por Leandro Karnal

Ressentido é quem sente duas vezes.
Sente pelo que não possui e tem nova dor pela alegria que identifica naquele que tem.
Freud falou sobre a “covardia moral do neurótico”.
O neurótico se considera superior, moralmente acima da vulgaridade do mundo; todavia, incapaz de mudá-lo.
Não perdoa, não age, apenas sente e ressente.
O espaço de ouro para o ressentido é o mundo agressivo das redes sociais.
Lá, a covardia pode vir com anonimato, destilar veneno, atacar, agredir e mostrar como o meu inimigo é inferior e imbecil.
O que deriva disso?
Nada, é uma impotência reconhecida, diluída na incapacidade de o ressentido assumir seu próprio desejo e de agir.
Veja uma distinção importante:
Existe desigualdade no mundo. Há pessoas que se revoltam contra ela e agem para mudá-la.
Caridade, política, revolução: são três caminhos comuns de reação à carência de muitos.
Há outros. Penso em quem não age, reflito sobre o ressentido.
Ele interpreta a felicidade alheia como retirada dele. Aquele que sorri, no fundo, retirou do meu rosto a alegria. O bom corpo dela/dele estragou o meu. A viagem bonita foi feita em detrimento da minha. A vida que vejo na internet foi roubada de mim.
Posso perdoar você por tudo, menos por ser mais feliz do que eu.
A pessoa que luta por justiça social, por motivos filosóficos ou religiosos, fica perturbada pelo fato de que alguns possam ter um tênis caríssimo, e tantos não tenham comida mínima.
O ressentido quer o tênis para ele e, não conseguindo, nega-o a qualquer pessoa.
O ressentido é um invejoso fracassado tingido com o verniz de Madre Teresa de Calcutá.
A busca de uma genuína melhoria da dor alheia por empatia pura é tão rara na luta política como a vocação da freira albanesa, na Índia, no campo religioso.
Conhecer a si é o desafio que o Templo de Apolo em Delfos nos envia sempre.
Pelo menos saberíamos que estamos lutando com moinhos reais, mas não com gigantes alimentados pela minha dor quixotesca.
Essa tem sido a esperança: lutar com a minha dor de forma consciente e não ser dominado pelo que me incomoda.
Você já sabe da novidade, Neemias?
Está chegando a segunda temporada do Universo Karnal, o programa do professor Leandro Karnal na CNN Brasil.
Os novos episódios trazem reflexões interessantes (e descontraídas) que irão ampliar ainda mais seu conhecimento e suas perspectivas sobre temas, por meio de novos desafios e entrevistas enriquecedoras.
Que tal conhecer novas faces do professor Leandro Karnal, ainda aprender com ele e seus entrevistados?
A estreia será no dia 02 de julho, às 23h, e você poderá acompanhar pela TV ou pelo Canal CNN Soft no YouTube (só será possível assistir ao vivo).
Enquanto a data não chega, você pode saber o que vem por aí – com o trailer dessa segunda temporada. Clique aqui para assistir.
#KarnalIndica
“Tudo que não é literatura me entedia e eu detesto”, anota Franz Kafka em certo dia de 1913.
Leio os diários de Franz Kafka (período 1909-1923) e sinto um respeito transcendente pelo gênio de Praga. Cada página contém uma epifania.
Será que ele e outros (como Van Gogh) tinham noção da influência que teriam? O gênio sabe que é gênio?

Uma excelente semana, LK e Equipe K.





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