
Se você me permite, gostaria de compartilhar um pouco da experiência do jovem Leandro e o seu processo de amadurecimento sobre a religião e o ateísmo.
Ainda rapaz e inseguro com os desafios do amadurecimento, comecei a anunciar ao mundo que estava me tornando ateu.
Naquele tempo, o ateísmo era muito mais um enfrentamento das tradições da sociedade do que qualquer outra coisa.
Uns aderiram ao rock, outros faziam tatuagem, alguns fumavam maconha… eu, avesso aos deleites citados, estava virando ateu.
Minha piedosa avó recomendava “vá com Deus” e eu redarguia, arrogante: “vou de Varig, vó”.
Hoje, eu seria incapaz de responder assim.
A pessoa que me desejou “fique com Deus” ou “vá com Deus” está transmitindo um gesto de carinho dentro do seu código pessoal de crenças.
Com o amadurecimento, entendi que meu ateísmo é exclusivamente pessoal, fruto de experiências e leituras que só têm significado para mim, e que respondem a questões referentes ao meu universo.
Nunca compartilhei da ideia de que descrer em forças superiores ou sentidos absolutos valha para todos.
Tampouco acredito que seja mandatório para melhorar o mundo.
Ateus e religiosos podem ser éticos ou canalhas, como encontrei muitos em todas as torcidas físicas e metafísicas.
Sou contra os regimes que tornaram o ateísmo obrigatório e perseguiram religiosos, como a URSS ou o México, especialmente após 1917.
Ao mesmo tempo, sou igualmente contra a intolerância dos sistemas que impõem a fé a todos..
Gente autoritária é somente gente idiota. Gente autoritária não tem Deus ou não-Deus, possui apenas um projeto de poder como meta.
O religioso de verdade, aquele que carrega a ideia de um Deus criador, entende que, tendo o mesmo Pai, todos somos irmãos.
Islâmicos, judeus e cristãos falam muito da regra de ouro: não fazer ao outro o que não desejo que seja feito a mim.
Compartilho 100% da ideia de uma fraternidade universal, seja ela lógica, humanística ou teológica.
Assim, eu, ateu, me considero aliado incondicional de todo religioso, pois compartilho a mesma ideia que os devotos devem ter como guia máximo: compreensão, misericórdia, ajuda aos outros, proteção aos vulneráveis e defesa dos pobres.
Há trechos a favor dos pobres na Torá, nos Evangelhos e no Corão. Eu e todos os religiosos temos o mesmo inimigo: o fundamentalista.
O fundamentalista é aquele que, em nome de um suposto deus, usa seu projeto de poder para imprimir e matar.
Ele é inimigo de Deus e da ciência, inimigo da lógica e da revelação, inimigo de todo ser vivo e de toda sociedade aberta.
O fundamentalista (religioso, político, científico, etc.) é um ser do ódio que, se tivesse filiação, seria exclusiva à figura do demônio, nunca a Deus; à burrice, jamais à inteligência lógica.
Eu sou irmão dos religiosos e inimigo dos que odeiam.
Em resumo, se minha avó fosse viva e hoje me dissesse “vá com Deus”, em vez de uma resposta irônica e limitada como outrora, eu reconheceria nosso vínculo e a abraçaria dizendo “eu também te amo, vó”.
Eu era ainda mais idiota quando era jovem e “graças a Deus” ou à mitose e meiose das células, cresci um pouco.
O importante é a luz. E, mais ainda, evitar a escuridão diabólica da vaidade e do poder.
Urge crer na democracia.
Ei, Leitor, que tal passar o fim de semana aprendendo, junto ao professor Karnal, sobre uma das principais figuras da História?
Independente de sua crença religiosa, Jesus é uma personagem essencial para a compreensão do mundo contemporâneo, da sociedade em que vivemos e, principalmente, para o entendimento de quem você é e de onde surgiram seus valores e crenças.
Na aula gratuita “Jesus: Para quem crê ou não crê”, disponível no YouTube, você vai desvendar as diversas nuances de uma das figuras mais importantes da História.
Uma ótima semana para você. Até a próxima!
Abraços,
LK e Equipe K.






Deixe um comentário