por Leandro Karnal

Tenho considerações sobre culinária ao comer, sobre moda ao vestir, sobre política ao votar e sobre planejamento econômico ao negar dinheiro a um filho.

A opinião (doxa para os gregos) envolve minha experiência real, meus gostos subjetivos, minha razão e minha passionalidade.

Raramente, minhas opiniões são embasadas em muita reflexão ou em dados.

Todos nós dialogamos com o mundo do senso comum e da subjetividade.

Argumentos objetivos e verificáveis existem, mas escasseiam nas discussões diárias.

Em casos ainda mais raros, temos uma formação profissional/acadêmica sólida que envolveu reflexão prévia e pesquisas anteriores sobre o que falamos.

Falamos mais do que pensamos.

Hoje há uma tripla força para que as opiniões subjetivas (pessoais) ganhem destaque.

A primeira linha é o estado democrático de direito, vigente há mais de 30 anos no Brasil. Liberdade de expressão é garantida pela Constituição.

A segunda força é o crescimento do sujeito como definidor de uma realidade que deve ser respeitada por causa da vontade.

“Por que essa profissão? Por que fez tal escolha de casamento?” A resposta que encerra tudo é “porque eu gosto”.

O declínio do dever ou da norma (e a ascensão do desejo como instaurador de validade) são recentes e mereceriam muita análise.

A terceira e última força se chama rede social.

Não apenas eu tenho o direito, eu também penso assim e, por fim, posso publicar para milhões a minha infinita subjetividade.

Qualquer pessoa pode falar e escrever sobre tudo. Vivemos o império da opinião. 

Você lê uma notícia ou uma coluna e, logo abaixo, há os comentários dos leitores!

Muitas vezes, temos mais opiniões sobre a notícia do que texto na notícia.

Todos querem falar o que pensam. Não raro, há debates entre os leitores, que se esgrimam por suas opiniões.

Isso levou Umberto Eco a emitir sua antipática (e verdadeira?) sentença de que

“a internet (e principalmente as redes sociais) deu a certeza ao idiota da aldeia de que ele não apenas tem voz; concedeu-lhe a certeza de que tudo sabe; de que sua opinião é a melhor, a mais correta.”

A principal característica da democracia é a mais absoluta liberdade de expressão.

Então, qual seria a alternativa a dar voz aos idiotas?

A censura prévia, a ditadura? Quem pode dar opinião?

Quem está realmente disposto a ouvir uma opinião e a ponderar a partir dela?

Quem definiria o que é idiota? O que é sábio?

A solução é complexa e passa por diversos níveis.

Em nível pessoal: devo saber que tenho direito a pensar por mim mesmo, no entanto jamais serei especialista em tudo.

Ter opinião sobre tudo, portanto, torna-me um idiota, querendo ou não. 

Um segundo nível é público, coletivo: a educação no século 21 tem de encarar o papel de registrar a capacidade da construção de argumentos, da arte do diálogo, do debate.

Teremos mais gente versada e com capacidade de dialogar. 

Em uma esfera legal, devemos ser duros (e justos) quando a opinião extrapola seus limites ou flerta com o ilógico.

Leis não podem ser feitas, tendo como base a opinião de alguém sobre um assunto; uma pessoa ofendida pela opinião alheia pode exigir reparação.

Ainda assim e sempre: é melhor o charabiá dos idiotas em um estado democrático de direito do que a mordaça silenciosa das ditaduras.

#RecadoDaEquipeK

No texto de hoje, convidamos você a refletir sobre democracia: um sistema que mudou a forma como pensamos sobre política e que reconhece a importância de cada cidadão para a construção da vida em sociedade.

Muitas pessoas cometem o erro de acreditar que a política se resume a embates ideológicos e partidários.

A política, na realidade, está no nosso cotidiano, está presente em qualquer lugar em que existam mais de duas pessoas convivendo. 

Leitor, você já parou para pensar que as suas roupas são políticas? Que a escolha da sua profissão é um ato político?

Pois bem. Esse é um tema complexo que pode ser analisado a partir de diversos pontos de vista. 

O Universo Karnal deste sábado (23/07) vai ajudar você a entender melhor as diversas nuances da política.

Durante o programa, o professor Leandro Karnal nos ajudará a entender as diversas formas de organização do poder que vão além da polarização política que vemos nas redes sociais. 

Para deixar a aula ainda mais interessante, Karnal atuará como conselheiro em uma reunião entre uma síndica profissional e um grupo de moradores de um condomínio em São Paulo. Condomínio é política.

Imperdível, não é mesmo?

Nosso encontro está marcado:

Sábado, dia 23/07, às 23h, no canal CNN Brasil (TV) ou no Youtube da CNN Soft.

Depois de assistir ao programa, não deixe de responder a este e-mail, contando-nos sua opinião.

Um abraço e até sábado,

LK e Equipe K.

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