, N. J. (2007). Suicídio: Saindo da sombra em direção a um Plano  Nacional de Prevenção. Editorial. Revista Brasileira de Psiquiatria, 29(1), 7-8. 8 – Beck AT. Thinking and depression. Arch Gen Psychiatry. 1963; 9:324- 33. 9 – Beck AT. Depression: causes and treatment. Philadelphia: University of  Pennsylvania Press; 1967. 

10 – Dobson KS. A meta-analysis of the efficacy of cognitive therapy for  depression. J Consult Clin Psychol. 1989;57(3):414-9. 

11 – Beck AT. Cognitive therapy and the emotional disorders. Boston:  International University Press; 1976.

12 – Cuijpers, P., van Straten, A., van Oppen, P., & Andersson, G. (2008). Are  psychological and pharmacologic interventions equally effective in the  treatment of adult depressive disorders? A meta-analysis of comparative  studies. Journal of Clinical Psychiatry, 69(11),1675-1685. 

13 – Scher CD, Segal ZV, Ingram RE. Beck’s theory of depression: origins,  empirical status, and future directions for cognitive vulnerability. In: Leahy  RL, editor. Contemporary cognitive therapy: theory, research, and practice. New  York: Guilford Press; 2006. 

14 – Beck JS. Cognitive therapy: basics and beyond. New York: Guilford Press;  1995. 

15 – Beck, A. T., Rush, A. J., Shaw, B. F., & Emery, G. (1982). Terapia cognitiva  da depressão. Rio de Janeiro: Zahar. 

16 – Beck, J. (2013). Terapia cognitivo-comportamental: Teoria e prática (2.  Ed). Porto Alegre: Artmed. 

17 – Dobson, K. S. (2016). New frontiers in cognitive-behavioral therapy for  depression. International Journal of Cognitive Therapy, 9(2),107-123. 18 – Segal, Z. V., Williams, J. M. G., & Teasdale, J. D. (2002). Mindfulness based cognitive therapy for depression- a new approach to preventing  relapse. New York: The Guilford Press. 

19 – SILVA, Adriano Nicolau da. Noções Básicas do Transtorno de  Personalidade Borderline (TPB). Psicologado. Edição 07/2019. Disponível em  < https://psicologado.com.br/abordagens/psicologia-cognitiva/nocoes-basicas do-transtorno-de-personalidade-borderline-tpb >. Acesso em 9 Set 2019.

Adriano Nicolau da Silva, Psicólogo e Psicoterapeuta. Graduado em Psicologia e Filosofia. Especialista nas áreas de educação e clínica. Uberaba, MG. E-mail: adrins@terra.com.br. Colunista do Factótum Cultural.

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