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Leitor, você já se resentiu hoje?

por Leandro Karnal

 Inveja (Recorte da pintura “Os sete pecados capitais”, de Hieronymus Bosch, 1450-1516).

Ressentido é quem sente duas vezes.

Sente pelo que não possui e tem nova dor pela alegria que identifica naquele que tem. 

Freud falou sobre a “covardia moral do neurótico”.

O neurótico se considera superior, moralmente acima da vulgaridade do mundo; todavia, incapaz de mudá-lo.

Não perdoa, não age, apenas sente e ressente. 

O espaço de ouro para o ressentido é o mundo agressivo das redes sociais.

Lá, a covardia pode vir com anonimato, destilar veneno, atacar, agredir e mostrar como o meu inimigo é inferior e imbecil. 

O que deriva disso?

Nada, é uma impotência reconhecida, diluída na incapacidade de o ressentido assumir seu próprio desejo e de agir.

Veja uma distinção importante:

Existe desigualdade no mundo. Há pessoas que se revoltam contra ela e agem para mudá-la.

Caridade, política, revolução: são três caminhos comuns de reação à carência de muitos.

Há outros. Penso em quem não age, reflito sobre o ressentido.

Ele interpreta a felicidade alheia como retirada dele. Aquele que sorri, no fundo, retirou do meu rosto a alegria. O bom corpo dela/dele estragou o meu. A viagem bonita foi feita em detrimento da minha. A vida que vejo na internet foi roubada de mim.

Posso perdoar você por tudo, menos por ser mais feliz do que eu.

A pessoa que luta por justiça social, por motivos filosóficos ou religiosos, fica perturbada pelo fato de que alguns possam ter um tênis caríssimo, e tantos não tenham comida mínima.

O ressentido quer o tênis para ele e, não conseguindo, nega-o a qualquer pessoa.

O ressentido é um invejoso fracassado tingido com o verniz de Madre Teresa de Calcutá.

A busca de uma genuína melhoria da dor alheia por empatia pura é tão rara na luta política como a vocação da freira albanesa, na Índia, no campo religioso.

Conhecer a si é o desafio que o Templo de Apolo em Delfos nos envia sempre.

Pelo menos saberíamos que estamos lutando com moinhos reais, mas não com gigantes alimentados pela minha dor quixotesca.

Essa tem sido a esperança: lutar com a minha dor de forma consciente e não ser dominado pelo que me incomoda.

Você já sabe da novidade, Neemias?

Está chegando a segunda temporada do Universo Karnal, o programa do professor Leandro Karnal na CNN Brasil.

Os novos episódios trazem reflexões interessantes (e descontraídas) que irão ampliar ainda mais seu conhecimento e suas perspectivas sobre temas, por meio de novos desafios e entrevistas enriquecedoras.

Que tal conhecer novas faces do professor Leandro Karnal, ainda aprender com ele e seus entrevistados?

A estreia será no dia 02 de julho, às 23h, e você poderá acompanhar pela TV ou pelo Canal CNN Soft no YouTube (só será possível assistir ao vivo).

Enquanto a data não chega, você pode saber o que vem por aí – com o trailer dessa segunda temporada. Clique aqui para assistir.

#KarnalIndica

“Tudo que não é literatura me entedia e eu detesto”, anota Franz Kafka em certo dia de 1913. 

Leio os diários de Franz Kafka (período 1909-1923) e sinto um respeito transcendente pelo gênio de Praga. Cada página contém uma epifania.

Será que ele e outros (como Van Gogh) tinham noção da influência que teriam? O gênio sabe que é gênio?

Uma excelente semana, LK e Equipe K.

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