por Heloyse Tomal

Que hipocrisia a minha em me atrever,
me ousar!
a falar de Boal por meio de palavras
e me auto acorrentar à logocentria que já me aprisiona
e ceder à tentação do mais fácil
mais cômodo, do mais tolo
Talvez me seja ainda muito ameaçador me livrar da palavra
e me pôr a falar de verdade,
nao mais pela diminuta e limitada abordagem
que é o verbo suprimido,
mas pela voz que reverbera por cada músculo utilizado
e por cada estalo de um esqueleto oprimido
No ato falho de se usar o alfabeto,
de se tentar entender pelo vocal,
o corpo enrijecido implora para ser descoberto
redescoberto
uma outra vez aberto para libertar o que não se pode correr por palavras
grande demais para caber na fala oral
Para demolir a muralha que separa ator de plateia
protagonista de expectador
dá-se força e estrutura à ideia de que
no princípio
não era palco, era chão
não eram eles, éramos nós
não era um “senta e escuta”,
mas um “senta e discuta”
era democracia grega pura
Era teatro liberto e novo, na mão de quem realmente o possui;
na mão do povo.

Heloyse Tomal, acadêmica do primeiro ano de Filosofia (UNESPAR/PR)
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