
Há 101 anos, no dia 19 de setembro de 1921, nascia o recifense Paulo Reglus Neves Freire.
O educador, filósofo e escritor brasileiro reconhecido internacionalmente foi filho de uma classe média urbana e enfrentou muitas dificuldades.
Seu pai era militar e faleceu quando Freire era ainda adolescente.
No entanto, aos 22 anos, Paulo Freire conseguiu ingressar na Faculdade de Direito do Recife, da Universidade Federal de Pernambuco.
Ainda na graduação, começou a lecionar português. Depois de formado, iniciou docência em Filosofia e se aprofundou nesse caminho.
Seu olhar agudo tocava em um grande problema do Brasil:
a alfabetização de adultos.
Os métodos tradicionais causavam desistência, éramos um país rural e com pouquíssimos leitores.
Só para você ter uma dimensão do problema, trago alguns números:
Em 1906, de cada mil habitantes de Pernambuco, 807 eram analfabetos e apenas 193 eram alfabetizados.
Somente no, então, Distrito Federal – que, à época, era no Rio de Janeiro -, a alfabetização ultrapassava 50% da população.
Eram 519 alfabetizados por mil (ainda assim, uma realidade precária).
O quadro foi mudando lentamente ao longo do século XX, embora nunca tenhamos conseguido eliminar a gravidade do analfabetismo total, e do – ainda não calculado em pesquisas governamentais – analfabetismo funcional.
Como construir uma sociedade produtiva e minimamente justa com analfabetismo, letramento imperfeito, dificuldades estruturais de leitura e de interpretação de texto?
O diagnóstico é evidente: alunos defasados na relação idade/ano cursado, altos índices de desistência e evasão escolar, sucateamento da infraestrutura da escola pública, e a evidente falta de um projeto nacional consistente e contínuo sobre a educação.
O quadro comovia o jovem Paulo Freire – e comove a nós, um século depois.
A questão já tinha tocado fundo para Anísio Teixeira (1900-1971), um dos mais influentes pensadores da educação pública brasileira. Um dos livros do baiano de Caetité apresenta como título quase um programa permanente: “Educação Não é Privilégio”.
Há muitos outros educadores brasileiros. E Paulo Freire é um deles.
Ele concebeu um modelo de alfabetização novo: partiu do universo dos alunos, em um célebre experimento com cortadores de cana.
Usando o termo popular hoje, podemos dizer que ele empoderou os alunos analfabetos: com a metodologia de Paulo Freire, deixaram de ser receptores passivos de uma escola informativa, baseada na memória e na autoridade do professor.
Escreveu sobre suas experiências, inclusive sobre alguns fracassos que motivaram aperfeiçoamentos no método.

Sua filosofia da Educação chamou a atenção de intelectuais na Europa e nos EUA. O livro “Pedagogia do Oprimido”, por exemplo, obra básica para conhecer o pensamento de Paulo Freire, tem tradução para quase todas as línguas.
É o intelectual brasileiro mais citado na área de educação nos grandes centros.
Cerca de 40 instituições universitárias de peso deram a ele o título de Doutor Honoris Causa.
Exemplos? Genebra, Bolonha e Barcelona. Foi professor-visitante em Harvard. Um brasileiro debatido e estudado no mundo todo.
Não por acaso, é o patrono da educação brasileira.

Tenho encontrado defensores e detratores da obra do recifense, mas encontro bem menos leitores.
Portanto, lanço um desafio cheio de esperança:
antes de defender ou atacar Paulo Freire, leia dois livros dele, ao menos.
Depois de ler e examinar a obra, é interessante buscar alguns dados biográficos dele. Por fim, livremente, sendo você de esquerda ou de direita, emita sua sagrada opinião, agora com certo embasamento.
Educação é algo muito sério.
Paulo Freire encarou o gravíssimo drama do analfabetismo. Hoje, vivemos outro tipo de drama: pessoas que possuem a capacidade de ler e se recusam a fazê-lo.
Freire dizia que a esperança é um ato revolucionário. E eu acredito nisso.
Um grande abraço e um excelente fim de semana.
LK e Equipe K.






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